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Entre abertas e fechadas, saldo positivo é de 169 novas empresas nos últimos 29 meses

22/06/2018 - Por Jornal Semanal
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Em 2016 e 2017, Três de Maio registrou saldo positivo na abertura de empresas, e situação se mantém neste ano

Acumulado dos três últimos anos é de 169; setor de serviços é o que detém o maior número de abertura e fechamento de empresas
Em meio a um cenário de crise econômica em todo o país, Três de Maio registrou saldo positivo em 2016 e 2017 no balanço entre o número de empresas abertas e o número de empresas que encerraram suas atividades. A mesma situação é vista em 2018 - somando os três anos, o saldo positivo é de 169 empresas.
No ano de 2016, de acordo com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo (Sedet), 223 empresas foram abertas em Três de Maio (destas, 101 de microempreendedores individuais, os MEIs) e 121 foram fechadas (desse total, 37 de MEIs), o que resultou num saldo positivo de 102.
Já no ano seguinte, o número de empresas abertas no município foi de 206 (sendo 71 de MEIs), e o de empresas fechadas, 158 (46 de microempreendedores individuais). O saldo foi de 48 empresas.
De janeiro até 24 de maio deste ano, cem empresas foram abertas (39 de MEIs), e 81 tiveram suas atividades encerradas (sendo 16 de microempreendedores individuais), o que resulta num saldo positivo de 19.
O setor de serviços foi o que registrou os maiores números nestes anos, tanto na abertura quanto no fechamento de empresas. Somando os dados de 2016, 2017 e 2018, foram 395 empresas abertas e 243 fechadas - saldo positivo de 152.

O perfil do empreendedor de Três de Maio, na visão da Sedet
O secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Paulino Menegat, chama atenção para os saldos positivos em meio a um cenário de crise econômica e avalia que, "como visto, a tendência é a abertura de novos empreendimentos".
Ele diz que a compreensão da secretaria é de que "o empreendedor de Três de Maio é de pequeno, micro e médio porte, o que de fato o torna muito cauteloso no que se refere aos investimentos e à geração de empregos".
"Nosso empreendedor sabe evitar a formação de estoque em demasiado e investe naquilo que efetivamente tem procura. Isso lhe assegura um equilíbrio nas finanças e também na garantia de dispor de empregos na medida da necessidade", acrescenta.
Paulino também ressalta que a Sedet "trabalhou muito no projeto de ordenamento da expansão urbana para oportunizar e ao mesmo tempo atrair empresários para as áreas industriais do município". "Mais do que isso, vemos a expansão urbana como um incentivo para que nossos empreendedores ampliem seus negócios", diz.
O secretário ainda destaca a criação, em agosto do ano passado, da Sala do Empreendedor - situada na estrutura da secretaria -, que possibilita maior agilidade no processo de abertura de novas empresas, e parcerias realizadas com o Sebrae, Senac e Setrem.
"Estamos à disposição de todo e qualquer empreendedor que queira expandir ou se estabelecer no município. Analisamos o pedido de viabilidade locacional antes mesmo de o empreendedor se estabelecer, para evitar conflitos e desperdícios futuros", conclui o secretário.

'Nosso empreendedor sabe evitar a formação de estoque em demasiado 
e investe naquilo que efetivamente tem procura', analisa o secretário Paulino Menegat
(FOTO: ARQUIVO/JS)

