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Mulheres contam suas histórias de superação e luta contra o câncer de mama

26/10/2018 - Por Jornal Semanal
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Vani Pereira, 54 anos, Carmem Teresinha Rambo, 45, e uma senhora de 81 anos, têm trajetórias de vida diferentes, mas em comum, a batalha contra a doença, sem perder a coragem e a fé

O choque com o diagnóstico, o medo de morrer, de enfrentar os efeitos do tratamento, "perder o cabelo e ficar feia" e como lidar com a doença no dia a dia são apenas alguns dos inúmeros pensamentos e sentimentos que invadem a cabeça e o coração das mulheres que recebem o diagnóstico de câncer de mama.
Vani Pereira, 54 anos, Carmem Teresinha Rambo, 45 e uma senhora de 81 anos, todas moradoras de Três de Maio, são mulheres com histórias de vida diferentes, mas que têm em comum, em algum momento das suas trajetórias pessoais, a batalha contra o câncer de mama.
Vani venceu o câncer há sete anos e Carmem encerrou o tratamento em novembro do ano passado. Já a idosa terminou as sessões de quimioterapia. Nessa reportagem, elas contam suas histórias para encorajar a luta contra a doença e desmistificar que nos dias atuais, ter câncer de mama não é mais  uma sentença de morte.

"Hoje, uso meu tempo para estar com aqueles que amo, coisa que antes da doença quase nunca fazia, 
pois sempre estava atarefada. 
Eu não me dava ao tempo de aproveitar esses pequenos momentos.
Agora, cada detalhe se tornou muito importante', afirma Carmem

'Quando eu soube do diagnóstico foi um choque, perdi meu chão. Foi muito difícil, porque já havia perdido duas tias para o câncer', conta Carmem Rambo, 45 anos 
Em uma tarde no final de janeiro de 2017, descansando no sofá da sala depois de um dia de trabalho, a empregada doméstica Carmem Teresinha Rambo passou o braço sobre o seio e percebeu algo estranho. Mas não deu muita importância. No dia seguinte, comentou com a patroa que, imediatamente, marcou uma consulta com a médica ginecologista, e no mesmo dia, já fez uma ecografia. "Na ecografia não foi possível ter um resultado conclusivo, então, fui encaminhada para uma médica mastologista que solicitou uma biópsia. Para ter um resultado mais rápido, fui para Porto Alegre efetuar o exame. Depois de três dias, o resultado confirmou a existência de um nódulo maligno", recorda.
Carmem não apresentou sintomas da doença e ao receber o diagnóstico ficou em estado de choque. "Perdi o chão. Demorei um tempo para conseguir entender tudo o que estava acontecendo. Foi muito difícil, porque já havia perdido duas tias devido ao câncer (de útero)." Ainda, na mesma época em que descobriu o câncer de mama, seu pai teve câncer de próstata (hoje recuperado, tomando apenas medicação). 

Retirada das mamas e a reconstrução
Hoje, aos 45 anos, a empregada doméstica conta que a descoberta da doença foi algo totalmente inesperado, já que não apresentava sintomas e realizava  exames periodicamente.
Mas, diante do diagnóstico, e conforme definido pelo médico oncologista Pedro Lourega, ela começou o tratamento. "Realizei a quimioterapia antes da cirurgia, para diminuir o nódulo porque ele estava crescendo muito rápido." 
Depois de oito sessões de quimioterapia, ela foi submetida a cirurgia da retirada dos dois seios - em virtude do câncer ser genético e ter 80% de chances de  o outro seio também desenvolver a doença -, e na mesma cirurgia já foi feito a reconstituição. 
Carmem encerrou o tratamento em novembro do ano passado. Agora ela realiza somente exames a cada três meses para controle, pois o câncer está contido. 

Espiritualidade e apoio da família
Casada, mãe de uma filha de 17 anos, Carmem acompanha as voluntárias do Imama de Três de Maio em palestras, onde dá seu depoimento, compartilhando sua experiência de superação, que serve de incentivo para as mulheres que hoje enfrentam a doença.
Ela revela que a luta contra o câncer se torna possível pela fé em Deus, que fortalece a esperança de ser curada. "Muitos oraram para que me fortalecesse neste momento e tenho certeza de que foi Deus que colocou pessoas maravilhosas em meu caminho", relata a três-maiense. 
Além da espiritualidade, o apoio da família e dos amigos também foi fundamental. "Posso chamar de família muitas pessoas que estiveram ao meu lado nesse momento. Fiz grandes amizades." 

Oportunidade para recomeçar a cada dia 
Carmem garante que atualmente encara a vida de outra forma, dando valor a cada pequeno detalhe. "Agradeço todos os dias por acordar novamente e ter mais uma oportunidade de viver. Vivo meu dia como se fosse único, dando valor para aqueles que estão comigo, falando um 'eu te amo', demonstrando o meu amor por eles." 
Carmem também revela, que usa seu tempo para estar com as pessoas que ama, coisa que antes da doença quase nunca fazia pois sempre se achava muito atarefada. "Até degustar os alimentos tem outro sabor, pois faço tudo com mais calma e serenidade. Antes eu não me permitia tempo para aproveitar esses pequenos momentos. Cada detalhe se tornou muito importante."

