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Presidente do Grêmio fala sobre processo de reestruturação e conquistas recentes: 'O que vem ocorrendo no clube não tem nada de improviso'

17/08/2018 - Por Jornal Semanal
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Ao lado de outros representantes do clube, Romildo Bolzan Jr. esteve em Três de Maio, onde se reuniu com cônsules e cônsules adjuntos da região

À frente do clube desde dezembro de 2014, quando tomou posse para o mandato 2015/2016, o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan Jr., reconhece que quando assumiu a presidência não tinha uma "autoridade política", como diz, muito grande dentro da instituição.
Como se não fosse suficiente, ao mesmo tempo em que ele não se via tendo toda essa autoridade, Romildo considerava que ele e sua equipe precisavam adotar medidas austeras.
Sem muito fôlego financeiro para grandes contratações, e colocando o pagamento de dívidas entre as prioridades, a estratégia, que visava à reestruturação financeira do clube em longo prazo e, a partir disso, à possibilidade da conquista de títulos de expressão também no longo prazo, poderia ter reflexos imediatos dentro de campo.
E isso para uma torcida que, amargurando naquele 2014 um período de 13 anos sem títulos de expressão, não via, em grande parte, obrigação de compreender a adoção dessas medidas e de eventualmente se propor a aguardar ainda mais na fila.
Porém, tendo ou não tendo autoridade política, Romildo - que, vice-presidente da última gestão do multicampeão Fábio Koff (2013/2014), foi eleito sendo o candidato da situação - e sua equipe não viram alternativa senão adotar as medidas de austeridade e enfrentar as possíveis consequências, que, em caso de insucesso, poderiam ser muitas, desde o acirramento dos ânimos no ambiente político do clube, o que poderia trazer uma série de reflexos, inclusive dentro do vestiário, até a incompreensão e a revolta da torcida.

Reeleição, título, novos anos e novos títulos
Mescladas a outras medidas, como a aposta nas categorias de base e no uso de estatísticas e de tecnologia para estudo dos adversários e melhora do desempenho dos atletas tricolores, as ações de austeridade se mostraram fundamentais não só para o reequilíbrio financeiro do clube, como também contribuíram para as conquistas recentes.
No primeiro ano de mandato, com o time sob o comando técnico do ex-jogador gremista e também multicampeão Roger Machado, que substituiu o ídolo Felipão - que, por sua vez, havia sido recontratado ainda na gestão Koff -, um 3º lugar no Campeonato Brasileiro e a conquista da vaga direta na fase de grupos da Libertadores da América.
Já no final de 2016, em dezembro, no segundo ano do mandato de estreia de Romildo, veio o título da Copa do Brasil, em cima do Atlético-MG, já com o ídolo Renato Portaluppi - que havia assumido o comando técnico em setembro, após Roger pedir demissão - na casamata. Curiosamente, a última grande competição conquistada antes do início do jejum de 15 anos foi a que pôs fim ao período de seca.
Reeleito pouco antes naquele ano, na primeira quinzena de novembro, com 85% dos votos, Romildo continuou na presidência do clube, para a gestão 2017/2019 - o Conselho Deliberativo havia aprovado a substituição do mandato de dois anos pelo de três e o fim da reeleição.
E, no primeiro ano do seu segundo mandato, e com Renato continuando na casamata, veio o tri da Libertadores. Já em 2018, os títulos da Recopa Sul-Americana, contra o Independiente, da Argentina, e do Gauchão, diante do Brasil de Pelotas, taça que o time não erguia desde 2010.
"Quero dizer para vocês o seguinte: o que vem ocorrendo no clube não tem nada de improviso, não é nada que ocorra de graça. As coisas que estão ocorrendo no clube hoje passam por um processo de reestruturação adotado", disse Romildo em Três de Maio, na tarde do último dia 3, sexta-feira, no Salão Paroquial Católico, mesmo local em que à noite foi realizada uma grande festa organizada pelo Consulado Gremista de Três de Maio.

