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Boldrini nega as acusações, afirmando que Bernardo foi morto pela madrasta e pela amiga dela

15/03/2019 - Por Jornal Semanal
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Médico foi interrogado por três horas e meia, na tarde de quarta, 13. Graciele, a madrasta, disse que Leandro não teve participação e que morte "foi acidental". Até o fechamento da edição não havia decisão do júri
O julgamento de um dos casos que mais comoveram o país está em andamento, desde segunda-feira, 11, na cidade de Três Passos. 
Os quatro réus acusados de matar Bernardo Uglione Boldrini, de 11 anos, com uma injeção letal, em abril de 2014, em Três Passos, são o pai de Bernardo, Leandro Boldrini; a madrasta, Graciele Ugulini; e os irmãos Edelvânia e Evandro Wirganovicz, que respondem pelos crimes de homicídio qualificado, ocultação de cadáver e falsificação ideológica (esse, somente Leandro). O julgamento deve durar cinco dias, ou seja, encerrar nesta sexta.
O julgamento é presidido pela juíza de direito Sucilene Engler, titular da Vara Judicial da Comarca de Três Passos. Na acusação, atua o promotor de Justiça Bruno Bonamente. Nas defesas, atuão os advogados Ezequiel Vetoretti (Leandro), Vanderlei Pompeo de Mattos (Graciele), Jean Severo (Edelvânia) e Hélio Sauer (Evandro).
O processo que apura a morte de Bernardo tem cerca de 9 mil páginas, distribuídas em 44 volumes. Na fase de instrução processual, foram ouvidas 25 testemunhas arroladas pela acusação, 29 indicadas pelas defesas e os quatro réus.

'Os quatro praticaram esse crime com requintes de tamanha crueldade que chocaram a nação', afirma promotor de acusação
Na acusação, atua o promotor de Justiça Bruno Bonamente que, segundo ele, não se tem dúvidas da responsabilização dos quatro envolvidos. "A linha sustentada é a mesma linha que foi proposta na denúncia. O pai como mandante, a madrasta como articuladora, sempre com o auxílio do pai, e essa terceira pessoa, a amiga, junto com o irmão dela, para auxiliar nos atos executórios", afirma o promotor, que é enfático: "os quatro praticaram o crime com requintes de crueldade que chocaram a nação."
O coordenador do Centro de Apoio Operacional Criminal da Segurança Pública do Ministério Público, Luciano Vaccaro, explica que são três crimes denunciados. "Um dos crimes, a falsidade ideológica, só o Leandro responde. Nós temos um crime de homicídio com quatro qualificadoras para o Leandro e a madrasta, e com duas qualificadoras para os demais, os irmãos Edelvânia e Evandro".
Segundo o Tribunal de Justiça, as qualificadoras acrescentadas ao homicídio são: motivo torpe, fútil, com emprego de veneno e mediante dissimulação.
Conforme o TJ, o motivo fútil é pelo fato do casal considerar o menino um "estorvo no novo núcleo familiar". E o crime cometido mediante emprego de veneno é em razão da aplicação de superdosagem do medicamento Midazolam, apontado como causa da morte de Bernardo. Segundo o MP, Edelvânia e Graciele teriam adquirido o remédio utilizando receituário azul com timbre e carimbo de Leandro.
O crime cometido mediante dissimulação, de acordo com o TJ, seria porque Bernardo foi levado por Graciele até Frederico Westphalen, sem saber a real intenção da mulher.
"O crime de homicídio qualificado prevê uma pena de 12 a 30 anos, mas tem ainda essas qualificadoras. Esperamos que seja elevada a pena e que confirme a realização da justiça e a punição desses criminosos por esse crime grave", acrescenta Vaccaro.

Pai nega participação no crime
Leandro foi o primeiro réu a ser ouvido no júri popular - na quarta, dia 13 - em um depoimento que durou mais de três horas e meia. Ele disse que não mandou matar Bernardo. "Nego veementemente. Amo até hoje meu filho. Infelizmente ele não está mais comigo", afirmou, declarando que foi Graciele e a Edelvânia que mataram Bernardo.
No depoimento, ele narrou a situação em que, após ser preso, Graciele teria lhe admitido ser responsável pela morte de Bernardo. Declarando-se inocente, ele disse aos promotores que tomou conhecimento de que o filho havia morrido somente no dia 14 de abril de 2014, quando o corpo foi encontrado. Ele admitiu ser um pai ausente, mas com a justificativa de que seu trabalho não lhe permitia ter muito tempo para o filho. E finalizou seu depoimento: "que a justiça seja feita".

Graciele atribuiu ao próprio menino a ingestão do medicamento
Ontem, quinta-feira, quarto dia de julgamento, Graciele foi a primeira a depôr. Em pouco menos de duas horas, ela relatou como era o relacionamento com o menino e, chorando praticamente todo o tempo, ela alegou que a morte do menino foi acidental. Ela também inocentou Leandro e amenizou o envolvimento da amiga, dizendo que Edelvânia pediu para levá-lo a um hospital, e disse ter conhecido o irmão dela, Evandro, apenas essa semana, durante o julgamento. 
Graciele narrou que se dirigiu até Frederico Westphalen e que o menino teria pedido para ir junto. Durante a viagem, Bernardo teria tomado remédios para enjoo. "De repente eu olhei, ele tava recostado e babando. Aí levantei a camiseta dele e vi que não tinha movimento respiratório", afirmou, atribuindo ao próprio Bernardo a ingestão do medicamento. "As pessoas vão achar que eu dei remédio de propósito, em função de a gente brigar e não se dar bem". 
Ela teria dito a Edelvânia que era necessário enterrar o corpo e a amiga sinalizou o local. Graciele negou que tenha aplicado uma injeção letal em Bernardo. E falou ainda que "o Leandro não tem nada a ver. Só quero o perdão dele", admitindo que simulou uma situação (de participar das buscas pelo menino) para encobrir o crime.
Até o fechamento da edição, estavam prestando depoimento Edelvânia (que passou mal) e depois, o irmão Evandro.

Relembre o caso
Morador de Três Passos, Bernardo Uglione Boldrini desapareceu no dia 4 de abril de 2014. Ele foi encontrado morto 10 dias depois, em uma cova vertical nas margens de um riacho, em Frederico Westphalen. Laudos periciais atestaram a presença de Midazolam no estômago, rim e fígado do menino. A superdosagem do medicamento teria sido a causa da morte da criança.

Bernardo Uglione Boldrini tinha 11 anos. Este ano, em 6 de setembro, ele completaria 17 anos



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