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Trombofilia gestacional e suas implicações

09/11/2018 - Por Jornal Semanal
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Doença pode trazer diversas complicações tanto para a mãe quanto para o bebê durante a gestação. Pesquisa foi realizada por técnica em enfermagem e conquistou menção honrosa no Salão de Pesquisa Setrem
A egressa do Curso Técnico em Enfermagem da Setrem, Marieli Cadury, 33 anos, conquistou menção honrosa e o primeiro lugar na área Enfermagem, do XVI Salão de Pesquisa Setrem (SAPS), com o trabalho "Trombofilia: um risco a ser observado durante a gestação pelo técnico em enfermagem."
O trabalho dela foi motivado durante o estágio supervisionado, quando ela se deparou com uma gestante diagnosticada com trombofilia gestacional. "As dúvidas e as angústias dessa gestante e seus familiares e o valor significativo do seu tratamento me impulsionaram a aprofundar um pouco mais o tema, e ao ir em busca de mais conhecimentos sobre a trombofilia gestacional."
Segundo Marieli, a pesquisa teve o incentivo da orientadora do trabalho de conclusão de curso professora enfermeira Bianca Lundim e da co-orientadora, professora Gilvani Schmidt Hoffmann Norenberg, bem como da coordenadora do curso, professora enfermeira Adriane Kleinpaul. 
Para a técnica em enfermagem, a participação do SAPS é de grande valia a todos os estudantes, pois oportuniza um momento de troca de conhecimentos, novos saberes entre alunos e professores, e o incentivo dos profissionais da instituição Setrem, que qualificam ainda mais seus formandos. "Foi a primeira vez que participei do evento e me sinto lisonjeada pela oportunidade e pelo enriquecimento de conhecimentos que isso me proporcionou", comemora.

Sobre a trombofilia gestacional
Durante a gravidez, o corpo da mulher sofre mudanças nos níveis de fatores coagulantes e diminuição de inibidores naturais da coagulação sanguínea, esse caso ocorre para que o organismo se proteja naturalmente de possíveis desenvolvimentos de hemorragias.
Em algumas circunstâncias o descontrole dessa coagulação pode vir a causar uma doença chamada trombofilia gestacional, que pode resultar em hereditária  - passada de pais para filhos-, ou adquirida - desenvolvida em período gestacional pelo descontrole da hipercoagubilidade.
As células trombofobastos são semelhantes às vasculares, deixando a circulação sanguínea mais densa, desenvolvendo fatores de risco fisiológicos na gravidez e despertando outros fatores em mulheres com pré-disposição para eventos tromboembólicos devido à trombofilia hereditária.
Entre as complicações graves durante o período gestacional estão: abortamento de repetição, pré-eclâmpsia, restrição do crescimento intrauterino (RCIV), trombose venosa (TV), e arterial.

Das cerca de 600 crianças nascidas por ano em Três de Maio, 1% das gestantes desenvolve a trombofilia gestacional
No seu trabalho de pesquisa, a técnica em enfermagem falou com o médico ginecologista-obstétrico Gilvane Dahmer, o qual informou que, no município, anualmente são cerca 600 crianças nascidas e, dentre essas gestantes, 1%  desenvolve a trombofilia gestacional. "O simples fato da mulher estar gestante já é um risco pela transformações hormonais sofridas nesse período, um índice relativamente acentuado para o tamanho de nosso município."
Conforme Marieli, "ao questionar ao dr. Gilvane com relação à investigação dessa patologia nessas gestantes, ele ressaltou que o exame para esse diagnóstico não está nos exames de rotina do pré-natal, e o valor deste é bem significativo, assim como o tratamento dessa patologia. Deve-se ressaltar também a importância do acompanhamento no pré-natal, mantendo as consultas, exames, e orientações médicas em dia."

Doença não tem como ser evitada, o indivíduo já nasce com essa disfunção genética
De acordo com as pesquisas bibliográficas de Marieli, e as dúvidas sanadas pelos médicos gineco-obstetras Danilo Motta e Gilvane Dahmer, essa doença não tem como ser evitada; o indivíduo já nasce com essa disfunção genética, ou pode vir a adquirir durante quaisquer períodos de sua vida.
Porém, conforme os profissionais,  o que pode ser feito durante o período gestacional para proteger a gestante e seu filho em desenvolvimento, é um tratamento com anticoagulantes, injetáveis subcutâneos, o que retardará o desenvolvimento e as complicações no período gestacional. Esse tratamento ainda não esta disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), quando a casos confirmados, é encaminhado o pedido via judicial pela Secretaria Municipal de Saúde.

Cuidados durante a gestação 
Quanto aos cuidados que a gestante deve ter durante o período gestacional, Marieli conversou com a enfermeira Tatiane Watcher, responsável por uma unidade básica de saúde, do município. "Os cuidados são os mesmos de uma gestação sem trombofilia, alimentação saudável, ingestão de água, exercícios físicos respeitando os limites do corpo, e o mais importante e manter as consultas e exames rotineiros em dia."
Para as gestantes, as orientações são uma consulta mensal e, mais próximo do final da gestação, consultas mais frequentes, mas, caso houver qualquer alteração, como sangramento, dores fortes, até mesmo a falta de movimentação fetal intra-uterino, é necessário buscar a sua unidade de saúde ou hospital, para a prevenção de possíveis complicações.

Marieli Cadury e a professora Gilvani Schmidt Hoffmann Norenberg

FOTO: DIVULGAÇÃO


Confira a matéria completa no jornal impresso




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