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Comemoração tripla na família Crestani

24/05/2019 - Por Jornal Semanal
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Crise econômica e maior número de uniões estáveis estão ligados ao menor número de casamentos

No Brasil, queda chega a 27% entre 2017 e 2018. Já em Três de Maio, no mesmo período, houve um aumento de 30,15% dos casamentos em cartório

Na contramão do aumento populacional, uma tendência nacional que vem se confirmando nos últimos anos é a diminuição do número de casamentos, tanto as cerimônias religiosas como as no registro civil. 
Conforme estatísticas do Registro Civil que constam no último levantamento do IBGE, os cartórios pelo Brasil registraram 1.070.376 casamentos em 2017, uma queda de 2,3% sobre o ano anterior (2016). Já com relação a 2018, quando foram realizadas 781,4 mil uniões, a queda é ainda maior, em torno de 27%.
A mesma situação é observada no Rio Grande do Sul: os gaúchos estão casando menos. Segundo dados fornecidos pela Associação dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen RS), em 2015, foram realizados 45,7 mil casamentos para uma população de 11,2 milhões (quatro a cada 1 mil habitantes). Ano após ano, as celebrações civis diminuíram, apesar de a população aumentar. Em 2018, para 11,3 milhões habitantes, foram 25,1 mil uniões em cartório. Em números, a queda chega a mais de 45% de 2015 a 2018.

OS NÚMEROS
Cartório Tomasi de Três de Maio
2019 16 casamentos (até 15/4)
2018 82 casamentos
2017 63 casamentos
2016 68 casamentos
Cartório de 
Independência 
2019 5 casamentos (até 15/4)
2018 20 casamentos
2017 16 casamentos
2016 14 casamentos
Cartório de Boa Vista 
do Buricá
2019 7 casamentos (até 15/4)
2018 17 casamentos
2017 10 casamentos
2016 20 casamentos

Na atualidade, casais optam por morar junto, sem festa de casamento religioso ou inscrição no cartório
Um dos fatores, segundo o presidente da Arpen RS, Arioste Schnorr, é que, em 2002, quando entrou o novo Código Civil, viu-se que a união estável vale tanto quanto o casamento. "Elas então começaram a aumentar e os casamentos, a diminuir. Outra questão é cultural: há novos modelos de família e, para muitos, a união estável é o suficiente para montar uma família", analisa.
Já para o economista e professor da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina), Marcos Winck, a queda nos matrimônios também ocorre como consequência da crise econômica. "Em anos de crise, por mais que os casais se juntem, no fim não fazem festa de casamento, nem se inscrevem no cartório. Não é que haja um número menor de uniões, mas a crise econômica desincentivou as pessoas a formalizá-las", sugere.

Na região, números indicam mais casamentos no civil que na igreja
A microrregião contraria a tendência nacional quanto ao número de casamentos civis. Em Três de Maio, por exemplo, entre 2017 e 2018, houve um aumento de 30,15% das uniões em cartório da cidade. Este ano, até 15 de abril, 16 casamentos civis já foram realizados. Nos cartórios de Independência e Boa Vista do Buricá também houve acréscimo entre 2017 e 2018.
Já as maiores igrejas de Três de Maio registram uma queda nos enlaces matrimoniais, se os números continuarem nesta tendência. Na Igreja Católica, por exemplo, em 2018 foram 28 celebrações de casamentos, e este ano cinco, até abril. 
Já na IECLB São Paulo foram apenas três enlaces matrimoniais em 2018 e nenhum até 15 de abril deste ano. O mesmo ocorre na IELB São Pedro, que até abril deste ano ainda não havia realizado nenhuma celebração.

Casamento estabelece entre duas pessoas a comunhão plena de vida em família
Os advogados Laura Irber Redel (pós-graduanda em Direito de Família pela Fundação Escola Superior do Ministério Público) e Aryel Kássio Mescka explicam que, com base no Código Civil Brasileiro, o casamento pode ser conceituado como instituto civil pelo meio do qual, atendida às solenidades legais (habilitação, celebração e registro), estabelece entre duas pessoas a comunhão plena de vida em família, com base na igualdade de direitos e deveres, vinculando os cônjuges mutuamente como consortes e companheiros entre si, responsáveis pelos encargos da família. 
De acordo com os advogados, os casamentos podem ser realizados de diversas formas, seja convertendo-se uma união estável em casamento, através de um casamento religioso, em cartório, diligência ou transcrevendo um casamento realizado no exterior.

