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Três de Maio passa a ter a Patrulha Escolar

08/03/2019 - Por Jornal Semanal
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Iniciativa da BM busca oferecer maior segurança ao ambiente escolar
Patrulha Escolar, que realiza policiamento tanto dentro quanto nas proximidades das instituições, teve início na segunda 
quinzena de fevereiro e conta com a atuação de dois policiais da reserva
Teve início, no último dia 21, uma ação que busca aumentar a segurança tanto dentro de escolas de Três de Maio quanto nas proximidades das instituições.
Iniciativa da Brigada Militar (BM), a Patrulha Escolar conta com dois policiais militares, integrantes do programa Mais Efetivo, da Secretaria da Segurança Pública. O programa reúne militares da reserva (policiais ou bombeiros) para atuação em áreas específicas.
Os dois policiais já atuavam em escolas, mas como guardas, explica a primeira-tenente Juliana Boz, comandante do 2º Pelotão da 3ª Companhia da Brigada Militar de Três de Maio.
"Essa modalidade de policiamento de guarda foi transformada em modalidade de patrulhamento, seguindo as normas internas da Brigada Militar. Os policiais, em vez de permanecerem fixos em uma escola, vão fazer o patrulhamento, de forma a abranger todas as escolas estaduais e algumas municipais que tenham um grande número de alunos, tanto em escolas do interior como da cidade", diz Juliana.
"O objetivo é realizar um policiamento no sentido de prevenir e coibir delitos nas proximidades e no interior das escolas, como tráfico e consumo de drogas, brigas, situações de desordens e desrespeito à sinalização e às leis de trânsito", acrescenta.

'Não podemos é deixar esses conflitos evoluírem para a violência'
Durante seu turno de serviço, os policiais estão percorrendo as escolas conforme um cronograma criado, fazendo o policiamento em momentos em que possa ocorrer uma maior incidência de delitos, como no início, intervalo e término das aulas.
Atualmente, em Três de Maio, segundo Juliana, o índice de brigas entre alunos é baixo, e entre alunos e professores é próximo de zero. Segundo ela, a Brigada Militar normalmente é acionada nas escolas para a resolução de pequenas desavenças entre alunos.
"Em todo tipo de ambiente pode haver conflitos, e as escolas não ficam fora desse contexto. Mas o que não podemos é deixar esses conflitos evoluírem para a agressividade, para a violência", ressalta Juliana.
"Como temos poucos problemas de violência em nossas escolas, nosso objetivo é justamente trabalhar a prevenção, proteger nossas crianças e adolescentes, inibindo a circulação de pessoas estranhas na área escolar e principalmente a venda e o consumo de drogas", finaliza.
O planejamento é de que a Patrulha Escolar seja permanente, ao longo dos próximos anos, durante o período das atividades escolares.

'Representa um auxílio significativo', avalia a diretora da escola Castelo Branco
A Patrulha Escolar "representa um auxílio significativo para a resolução de conflitos, considerando se tratar de um serviço de orientação e monitoramento", analisa a diretora da Escola Estadual de Ensino Médio Castelo Branco, Jaqueline Maria Jahn Barros.
Ela conta que "há muito tempo a escola solicitava a presença de um policial militar para auxiliar em aspectos que, por vezes, fugiam ao controle da instituição, por ela não dispor de recursos e conhecimento adequado para coibir determinadas situações que surgiam no cotidiano, como a ação de agentes externos à escola que comprometiam a paz e o bom andamento do trabalho pedagógico".
Para a diretora, embora a sala de aula seja um lugar de aprendizagem, "por vezes ela se torna espaço de confusão e desordem, gerando desgaste emocional entre estudantes e entre os professores, o que causa prejuízos ao processo educativo".
Jaqueline explica que a instituição (hoje com em torno de 520 alunos), com os recursos pedagógicos de que dispõe e com a mediação docente, sempre buscou resolver os conflitos com a parceria da família e, quando necessário, dos órgãos competentes.
A diretora Jaqueline com os policiais militares que atuam na Patrulha Escolar. 'Confusão e desordem podem gerar desgaste emocional em alunos e professores e, consequentemente, prejuízos ao processo educativo', observa ela

