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Obesidade - Parte 2

09/11/2018 - Por Yara Lampert
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Nesta edição seguimos com a segunda parte sobre obesidade, tema importante e relevante em todas as classes e idades. Com a palavra a médica endocrinologista Mônica de Castilhos.
Como saber se a origem é genética, hormonal ou por excesso de ingestão de alimentos?
Para muitas pessoas, a obesidade e o sobrepeso são causados por um desequilíbrio no metabolismo.  O peso corporal é determinado pelo balanço entre a quantidade de energia ou calorias que são ingeridas (vindas de alimentos ou bebidas) e a quantidade de energia ou calorias que são gastas (atividades físicas, por exemplo). Em suma, quando se ingere mais calorias do que se gasta, há ganho de peso. Quando se ingere menos calorias do que se gasta, há perda de peso. Vários fatores contribuem para a obesidade, além do desequilíbrio do balanço energético. Dentre eles, podemos citar os seguintes: sedentarismo (ou falta de atividades físicas); fatores ambientais (falta de espaço para lazer, falta de tempo para praticar atividades físicas para pessoas que trabalham muito, grande quantidade de "fast foods" e lanchonetes de lanches rápidos, dificuldade de encontrar alimentos saudáveis em determinados locais); fatores genéticos e história familiar: as chances de um filho se tornar obeso são grandes quando os pais também são obesos; problemas de saúde: algumas vezes, problemas hormonais podem causar sobrepeso e obesidade, como o hipotireoidismo (redução ou falta do hormônio tireoidiano), síndrome de Cushing (excesso de produção do hormônio cortisol) e síndrome dos ovários policísticos; medicamentos: alguns medicamentos podem levar a ganho de peso, como os corticosteróides, alguns tipos de antidepressivos e algumas medicações utilizadas para tratamento da epilepsia; fatores emocionais: algumas pessoas comem mais quando estão chateadas, estressadas ou nervosas; idade: ao envelhecer, a massa muscular corporal tende diminuir, reduzindo também o gasto energético, favorecendo o ganho de peso; gravidez: durante a gestação há uma maior tendência em ganho de peso em determinadas mulheres. O médico é o profissional que pode avaliar a causa mais provável para o excesso de peso.

Quais os problemas físicos mais comuns ocasionados pela obesidade? E quais doenças que a obesidade pode causar em um indivíduo?
A obesidade é um importante fator de risco para desenvolvimento de: diabetes; hipertensão;  dislipidemia (alteração de colesterol/triglicerídeos); doença cardiovascular (infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca, fibrilação atrial); apnéia  do sono; doença hepática gordurosa não alcoólica (esteatose hepática). 
Obesidade também pode estar relacionada a desenvolvimento de: distúrbios  psiquiátricos (como depressão,  transtorno de ansiedade);  doença do refluxo gastroesofágico;   asma brônquica; insuficiência renal crônica; infertilidade masculina e feminina;  disfunção erétil, síndrome dos ovários policístico; veias varicosas/problemas circulatórios e doença hemorroidária;  hipertensão intracraniana idiopática (pseudotumor cerebri), disfunção cognitiva e demência.
Ainda, pode estar relacionada com desenvolvimento ou aumentar mortalidade em diversos tipos de câncer; além de doenças articulares como osteoartrose.

Por que as pessoas estão engordando tanto? 
Os resultados das pesquisas indicam que as mudanças ocorridas nos padrões alimentares nas últimas décadas, como o aumento do consumo de açúcares simples, alimentos industrializados e ingestão insuficiente de frutas e hortaliças, estão diretamente associadas ao ganho de peso. Além disso, a redução progressiva da prática de atividade física combinada ao maior tempo dedicado às atividades de baixa intensidade, como assistir televisão, usar computador, celular e jogar videogame, também tem contribuído para o aumento de peso na população.

De onde vem esse desespero pela comida e a dificuldade para perder peso?
Comer demais de vez em quando é um problema que a maioria das pessoas enfrenta, principalmente nos finais de semana ou eventos especiais. Mas há aqueles que se descontrolam sempre na frente da comida, mesmo sem fome e após passam mal ou se sentem culpados. Isto pode ser uma característica da compulsão alimentar, um problema que atinge até 4% da população geral e 6% dos obesos. 
Muitas pessoas também descontam sua ansiedade/frustrações na comida. A serotonina é um dos hormônios responsáveis pela sensação de bem-estar, logo depois de comer, há uma liberação deste hormônio no nosso organismo, o que pode explicar este comportamento repetitivo.
A atividade física para esses pacientes poderia ajudar bastante pois os exercícios diminuem os níveis de depressão e ansiedade, e aumentam a liberação de endorfina, hormônio que dá sensação de prazer e substitui a serotonina liberada pela comida, cujo efeito é semelhante.
Quem pratica exercícios também queima mais calorias. Porém, muitos pacientes tem grande dificuldade de aderir a esta orientação. 

Como combater o excesso de peso e obesidade?
O excesso de peso/obesidade é resultado de uma complexa combinação de fatores biológicos, comportamentais, socioculturais, ambientais e econômicos. A proposta de enfrentamento ao problema, portanto, requer ação de diversos setores da sociedade e não pode ficar restrita à saúde. A estratégia deve contemplar uma abordagem ampla e focada nas necessidades do indivíduo. As recomendações para mudança nos hábitos de vida devem ser graduais e prazerosas, com um olhar voltado para o contexto socioeconômico e cultural, adaptando recomendações e estratégias de implementação customizadas. Somente assim conseguiremos melhorar a qualidade de vida e os índices de saúde da população. Porém, a base de tudo isto envolve melhora alimentar e prática regular de atividade física, sempre que possível.

Médica Endocrinologista Mônica de Castilhos 
CRM-RS 29575/RQE 24764

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