Nesta edição, relatamos a primeira parte da reportagem sobre casamentos. Nas próximas edições, a abordagem será sobre união estável e os números de divórcio. 
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TIPOS DE CASAMENTOS
CASAMENTO EM CARTÓRIO: O casamento em cartório é celebrado na sala de audiência ou local previamente determinado pelo cartório dentro das suas dependências. A cerimônia é realizada de forma pública, a portas abertas durante todo o ato, estando presentes o juiz de casamentos, o escrevente autorizado, os noivos e dois ou mais padrinhos.
CASAMENTO EM DILIGÊNCIA: O casamento em diligência é aquele que é celebrado fora do cartório, por motivo de força maior, por vontade dos noivos e consentindo o juiz. É realizado da mesma forma que o casamento em cartório.
CASAMENTO RELIGIOSO COM EFEITO CIVIL: O casamento religioso com efeito civil é aquele que é celebrado fora das dependências do cartório, porém quem preside o ato do casamento não é o juiz e sim a autoridade religiosa (padre, rabino, etc). Da mesma forma que o casamento em cartório, este deve ser realizado de forma pública, a portas abertas durante todo o ato de sua realização. Após a realização da cerimônia, os noivos não recebem a certidão de casamento, mas sim um termo de casamento, que precisa ser levado ao cartório num prazo de 90 dias (a contar da data da realização da cerimônia) para registrar o casamento. Caso isso não ocorra, o casamento não fica regularizado no cartório, isto é, os noivos permanecem solteiros. 
Nesta modalidade de casamento, os noivos tem que dar entrada ao processo de habilitação para o casamento no cartório, da mesma forma que as outras modalidades. Após 30 dias, não havendo nenhum impedimento legal, o cartório expedirá um documento chamado Certidão de Habilitação, que deverá ser entregue a autoridade religiosa antes da realização da cerimônia. Mas é importante lembrar que, de acordo com o Novo Código Civil, também é possível se casar primeiro no religioso e depois registrar o mesmo no civil. 
O casamento religioso com efeito civil, pode ser realizado em qualquer parte do Brasil, basta os noivos pedirem ao cartório que deram entrada no casamento, a certidão de habilitacão, que deverá ser encaminhada à igreja que realizará a cerimônia, para que possa ser feito o Termo de Religioso com Efeito Civil. 
CONVERSÃO DE UNIÃO ESTÁVEL EM CASAMENTO: Para se converter uma união estável em casamento, os requerentes devem comparecer ao cartório de Registro Civil do seu domicílio e dar entrada nos papéis de casamento. Igual ao casamento convencional, os noivos (brasileiros ou estrangeiros) podem escolher o regime de bens e mudar o nome. É necessário levar os documentos habituais e as duas testemunhas para dar entrada no processo de habilitação. A única diferença deste tipo de casamento é a inexistência da celebração, isso é, não existe a presença do juiz de paz para realizar a cerimônia. Após o prazo de 16 dias corridos (em São Paulo), os noivos poderão retirar a certidão de casamento civil no cartório e o casamento começa a ter efeito nessa data.

Tradição de subir ao altar ainda é o sonho de muitos casais

Após 11 anos de casamento no civil, casal celebra a união perante Deus e a Igreja
13 anos de união, incluindo o namoro, até o casamento civil há 11 anos. Esse é o tempo em que Márcio J.Helfenstein e Maria Isabel Helfenstein (mais conhecida como Bel), ambos com 40 anos, estão juntos e construíram uma linda e inspiradora história de amor, abençoada com a chegada dos filhos Larissa, 10, e Arthur, 7 anos.
No entanto, a história deles não estava completa, faltava o tão sonhado casamento religioso. E a consagração da união perante Deus e a Igreja ocorreu em 6 de outubro de 2018, quando Márcio e Bel celebraram o casamento religioso, em um momento muito especial, com a bênção de Deus e a ministração do pastor Haimo Jung, da Igreja Batista.
Cada detalhe da celebração foi preparada com muito carinho pelo casal, com ajuda dos filhos Larissa e Arthur. Afinal, foram anos planejando o momento, que serviu como testemunho da história de amor que eles vivem.

O primeiro contato via internet
Márcio é natural de Três de Maio e Bel é de Taboão da Serra, estado de São Paulo. De famílias com valores cristãos, eles aguardavam a pessoa ideal para namorar e casar. E foi através de um site de relacionamento que eles se conheceram. Depois de dois meses de contato via internet, eles tiveram o primeiro encontro pessoalmente. O namoro durou oito meses, até que ela veio morar para Três de Maio. 
Para Bel, o casamento civil é o cumprimento da lei dos homens e a formalização diante da sociedade. "Já o casamento religioso, entendemos representar o compromisso e consagração do casal diante de Deus e da igreja", observa.