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De empregado a dono do próprio negócio
Diego Felipe Eichelberger deixou emprego de mais de sete anos e apostou em uma barbearia.  
Já a esposa Rosiélen Budke concilia emprego fixo com estúdio de maquiagem
Seguindo uma tendência nacional, em que milhares de brasileiros viraram dono do seu próprio negócio, uns porque perderam o emprego, outros em busca da realização profissional, o casal Diego Felipe Eichelberger, 26 anos, e Rosiélen Budke é um exemplo em Três de Maio. Ele apostou em uma barbearia, e ela, em um estúdio de maquiagem.
Antes, Diego exercia uma profissão totalmente diferente. Era funcionário de uma multinacional, em Horizontina, há sete anos. "Ganhava um bom salário e tinha vários benefícios, incluindo, plano de saúde. Mas não estava realizado na parte pessoal. Com o tempo, passei a buscar algo novo. Pensei na questão de mais qualidade de vida, em não ser mais empregado, ter horários mais flexíveis, mesmo que tenha que trabalhar aos sábados à noite", recorda, dizendo que antes acordava às 4h para trabalhar. 
A decisão dele foi tomada em conjunto com a esposa Rosiélen Budke, grande incentivadora de Diego. Ela, que é maquiadora profissional há mais de sete anos, vem de uma família dedicada à área de beleza. Os pais, irmãos e outros familiares são proprietários de salões de beleza em várias cidades da região Noroeste e Missões. O pai tem 40 anos de profissão. Ou seja, é uma tradição que passa de geração em geração.
Em funcionamento desde dezembro do ano passado, a barbearia se tornou uma referência nesse tipo de serviço na cidade, conquistando clientes (apenas público masculino) que buscam atendimento e serviço diferenciado. 
Todo o ambiente da barbearia foi planejado nos mínimos detalhes; inclusive, com partes da decoração vintage produzidas pelo próprio Diego. Outro diferencial é o bar - e a mesa de sinuca -, que dá ao local um ar mais descontraído. 
Embora "novo" na profissão, Diego fez cursos de barbeiro ele considera que a experiência se adquire no dia a dia, na prática, além da participação em cursos de qualificação. 
Enquanto que Diego trabalha exclusivamente na barbearia, Rosiélen concilia a profissão de maquiadora com outra atividade. Ela trabalha em horário comercial em uma escola de idiomas e, com hora marcada, no estúdio de maquiagem, tendo agenda lotada, especialmente nos fins de semana.
Com conhecimento e experiência na profissão, hoje ela também ministra cursos na área. "No último curso que ministrei, os alunos me questionaram, porque eu ensino, se estou abrindo espaço para a concorrência. Eu respondi: se eu não gostasse de concorrência, e de outra pessoa no mesmo ramo que eu, jamais ensinaria. Penso que desta forma, estou compartilhando o meu conhecimento. Acho muito válido, pois se você é um bom profissional, terá espaço no mercado com todos os outros. Gosto do meu trabalho e acredito que nesse ramo não podemos ter esse tipo de pensamento, senão, não vamos para frente", orienta.
Rosiélen fala, ainda, da "mágica" que a maquiagem faz com a mulher, e da realização pessoal, profissional e financeira com a atividade. "Hoje posso dizer que estou colhendo os frutos; mas foi uma construção, de anos; de muito trabalho. É gratificante ver as clientes quando a maquiagem fica pronta; elas se olham no espelho e dizem: Meu Deus! E mostram a cara de felicidade e surpresa (boa) pelo resultado final", resume.

O casal Diego Felipe Eichelberger e Rosiélen Budke aposta em um dos setores que mais crescem no Brasil: 
o setor de beleza. Ele deixou o emprego fixo e abriu uma barbearia, com serviço diferenciado. 
Já Rosiélen concilia emprego em escola de idiomas com a atividade de maquiadora 
(FOTO: ARQUIVO PESSOAL)

Da saúde para a alimentação 
Enfermeiro de profissão, Sávio Machado Bauer, 39 anos, assume negócio familiar e prioriza qualidade 
de vida. Mudança de planos veio quando faltou oportunidade na sua área de graduação
Há sete anos, quando surgiu uma oportunidade de emprego em Três de Maio, o enfermeiro Sávio Machado Bauer, não pensou duas vezes em sair da Região Metropolitana do Estado onde atuava e decidiu voltar à terra natal.
Com experiência na profissão e tendo curso de pós-graduação na área de Geriatria, Sávio viu "escapar" a oportunidade profissional, a qual não se confirmou, e teve que mudar os planos.
Ao mesmo tempo em que pensava no futuro, ele teve a alternativa, num ramo totalmente diferente (mas não desconhecido), de assumir o negócio familiar dos pais; empreendedores do ramo de alimentação, com um mercado, no Bairro Oriental.  
"Decidi assumir o estabelecimento comercial dos meus pais, que na época queriam vendê-lo", recorda. 
E lá se vão sete anos, sob sua direção. "Dei continuidade ao mercado, consegui estruturá-lo e mantê-lo em atividade", ressalta, lembrando que o mercado foi fundado pelos pais há 23 anos.
Embalado pelos bons negócios, o empresário abriu, há dois anos, outra empresa, uma casa de ração (ou agropecuária), quase em frente ao mercado. "Esse é um ramo de comércio que está me surpreendendo; sempre tem venda. Uma loja pet, no sentido de ração, é um comércio de alimentação só que para os animais", explica.