Fortalecimento da parceria com as famílias
A diretora, que vê como principais causas de conflitos na escola o bullying, a distorção idade/série e a falta de acompanhamento das famílias, ressalta que diariamente a escola busca estabelecer uma cultura de paz, por meio do diálogo e da orientação.
Neste ano, está sendo buscada a efetivação de uma parceria mais sólida com as famílias. Para isso, foram reformuladas as normas de convivência da escola, as simplificando e utilizando uma linguagem mais efetiva, além de determinarem os procedimentos a serem aplicados em caso da ocorrência de infração pelos alunos.
"Construir uma cultura de paz envolve dotar as crianças e os adultos de uma compreensão dos princípios e do respeito pela liberdade, justiça, democracia, direitos e deveres no convívio da sociedade", avalia a diretora.
"O trabalho realizado em atividades dentro da sala de aula que expressam os sentimentos, professores que se mostram abertos a escutar e dialogar, tudo isso é fundamental para a disseminação do projeto de cultura de paz nas escolas, diminuindo os índices de violência", finaliza.

'Dá uma sensação de segurança', analisa o diretor do Ciep
Para o diretor da Escola Estadual de Ensino Fundamental Professora Glória Veronese (o Ciep), Osmar Sipmann, a Patrulha Escolar "dá uma sensação de segurança, não só para o pessoal que está trabalhando, professores, funcionários, como também para aqueles alunos que vêm para estudar e querem fazer as coisas".
"É um auxílio que vem para as escolas, normalmente a gente não recebe apoio de lado nenhum. Vem nos auxiliar principalmente no caso daqueles alunos que mais têm problemas com indisciplina", comenta o diretor.
Ele diz que na escola, que reúne 210 estudantes, são poucos os casos entre alunos que terminam em violência física, com a maior parte das situações envolvendo agressões verbais. E, além disso, muitas vezes, essas agressões verbais por parte de estudantes também atingem os professores.
Na visão do diretor, quanto à construção de uma cultura de paz, "só vamos conseguir isso mudando como as pessoas que estão na nossa sociedade pensam as coisas". Para ele, um dos pontos pelos quais deve passar essa mudança de pensamento é como os pais enxergam a relação com as escolas.
"Ultimamente, o que temos visto é que os pais largam os alunos na escola e pensam que ela tem que dar conta de tudo. Normalmente, esses são os alunos que apresentam os maiores problemas, enquanto geralmente os filhos cuja família os acompanha de perto dentro da escola não apresentam problemas", avalia Osmar.
"Então, normalmente, quando os pais veem que não estão conseguindo dar conta em casa, dentro da escola é pior. Se os filhos não têm respeito com o pai e com a mãe, como é que vão ter respeito com o professor?", questiona ele.
'Ultimamente, o que temos visto é que os pais largam os alunos na escola e pensam que ela tem que dar conta de tudo', diz Osmar Sipmann. Escola tem 210 alunos, e a maior parte das situações de desentendimento envolve agressões verbais

Na escola Germano Dockhorn, busca de 
solução sempre pelo diálogo
Na Escola Municipal de Ensino Fundamental Germano Dockhorn, os maiores problemas de relacionamento entre alunos são pequenas discussões e a falta de limites, segundo a diretora Marjane dos Santos. "Isso é algo que a família precisa urgentemente restabelecer", enfatiza a diretora.
De acordo com Marjane, a mesma falta de limites é verificada em alguns alunos na relação com professores, o que resulta, diz a diretora, em problemas de disciplina. "Muitas vezes, o aluno quer mandar tanto no professor quanto nas aulas, faltando também com o respeito perante a figura do professor."
Por outro lado, agressões físicas na escola dificilmente ocorrem. Atualmente, a instituição tem 650 alunos. Quando ocorrem desentendimentos, a busca da resolução por meio do diálogo é prioridade.
"Tentamos resolver na própria escola. O diálogo vem sempre em primeiro lugar, saber ouvir os alunos, aconselhá-los. Acreditamos que o diálogo é a forma mais educativa de mediarmos situações conflituosas. Solicitamos, também, a presença dos responsáveis, pois é imprescindível que esses estejam sempre sabedores do que se passa na escola e sejam nossos parceiros na educação", explica a diretora.
Na visão de Marjane, a Patrulha Escolar "é uma iniciativa muito importante, pois traz uma sensação de maior segurança para os alunos e toda a comunidade escolar. Podemos contar com a parceria da Brigada Militar, que inicialmente veio ouvir a necessidade da escola e agora é mais uma parceira com que podemos contar".
Para a diretora, uma cultura de paz na escola pública pode se concretizar, mas, para se tornar realidade, "requer apoio de todos os que permeiam a escola e principalmente da família. Que ela venha à escola, tanto para dialogar quanto para saber como seu filho está em seu aprendizado, no relacionamento com os colegas e professores".

