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Censo Agropecuário indica redução de 34% na produção leiteira em Três de Maio

27/07/2018 - Por Jornal Semanal
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Dados preliminares do Censo Agropecuário indicam produção diária de 78,5 mil litros

Número significaria uma redução de 34% em relação à produção conhecida nos últimos anos, de 120 mil litros

Os dados preliminares do Censo Agropecuário, realizado pelo IBGE, indicam uma produção leiteira anual de 28.287.532 litros em Três de Maio. Mensalmente, na média, seriam 2.357.294 litros e, diariamente, 78.576.
O número da produção diária representa uma redução de 34,52% em relação à produção conhecida nos últimos anos para o município, de aproximadamente 120 mil litros - embora, naturalmente, não se trate de um número fixo, uma vez que a produção leiteira registra variações ao longo do ano.
Coletados, em todo o Brasil, entre 2 de outubro de 2017 e 28 de fevereiro, os dados do Censo Agropecuário têm como período de referência 1º de outubro de 2016 e 30 de setembro do ano passado, e, como data de referência, o mesmo dia 30 de setembro.
Quanto ao período de referência, os dados relativos à produção vegetal, ao movimento de animais e às características do estabelecimento a serem coletados devem se referir a esse período. Já no caso de quantidade de animais, áreas que compõem o estabelecimento, máquinas, pessoal ocupado e outros itens, o censo aplica a data de referência.
Os dados preliminares do Censo Agropecuário foram divulgados pelo IBGE nessa quinta, 26. Eles ainda poderão passar por eventuais alterações e serão divulgados de forma definitiva e oficial em abril.

Propriedades recenseáveis
Em Três de Maio, os dados já haviam sido apresentados durante reunião da Comissão Municipal de Geografia e Estatística (CMGE) realizada na tarde de 29 de junho, no auditório da Prefeitura.
A equipe envolvida no censo no município foi composta por oito recenseadores e cinco supervisores. O IBGE investiu R$ 65.173 no trabalho em Três de Maio.
Na metodologia aplicada no censo, nem toda propriedade rural era considerada propriedade recenseável. Para isso, ela precisava ser enquadrada, de acordo com as regras do censo, como estabelecimento agropecuário.
"Dentro disso, havia dois tipos de propriedade: se ela fazia a venda de qualquer coisa, em qualquer quantidade, se coletavam os dados de todo o estabelecimento, de todas as atividades. Se não tinha nada de venda, aí precisávamos verificar se a propriedade se enquadrava no conceito de subsistência", explicou o técnico em informações geográficas e estatísticas Thiago Beniz Bieger, do IBGE de Santa Rosa, durante a reunião da CMGE.
"Para se enquadrar no conceito de subsistência, para responder ao questionário, tudo o que a família consumia, tudo o que ela tirava da propriedade tinha que equivaler a mais da metade da renda total da propriedade. E aí houve alguns lugares, não muitos, que não foram recenseados porque não se enquadravam nesse conceito", acrescentou Thiago, frisando, também, que na realização de pesquisas o IBGE não solicita documentos - ou seja, são levadas em conta as informações prestadas pelos entrevistados.

Números já haviam sido apresentados por Thiago Beniz Bieger (em pé), do IBGE, 
durante reunião da Comissão Municipal de Geografia e Estatística
(FOTO: MURIAN CESCA)

Emater já vinha observando tendência
Além da produção diária média de 78.576 litros, os dados preliminares do Censo Agropecuário apontam a existência de 672 estabelecimentos envolvidos na atividade leiteira e 6.418 vacas ordenhadas - número este que resulta numa produção diária média de 12,24 litros por animal.
Apurado pelo escritório municipal da Emater/RS-Ascar, o número que indicava uma produção diária média de aproximadamente 120 mil litros em Três de Maio vinha desde 2015, conta o chefe do escritório, o técnico em agropecuária Leonardo Rustick.
"A gente fica um pouco surpreso, porque a última estimativa que tínhamos era de 120 mil litros e agora se levantou um número de 78,5 mil. Mas com certeza a gente concorda com essa metodologia, com esses dados do IBGE. É um levantamento oficial, feito por um órgão oficial de levantamento de dados estatísticos, e é o levantamento mais oficial dos últimos tempos", analisa Leonardo, que foi um dos presentes à reunião da CMGE.
Ele observa que, apesar da diferença considerável entre um número e outro, a redução em si na produção diária não chega a ser uma grande surpresa para a Emater, que já vinha constatando uma diminuição no número de produtores nos últimos anos, devido a uma série de fatores.

'A produção é variável', avalia Leonardo
Como alguns desses motivos para a diminuição no número de produtores, Leonardo cita o preço pago ao produtor pelo litro do leite, os custos de produção, adversidades climáticas e a restrição de muitas indústrias de só recolher o produto em propriedades que produzem pelo menos cem litros por dia.
"A gente já vinha acompanhando essa tendência de diminuição na produção e também o abandono da atividade por parte de muitos produtores. Se continuar essa tendência, no futuro, vai faltar alimento para a mesa do consumidor, e isso é preocupante", declara.
Ainda sobre o número apurado pelo IBGE, Leonardo destaca, entretanto, o fato de a produção leiteira não ser estática, de sofrer variações. "No decorrer do ano, tem muitas oscilações de produção. Por exemplo, em épocas de estiagem, a produção diminui bastante", diz.
"Então, o que a gente pode dizer é que concorda com esse dado estatístico do IBGE mas que a produção é variável. Não dá para a gente dizer que durante todo o ano ela será de 78,5 mil litros", ressalta.

Leonardo demonstra preocupação com possível continuidade da tendência de
queda na produção
(FOTO:ARQUIVO/JS)
Possível ação de força-tarefa
O secretário municipal de Agricultura e Meio Ambiente, Sidnei Roos, que também participou da reunião da CMGE, diz que a pasta vê o número apurado pelo IBGE como próximo da realidade. "Até, conversando com pessoas que trabalham com a cadeia do leite, todo mundo acha que, de fato, é isso aí. Penso que a produção real é essa", declara.
No entanto, em função da diferença existente em relação ao dado com que se trabalhava, o possível novo número não deixa de ser impactante e de provocar algumas dúvidas em quem tem seu trabalho relacionado à produção leiteira.
"Queremos fazer uma força-tarefa (reunindo diversos órgãos e entidades) e, de repente, fazer um mapeamento, definir uma localidade para estudarmos com base no mapa do IBGE (a divisão de território utilizada pelo instituto para aquela localidade), para confrontarmos e podermos dirimir essas dúvidas. Seria um estudo por amostragem", adianta o secretário, mencionando, também, que uma futura visitação propriedade por propriedade não está descartada.




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