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Mamografias pelo sus - Sobram vagas para exames em mulheres na faixa dos 50 aos 69 anos

17/08/2018 - Por Jornal Semanal
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Conforme números da Secretaria Municipal de Saúde de Três de Maio, no ano passado, foram realizadas 789 mamografias, resultando numa média de 65,75 exames por mês; são oferecidos 129 mensais

Insubstituível, a mamografia ainda é a número um no rastreamento do câncer de mama. Por meio da compressão dos seios, o exame emite raios X para vasculhar o tecido mamário em busca de alterações mínimas. Segundo especialistas, a mamografia anual não pode faltar para as mulheres acima dos 40 anos.
Apesar da relevância do exame, ele vem sendo pouco empregado no Brasil. Um levantamento da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) em parceria com a Rede Brasileira de Pesquisa em Mastologia revela que, entre as 11,5 milhões de mamografias que deveriam ter sido realizadas em 2017, apenas 2,7 milhões de fato foram realizadas (ou 24,1%). Especialmente pelas mulheres entre 50 e 69 anos, faixa etária em que o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer (Inca) preconizam a utilização da mamografia. Esse é o menor índice dos últimos cinco anos e está bem abaixo dos 70% recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Por outro lado, existem as mulheres que fazem a sua parte, se preocupam com a saúde e avaliam como fundamental o exame para prevenir o câncer de mama, como é o caso da cabeleireira Simone Zampiere, 48 anos, de Três de Maio. Há cinco anos ela realiza mamografia, anualmente, e especificamente este ano, optou pela primeira vez fazer o exame pelo Sistema Único de Saúde (SUS). "Desde o agendamento até a data do exame vai demorar em torno de três meses; mas a espera é conforme a demanda", avalia. A mamografia está agendada para início de setembro.
Simone está na faixa etária -de mulheres com até 50 anos - em que a demanda é maior que a oferta de exames.

Maior demanda, menor número de vagas
A Secretaria Municipal de Saúde de Três de Maio disponibiliza mamografias pelo SUS, de acordo com as faixas etárias das pacientes. Os exames são realizados no Hospital São Vicente de Paulo.
Segundo a secretária municipal de Saúde, Gislaine Mella, a pasta segue os parâmetros de rastreamento do câncer de mama do SUS/ Ministério da Saúde e por isso, disponibiliza uma quantidade de exames por mês de acordo com faixas etárias.  
 Para exames unilaterais/pessoas com menos de 35 anos, são cinco exames/mês; com idade até 50 anos e acima de 69, são disponibilizadas 34 mamografias mensais e na faixa dos 50 e 69 anos, são 90 exames ofertados, totalizando 129 exames mensais.
 Na faixa dos 50 e 69 anos, sobram vagas para o exame. Das 90 oferecidas, todo o mês, são realizados 60, em média.  
Para a enfermeira do HSVP, Nicéia Zawaski, a sobra de exames pode ocorrer por vários fatores. "Não sei se isto está incubido nas mulheres, se têm medo de fazer o exame ou medo do resultado. No inverno diminui a procura. E, no período das férias - janeiro e fevereiro - aumenta o atendimento, porque as pessoas estão de férias e querem fazer um check-up. Mas a recomendação para as mulheres acima dos 40 anos é que não deixem de realizar o exame uma vez por ano", orienta a enfermeira.
Por outro lado, a faixa com maior demanda é a que disponibiliza o menor número de exames. São apenas 34 exames,  para as mulheres com idade até 50 anos e acima de 69.
Conforme os números da Secretaria Municipal de Saúde, no ano passado, foram realizadas 789 mamografias, resultando numa média de 65,75 exames por mês (são oferecidos 129 mensais); e este ano, até o fim de julho, foram realizadas 374 mamografias, uma média de 53,4 exames por mês.

 
Neste ano, Simone Zampiere, 48 anos, optou pela mamografia através do SUS.  Com apenas 34 exames disponibilizados por mês -na faixa de idade até 50 anos e acima de 69 -, o exame da cabeleireira  está agendado para início de setembro (FOTO: ARQUIVO PESSOAL)

Pedido deve vir do médico da unidade de saúde e o agendamento deve ser feito no HSVP
Para realizar o exame pelo SUS, a paciente deve primeiro marcar a consulta na unidade de saúde e solicitar o pedido da mamografia ao médico. A partir disto, com a solicitação em mãos, o agendamento ocorre no HSVP. O gerenciamento é realizado conforme a agenda do SisReg (Sistema de Centrais de Regulação do Ministério de Saúde). 
Questionada, se existe fila de espera para o exame, a enfermeira justifica que depende da faixa etária. "Na faixa de 50 a 69 anos, não atingimos os 90 exames por mês. A maior demanda é da faixa de até 50 anos e acima de 69. Das 34 vagas por mês, todas são ocupadas. Às vezes, temos fila de espera de dois, três meses. Mas para as outras faixas, o tempo de espera varia entre 3 e 5 dias,", afirma, lembrando que também há os agendamentos para os pacientes por convênio ou particular, que ocorrem conforme a demanda. Já em casos de urgência, procura-se agendar com maior brevidade.

Idade recomendada e importância do exame
A enfermeira orienta que a idade recomendada para realizar mamografia é a partir dos 40 anos, ou antes, caso haja histórico familiar. "Se tiver alguma alteração, algum nódulo, o médico vai investigar. Por isso é importante também fazer o autoexame das mamas." 
A principal orientação é buscar sempre atendimento profissional, fazer consultas periódicas e exames de rotina. 
Também é importante desmistificar a questão da dor. "O exame é feito em um equipamento moderno. O que sente não é dor, e sim um desconforto. Tem a questão da exposição, que deixa as mulheres fragilizadas perante ao exame, porque tem que tirar a roupa. Mas temos as técnicas em radiologia, que são mulheres, e tentam deixar as pacientes da maneira mais confortável possível. São dois a três minutos e já passou. Dentro de sete dias o resultado fica pronto", ressalta a enfrmeira. 
Nicéia reitera que a mamografia tem um diagnóstico mais preciso, pois qualquer alteração na mama será identificada.

Em 2017, deveriam ter sido realizadas 11,5 milhões de mamografias em todo os país, porém, 
apenas 2,7 milhões de fato foram realizadas
(FOTO: ALINE GEHM)
Suspeita de câncer e tratamento
Conforme a secretária de Saúde, a partir da suspeita de câncer, o médico da unidade básica de referência da paciente irá solicitar a biópsia. "A paciente é encaminhada para Santa Rosa, onde é realizado o exame (material é coletado e enviado para a análise propriamente dita em laboratório de Porto Alegre). Assim que o exame retornar, a paciente deve levar até o seu médico para avaliação." 
Se houver a confirmação de câncer, a paciente é referenciada para que seja atendida por oncologista. "Este trâmite se dá da seguinte forma: a paciente vai até o setor de Regulação da Secretaria Municipal de Saúde (levando os exames e a indicação do médico). Assim, ela será incluída no Sistema Regional de Regulação e, em um prazo de cinco dias, a consulta com oncologista será agendada. Vale observar que, nesta especialidade praticamente não há fila de espera." 
O centro de referência para tratamento e cirurgias oncológicas para a rede de Saúde de Três de Maio é Santa Rosa.
Sobre a incidência do câncer de mama em Três de Maio, a secretária Gislaine informa que em 2017, surgiram oito novos casos de câncer de mama; e em julho deste ano, já foram diagnosticados 3 novos casos, com atendimento pelo SUS. 


Confira a matéria completa no jornal impresso





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