Para a diretora Marjane dos Santos, principais problemas na instituição são pequenas discussões e falta de limites, diz a diretora Marjane dos Santos, para quem é fundamental que a família acompanhe de perto a trajetória escolar dos estudantes

Para a diretora da escola Alberto Pasqualini, 
'é um sonho concretizado'
Para a diretora da Escola Estadual de Ensino Fundamental Senador Alberto Pasqualini, Simone Pilz Herpich, a instituição da Patrulha Escolar "é um sonho concretizado, após muitos anos solicitando esta parceria entre a escola e a Brigada Militar".
"A Patrulha Escolar garante maior segurança e proteção tanto para a escola quanto para a comunidade de Consolata", enxerga a diretora. Ela diz acreditar que "esta parceria venha a contribuir positivamente no processo ensino-aprendizagem".
"Com certeza é possível construir uma cultura de paz quando escola, família e demais instituições trabalham juntas", reitera. A escola reúne 90 estudantes do 1º ao 9º ano e, ainda, 18 alunos da pré-escola da rede municipal, sendo a estrutura uma extensão da escola de educação infantil São Pedro.
Na instituição que dirige, Simone vê como principais fatores para desavenças entre alunos a falta de respeito entre eles e não aceitar as diferenças. Entre alunos e professores ou alunos e funcionários, muitas vezes também há falta de respeito. "Os alunos não aceitam limites necessários para uma boa prática pedagógica e o professor, muitas vezes, se sente acuado e sofre ameaças", afirma a diretora.
Simone Herpich comenta que, com união de esforços, 'com certeza é possível construir uma cultura de paz'. Escola reúne 90 estudantes da rede estadual e 18 da pré-escola da rede municipal

Cardeal Pacelli já contava com a 
presença de policial militar, e diretora faz balanço positivo do período
Maior educandário do ensino público de Três de Maio, o Instituto Estadual de Educação Cardeal Pacelli, que reúne 840 alunos, mais 40 da educação infantil municipal, contava desde 2013 com a atuação de um dos policiais militares que passaram a integrar a Patrulha Escolar.
Era um trabalho de 40 horas semanais. "O trabalho dele, junto com os programas, como a Cipave (Comissão Interna de Prevenção a Acidentes e Violência Escolar), o Serviço de Orientação Educacional e a atuação dos professores e funcionários, por meio do diagnóstico dos problemas, contribuiu para termos um ambiente escolar mais saudável", relata a diretora da escola, Mara Rejane Scheffler Benedix.
"Destacamos a importância da sua presença na nossa realidade em função da coibição do uso e da distribuição de drogas, problema que vem aumentando em escolas. Precisamos, não apenas a escola, da coibição do uso e da distribuição de drogas", ressalta Mara.
Para ela, a nova iniciativa da BM representa proteção à comunidade escolar. "Esse policiamento tem a capacidade de prevenção de conflitos e de delitos e a capacidade de inibição de situações que nem chegam a se tornar realidade com a presença da polícia, tanto no ambiente escolar como no seu entorno, promovendo mudanças de atitudes nos educandos", reflete a diretora.
Na escola, na visão de Mara, os principais fatores que têm contribuído para desentendimentos são o desequilíbrio social e familiar e, ainda, a intolerância em relação ao outro e ao pensamento diferente.
"As diferenças são sociais e culturais e acreditamos ser possível criar uma cultura de paz, desde que haja um trabalho de iniciativa cooperativa e colaborativa", reitera a diretora.
Um dos agentes que atuam na nova Patrulha Escolar trabalhava na escola desde 2013, que totaliza 840 alunos da rede estadual, mais 40 da educação infantil municipal e tem  como diretora Mara Rejane Scheffler Benedix




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