Maria Isabel e Márcio estão juntos há 13 anos e são pais de Larissa, 10, e Arthur, 7 anos

'Respeitar as diferenças e exercer o perdão', aconselha o casal  
Márcio revela que no início de todo casamento há dificuldades inerentes à fase de adaptação. "Cada indivíduo traz dentro de si uma bagagem cultural, emocional, espiritual, e isso, inevitavelmente, vai acarretar algum atrito entre o casal", avalia. Na opinião dele, "para evitar que essas diferenças e atritos evoluam para brigas e até mesmo separações, a melhor maneira de solucionar essas dificuldades é compreender o outro, respeitar as diferenças e exercer o perdão diariamente." 
O casal destaca que sempre busca no Evangelho os princípios estabelecidos para o casamento. "Jesus nos ensina a renunciar os nossos interesses em favor do outro. Quando levamos isso para nosso relacionamento conjugal, ou seja, um renunciando seus interesses em favor do outro resulta em um relacionamento sadio e fortalecido. Amor e perdão são escolhas que precisamos fazer todo dia, para que nosso casamento nos leve a cumprir com a promessa de estarmos com o outro em todas as circunstâncias e assim vivermos o 'felizes para sempre'", concluem Bel e Márcio.

Bodas de Ouro e dois casamentos na mesma data
Daniel e Marilei; o casal Lucindo e Fátima Crestani e Simone e Paulo Santos comemoraram juntos, na mesma festa

Uma grande festa foi realizada para celebrar os 50 anos de união dos agricultores Lucindo, 74 anos, e Fátima Crestani, 65, no último sábado, 18 de maio, no Salão Católico de Consolata, interior de Três de Maio. Ao lado de convidados, familiares e amigos, o casal celebrou as Bodas de Ouro e o casamento religioso dos filhos Daniel Crestani, 33 anos (com a esposa Marilei), e Simone Crestani, (com o esposo Paulo).
O casamento celebrado pelo padre Edegar de Matos, da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, de Três de Maio, foi marcado pela emoção, especialmente por realizar o sonho da mãe Fátima, em ver os filhos mais novos - Daniel e Simone unidos sob as bênçãos de Deus com seus cônjuges.
Lucindo e Fátima estão há 52 anos juntos; foram dois anos de namoro antes do matrimônio. Tem cinco filhos: Maristela, Delton (em memória), Lucinei, Simone e Daniel e oito netos. O casal, que reside em Consolata, revela que o segredo para o casamento ser duradouro é "muita compreensão e companheirismo".

'Casamento é um sonho que deve ser vivido', diz Daniel
De 14 anos de união, Daniel Crestani e Marilei Marin  já moram juntos há 13 anos. Ele conta que a ideia de realizar em uma única festa, as Bodas dos pais e os casamentos, dele e de sua irmã, surgiu há dois anos num churrasco de família, quando a mãe expressou a vontade de ver todos os filhos casados no religioso. "De certa forma já estávamos vivendo uma união, inclusive com filhos. Assim  foi combinado que casaríamos na mesma data da comemoração das Bodas de Ouro deles."
Daniel e a esposa são pais de Sophia, 6 anos, e Mariana, 3. E, além de terem "prometido" à mãe, o casal também queria viver o sacramento do matrimônio. "Foi um dia especial. Percebi que o casamento, além de ser um sacramento, é uma aliança; um sonho de casal que deve ser vivido. As promessas por mais que pareçam simples, têm um peso muito grande, e fazem a gente pensar em querer estar junto de alguém pelo resto da vida".
Para Daniel, o casamento representa a "união de duas pessoas que se amam, que querem construir uma família juntos, que acima de tudo se respeitam".
Já a irmã Simone Isabel Crestani, 40 anos, que já é casada no civil há cinco anos com Paulo Albino da Silva, 47, destaca que casar no religioso foi um momento especial e único, além da confirmação e renovação da união dela com Paulo. 
Juntos há 12 anos e casados no civil há cinco, faltava a bênção religiosa e, além disso, queriam atender ao pedido da mãe de Simone. "Entendemos que no casamento precisamos nos apoiar um no outro para nos mantermos fortes na construção e educação dos nossos filhos", destaca o casal, pais de Bruno Gabriel, 9 anos, e Felipe Rafael, 4 anos. 

Dividir a vida a dois, com as bênçãos de Deus
Thaís Arruda Rodrigues, 20, e Oséias Rodrigues, 22 anos, estão casados desde janeiro

Um ano e quatro meses foram suficientes para Oséias Rodrigues, 22, e Thaís Arruda Silva Rodrigues, 20, celebrarem seu amor perante Deus e os homens. Os jovens se conheceram em um evento da igreja evangélica Assembleia de Deus. No civil, o casamento foi realizado no dia 11 de janeiro, e, no dia seguinte, a bênção matrimonial foi na igreja.
Na contramão de muitos jovens que preferem apenas "morar junto", os dois optaram em manter a tradição de subir ao altar. "Para nós, o casamento é algo estabelecido por Deus; é uma honra poder casar. Acreditamos que somos um agora. 'Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém separe'", diz, citando o texto bíblico de Mateus 19:6.
Oséias é vendedor e Thaís é estudante e web designer. Embora muito jovens, eles têm muitos planos futuros, mas desejam vivenciar o amor, cada dia mais, e realizar todos os sonhos juntos. 





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