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Empresa que 'sumiu', também havia sido contratada para a formatura de 30 alunos do curso de Enfermagem da Setrem em 2020

01/03/2019 - Por Jornal Semanal
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Produtora de eventos, instalada em Frederico Westphalen, fechou as portas da "noite para o dia". Mais de 300 universitários em 15 cidades do RS e de Santa Catarina afirmam ter sido lesados
"Era tudo um sonho, e se tornou um enorme pesadelo! A Spolti tirou nosso chão", disse a acadêmica de Enfermagem da Setrem, A.M., 21 anos, em entrevista ao Semanal. 
A jovem, que reside em Santa Rosa e estuda na Faculdade de Três de Maio, faz parte da turma de 30 formandos do curso, que está com a formatura marcada para 29 de fevereiro de 2020, com a produtora de eventos Spolti, de Frederico Westphalen, que fechou as portas, repentinamente, na semana passada, e "sumiu".
A empresa é investigada pela Polícia Civil de Frederico Westphalen por suspeita de estelionato. Mais de 300 universitários em 15 cidades gaúchas e catarinenses afirmam ter sido lesados, após contratarem a produtora para organizar formaturas, mas não terem o serviço concluído.
Na última terça-feira, 26, Lucas Spolti, o dono da empresa, prestou depoimento na polícia. Segundo seu advogado, Evandro Zuch, a produtora passa por dificuldades financeiras. "Ele não conseguiu adimplir esses contratos na totalidade e agora está tentando captar alguns valores para cumprir com os outros quatro contratos que faltam", diz.
A Polícia, porém, afirma que a empresa tem mais do que quatro contratos a serem colocados em dia. "Diante dessa informação do não cumprimento das obrigações por parte da empresa, eles (estudantes) se mostraram bastante preocupados com a possibilidade de que a formatura da forma como planejaram não fosse realizada", afirma o delegado Eduardo Ferronato Nardi.
Ainda de acordo com o delegado, os clientes não conseguem contatar, nem por telefone nem pessoalmente. Há pelo menos uma semana ninguém é encontrado na sede.

Alunos contrataram serviço por R$ 90 mil; alguns ainda não haviam concluído pagamento 
A aluna de Enfermagem relata que cada aluno optou por uma forma de pagamento. "Uns pagaram à vista, com desconto, e outros fizeram parcelado em boletos. O total era R$ 3 mil por aluno, totalizando R$ 90 mil. Desses pagantes em boletos, alguns já haviam concluído e outros, como eu, terminaria em junho desde ano."
O serviço contratado incluiria a sessão de fotos para os convites da formatura; os convites; cobertura fotográfica e fimagem no dia da cerimônia; decoração completa do salão (Clube Buricá, inclusive com data já reservada), incluindo tablado, passarela com luzes de led, arranjos florais, mesas e cadeiras decoradas; cenário de fotos no local; equipe de organização (seguranças, recepcionistas, garçons); serviço de bar; animação de banda, para quatro horas de de baile; tudo para receber 800 pessoas. 

Prejuízos chegam a R$ 180 mil para formandos da URI e Iesa 
Entre os clientes que contrataram a empresa está a turma  de Arquitetura de Carazinho, que se formou no último fim de semana, mas não da forma como haviam planejado - na última hora, tiveram que contratar outra produtora. 
Outras turmas também foram prejudicadas como uma de Medicina Veterinária da Uceff - Centro Universitário FAI (campus Itapiranga-SC); alunos de Psicologia da URI e de Biomedicina da Iesa, que juntos, foram lesados em quase R$ 180 mil, valores que já teriam sido quitados. 
Constam ainda na lista, formandos de universidades de Panambi, Palmeira das Missões, Cerro Largo e Cruz Alta

Funcionária da Spolti alertou formandos sobre fechamento da empresa
A jovem acadêmica recorda que boatos sobre a credibilidade da empresa começaram a surgir em outubro passado. "Pesquisamos na internet e vimos que havia algumas insatisfações públicas, no 'Reclame Aqui' sobre a empresa, no Instagram, no Twitter... A gente ligava lá e eles nos garantiam que estava tudo sob controle. Até uma vez vieram até nós (pessoalmente), após eu ligar 'berrando'. Fizemos uma reunião para esclarecimento dos fatos e eles (da empresa) nos afirmaram que estava tudo bem, que era um fato isolado; até agora tudo vir à tona desta forma."
Ela complementa: "outro fato que já tinha nos deixado muito chateados, foi em outubro, quando eles tinham combinado que nos ajudariam com nossa festa de 500 dias (para a formatura), e inventaram mil desculpas, e não nos apoiaram." 
Na tarde do último dia 22 de fevereiro, uma das funcionárias da empresa entrou em contato com a comissão de formandos, via WhatsApp. "Ela avisou que foi trabalhar e não tinha ninguém na empresa. Isso nos deixou em pânico. Começamos procurar algumas informações, na Internet, e descobrimos atrocidades relacionadas à empresa naquele mesmo dia. Tanto é que temos um grupo no WhatsApp formado com outros alunos, de outros municípios, com mais de 300 pessoas; é muita gente prejudicada", lamenta. 
A acadêmica ressalta, ainda, que infelizmente, no momento, não há como encaminhar um processo via judicial, porque a formatura de Enfermagem é somente no próximo ano. "E o que é pior, estamos até com receio de contratar uma nova empresa, porque a produtora pode voltar a funcionar e dizer que não cancelaram o nosso contrato; e dizer que a quebra de contrato foi da nossa parte, não deles..... No momento, fomos orientados a fazer Boletim de Ocorrência na Delegacia."
Em contato com a direção da Setrem, o vice-diretor de Ensino Superior, Mauro Alberto Nüske, declarou que embora quem contrata a empresa são os formandos, e não a Instituição, "de qualquer forma, está acompanhando a situação e se colocando à disposição para auxiliá-los, na medida do possível." 



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