'Colocar o Grêmio no seu tamanho'
Romildo conseguiu estar em Três de Maio por algumas horas para se reunir com cônsules e cônsules adjuntos de municípios da região. A vinda do presidente havia sido confirmada na quarta-feira anterior, após o esforço e diversos contatos mantidos pelo Consulado Gremista, sob a liderança do cônsul Matheus Marchewicz.
Por parte do clube, também participaram do encontro Gustavo Schmitz, assessor da presidência para as categorias de base, Flávio Becco, diretor adjunto do Departamento Consular, e o membro do Conselho Deliberativo Telmo Luiz Benedetti.
Também estiveram presentes os ex-jogadores Mazaropi, goleiro, e Carlos Miguel, meia, que à noite participaram da festa do Consulado Gremista junto com o ex-goleiro Galatto e o ex-volante Dinho.
"Quando chegamos, no final de 2014 para iniciar 2015, havia um processo em que tínhamos que tomar algumas atitudes, e a primeira atitude que tomamos foi colocar o Grêmio no seu tamanho", contou o mandatário gremista na reunião.
"Não adianta nada aquela história, que antigamente havia, do 'quanto mais eu perco, mais me endivido para sair do buraco'. Não. Essa receita é exemplo do 'quanto mais eu perco, e sem planejamento, cada vez mais eu vou perder, cada vez mais vou me endividar e cada vez mais irei para o buraco'. Isso não podia mais ocorrer", destacou.

'Foi um processo doloroso num primeiro momento'
Diante disso, a medida foi "colocar os dois pés no chão, estagnar esse processo e colocar o Grêmio dentro do mês", no sentido de fazer o mês do clube ter 30 dias. Junto disso, estava não gastar mais do que o clube arrecadava.
"Foi um processo doloroso num primeiro momento, porque, reconheço, a minha autoridade política no clube não era tão grande assim. Mas o diagnóstico feito era da necessidade de interromper esse processo de endividamento, um processo que tinha que ser organizado", contou.
"Quando começamos isso, a única certeza que não tínhamos era de que rapidamente seríamos campeões. Mas sabíamos que logo em seguida, reestruturados, poderíamos voltar a conquistar títulos", acrescentou Romildo.
Em 2015, o quadro social rendia ao clube uma arrecadação de R$ 3,5 milhões por mês. Já neste ano, são R$ 6,5 milhões mensais, um incremento de 85,7% - Romildo diz que atualmente são 90 mil sócios em dia.
No ano passado, no que o presidente define como uma das maiores arrecadações da história do clube, o Grêmio teve um faturamento de R$ 341,2 milhões, sendo R$ 112,5 milhões, ou 49,2%, a mais do que no ano anterior. Houve superávit, de R$ 2,76 milhões.

Ambiente político 'mais do que pacificado'
Para este ano, a projeção é de uma arrecadação na ordem de 
R$ 400 milhões. "Vamos manter quase todos os nossos jogadores, para mantermos a competitividade, e talvez façamos o maior superávit da história do Grêmio", declarou o mandatário.
Quanto ao ambiente político do clube, composto por diferentes movimentos e bastante conflituoso até há poucos anos, ele afirmou, já em entrevista ao Semanal, que "o que existe hoje é uma harmonização, quer dizer, todos nós estamos no mesmo propósito".
"Podemos pensar de modo diferente, cada um tem as suas posições, mas convivemos harmoniosamente e não se cria aquele ambiente de brigas, de indignação, indignação essa que às vezes até se transforma numa disputa irracional. Há um entendimento de que devemos educadamente nos relacionar e, principal e educadamente, buscar situações positivas para o Grêmio. Até vou dizer que o ambiente é mais do que pacificado", expôs.
Ainda durante seu pronunciamento, ele também disse que o objetivo nesta temporada é conquistar pelo menos um título de expressão - Libertadores ou Brasileiro, já que na última quarta, no Rio de Janeiro, o time foi eliminado da Copa do Brasil, pelo Flamengo.

FOTO: MURIAN CESCA



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