'A palavra câncer ainda assusta'
Com os novos tratamentos disponíveis, as chances de cura para a doença são muitos maiores nos dias atuais. Carmem ressalta, porém, que a palavra câncer ainda assusta muito, porque ainda se tem a ideia antiga de que não tem cura. "No caso do câncer de mama, as mulheres têm que ter coragem, cuidar do seu corpo, realizar os exames preventivos (autoexame, ecografia e mamografia) porque está aprovado que descoberto no início a cura é 95% certa."
Ela deixa um conselho de vida: "famílias, vivam unidas com fé, não se deixem contaminar por pessoas que infelizmente propagam o mal. Deus está no comando e Ele cuida quem Nele confia."

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'Durante o período de quimioterapia, usava peruca, maquiagem e andava sempre sorrindo. Eu nunca quis que as pessoas sentissem pena de mim', relata Vani Pereira, 54 anos
Sozinha, longe da família e diagnosticada com câncer de mama. Em 2011, aos 47 anos, Vani Pereira enfrentou a maior batalha da vida ao ter a confirmação da doença e buscar forças para encarar a realidade.
A descoberta da doença veio após uma consulta ao ginecologista para ver o que estava causando um sangramento vaginal. O médico solicitou uma série de exames e entre eles, a mamografia. Desde os 40 anos Vani fazia o exame, mas em 2010, acabou não fazendo. Depois dos exames, ela passou por uma biópsia, onde foi constatado carcinoma altamente invasivo dos órgãos linfáticos. 
 "Liguei para minha mãe (meu porto-seguro) e choramos juntas. Tive muito medo. Senti solidão e não sabia como seria o tratamento. Pensei na perda da beleza, na mutilação e me senti insegura por não ter minha família por perto", recorda.
Na época, Vani morava em Ijuí, a filha Queila e o genro Luciano em Itapema, Santa Catarina e os demais familiares (incluindo a mãe Anita e irmã Marlei) em Três de Maio.
Hoje, com 54 anos, a aposentada mora em Três de Maio, e diz que sua fé foi fundamental. "Considero minha cura um milagre. Acredito que Deus nunca me abandonou", diz, agradecida.

'Passamos a olhar as cicatrizes com orgulho, amor e gratidão, por Deus 
nos ter tornado vitoriosas', declara Vani, 54 anos, que teve câncer aos 47 anos

Reconstrução da mama e autoestima
Submetida a mastectomia bilateral, com reconstrução devido a várias intercorrências, Vani passou ao todo por cinco cirurgias, até que a reconstrução ficasse completa. Recentemente - em 9 de outubro -, ela fez cirurgia para reparação estética, na qual se encontra em recuperação. 
Ao todo, entre cirurgias e  quimioterapia, foram doze meses de tratamento (de novembro de 2011 a novembro de 2012).
Muito vaidosa, ela revela que nesse período, nunca deixou de usar peruca, maquiagem e procurava sempre estar com um sorriso no rosto. "Apesar dos efeitos colaterais devastadores, fraqueza e dores, com ajuda de Deus eu superava. Acho muito importante a reconstrução da mama na hora. No meu caso, ajudou bastante na questão da autoestima. Como sempre fui vaidosa, neste período não me descuidei. E também nunca quis que as pessoas sentissem pena de mim."

'O importante na vida é ser, e não ter'
Sem ter a família por perto, Vani encontrou em Deus seu refúgio e fortaleza. "Me aproximei da igreja e de Deus, tendo conforto nas leituras bíblicas. A caminhada da quimio e cirurgias foi solitária... mas tive apoio espiritual e financeiro da minha irmã Marlei Marin e da mãe Anita, que me visitavam a cada 15 dias. E, depois, tive apoio de um casal de amigos, Ana e Márcio Corbellini, que junto com o filho Arthur, foram importantes nesse período."
Divorciada há 10 anos, ela diz que teve muitos aprendizados com a doença. "Aprendi que não somos nada nessa vida; aprendi ser humilde, verdadeira; amar incondicionalmente e que na vida é preciso ser e não ter", destaca.

Cuidados com alimentação e exames periódicos
Vani faz exames periódicos a cada seis meses e não descuida da alimentação. "Não como carne vermelha, não tomo refrigerante, nunca fumei e não consumo bebida alcoólica. Consumo muitas verduras, frutas e legumes, e no mínimo, dois litros de água por dia. Não ingiro embutidos e enlatados; minha alimentação é a mais natural possível."

'Não saia a mesma pessoa após a doença'
Ela garante que após a doença ama com mais intensidade e nunca deixa de pedir perdão. "Hoje dou mais valor para as coisas simples da vida. E aconselho: não saiam a mesma pessoa depois desta doença. Ela nos ensina, nos mostra coisas que antes não tinham significado. Vivo um dia de cada vez e com Deus em todos eles." 

'Vivo a melhor fase da vida, hoje'
"Sou uma mulher alegre, feliz e hoje vivo a melhor fase da minha vida", exalta Vani, que é avó de Miguel, 3 anos. "Depois da cura, tudo passa a ser diferente, ou até melhor que antes. O cabelo cresce mais bonito, a pele fica mais macia e as cicatrizes, ah!, elas existem e servem para nos lembrar do que éramos antes e de onde Deus no tirou. Passamos a olhá-las com orgulho, amor e gratidão, por Deus nos ter tornado vitoriosas."

FOTOS: ARQUIVO PESSOAL


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