Custo alto para ter o próprio negócio
Para Sávio, atualmente, o pequeno empresário brasileiro enfrenta um momento delicado. "É preciso se manter no mercado e ter uma boa equipe, enxugando gastos e despesas desnecessárias. As responsabilidades para o microempresário são grandes, especialmente, para quem tem o negócio legalizado. São muitos impostos. E, tendo muito imposto, diminui o poder aquisitivo e o poder de compra da população. Consequentemente, vendemos menos. Em contrapartida, o salário mínimo não é reajustado adequadamente e os produtos sobem (e o custo operacional também se mantém elevado). É muito gasto", lamenta, lembrando que mesmo pagando imposto, o brasileiro não vê o retorno. "Hoje pagamos imposto de tudo, mas se você quer uma escola melhor, um atendimento de saúde melhor, você tem que pagar", avalia. 

'Todo mundo tem o direito de sonhar', afirma o empresário
Sávio dá uma dica para quem quer deixar de ser empregado para se tornar empreendedor. "Todo mundo tem o direito de sonhar, em querer ter algo e ter seu próprio negócio. Mas é preciso fazer uma autoavaliação, no sentido de ver que tipo de profissional foi e continua sendo, antes de abrir um negócio. A gente imagina uma coisa, mas é bem outra. Como empregado, tem que ser um profissional correto, que veste a camisa da empresa. Às vezes, observar como foi de funcionário é o que vai determinar como vai ser como empresário, na própria empresa", opina.
Para ele, não basta apenas ter condições financeiras para criar um  novo negócio. "É uma soma de fatores e depende muito do ramo e do tamanho da empresa. Muitos dizem que o pequeno empresário não 'se estressa', não tem muito serviço. Mas é bem ao contrário. Numa empresa familiar, vale a teoria do 'boi só cresce com os olhos do dono'", opina.
Passada a fase do aprendizado das novas atividades profissionais, Sávio diz ter feito a escolha certa. Junto com a esposa Tatiana Corso Pellens (que é farmacêutica) e os filhos Luís Miguel (9 anos) e Clara (4 anos), ele se dedica ao negócio da família, tem mais qualidade de vida e nunca deixa de sonhar. 
Sávio Machado Bauer, 39 anos
(FOTO: SANDRO RAMBO)
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'É extremamente importante que o empreendedor saiba qual é o seu diferencial perante o que o mercado 
apresenta', diz técnico de atendimento do Sebrae
Um dado considerado preocupante que envolve os empreendedores brasileiros é citado por Cassio Eduardo Fridriczewski, técnico de atendimento do Sebrae no Noroeste, em entrevista ao Jornal Semanal: atualmente, apenas 13,4% deles procuram algum órgão de apoio para gerenciar o seu negócio.
Em contraste com este índice, está o fato de que "é justamente no início do empreendimento o período crítico de estabilidade do negócio", como ressalta Cassio, que atua na Gerência Regional Noroeste, sediada em Santa Rosa.
"Por isso é extremamente importante o planejamento do negócio, organizar a empresa no início, definindo ações que possam amenizar as dificuldades durante este período", analisa ele.
Isso poderá fazer diferença no futuro do empreendimento - na leitura que o empreendedor fará do seu próprio negócio durante os mais diferentes momentos que serão enfrentados.
"É extremamente importante que o empreendedor saiba qual é o seu diferencial perante o que o mercado apresenta", ressalta Cassio. "Hoje, não basta ser mais um no mercado. Você precisa se diferenciar", acrescenta.

Cassio Eduardo Fridriczewski é técnico de atendimento 
da Gerência Regional Noroeste do Sebrae, em Santa Rosa
(FOTO: SEBRAE/DIVULGAÇÃO)

Atualmente, apenas 13,4% dos empreendedores procuram algum órgão de apoio para gerenciar o seu negócio
Por que é tão difícil se manter competitivo no mercado?
Inicialmente, temos que ter um ambiente que favoreça esse desenvolvimento. É preciso que tenhamos uma política de incentivo aos novos negócios, tanto em termos de carga tributária quanto de desburocratização dos processos de abertura.

Qual é o perfil - ou competências - que este novo empreendedor deve ter para que seu negócio dê certo?
O "dar certo" é muito relativo. Não existe um passo a passo que indique o caminho do sucesso, até porque o sucesso é relativo para cada pessoa.
A ONU utiliza dez características empreendedoras como sendo essenciais para o desenvolvimento empreendedor: busca de oportunidade e iniciativa, persistência, comprometimento, exigência de qualidade e eficiência, correr riscos calculados, estabelecimento de metas, busca de informações, planejamento e monitoramento sistemático, persuasão e rede de contatos, e independência e autoconfiança.
Quando postas em prática, essas características são fatores que nos levam a um maior desenvolvimento individual e, consequentemente, do nosso negócio.

É fundamental que o empreendedor tenha capital próprio para investir no negócio ou, pelo menos, uma vida financeira organizada?
A maneira de investimento vai variar conforme o modelo de negócio a ser desenvolvido. Num modelo mais "tradicional" de negócio, por exemplo, muitas vezes ainda se recorre às economias da família para viabilizar o negócio.
No entanto, é importante o empreendedor analisar a real necessidade e a destinação do capital, analisar o retorno para aquele investimento que será feito. Para finalidades específicas de investimento, muitas vezes existem linhas de crédito (BNDES, Badesul, etc.) com prazos e taxas atrativas, que se tornam mais interessantes do que utilizar o capital próprio para aquele fim.
Ser organizado financeiramente facilita muito na destinação de recursos. Por vezes o empresário mistura suas contas pessoais com as empresariais, não entendendo que sua empresa não é uma fonte ilimitada de dinheiro. É necessário estabelecer um volume de retirada, que não impacte na saúde financeira da empresa.
Agora, num modelo de negócio como uma startup (empresa em fase inicial que desenvolve produtos ou serviços inovadores e tem potencial de rápido de crescimento), a maneira de captar recurso é diferente, normalmente por meio de empresas investidoras e que procuram negócios com maior escalabilidade, em que o retorno é em longo prazo.

Em tempos de tão grande concorrência, como ser um empreendedor diferente, inovador?
É extremamente importante que o empreendedor saiba qual é o seu diferencial perante o que o mercado apresenta. Hoje, não basta ser mais um no mercado. Você precisa se diferenciar. O empreendedor deve estar em constante desenvolvimento, buscando novidades, tendências, e ter um comportamento proativo.

Quais as principais dicas de gestão para os empreendedores iniciantes?
Inicialmente, buscar apoio para complementar o conhecimento do empreendedor. Atualmente, apenas 13,4% dos empreendedores brasileiros procuram algum órgão de apoio para gerenciar o seu negócio. E é justamente no início do empreendimento o período crítico de estabilidade do negócio, por isso é extremamente importante o planejamento do negócio, organizar a empresa no início, definindo ações que possam amenizar as dificuldades durante este período.
O planejamento é de suma importância, pois vai ser por meio dele que o empreendedor analisará quais alternativas pode ter. Ele não terá todas as respostas disponíveis, porém um norte e uma projeção mais sólida facilitarão o desenvolvimento de suas ações.

E quanto àqueles empreendedores que ainda estão no mercado, como sobreviver com bons resultados, obtendo rendimentos suficientes para manter a empresa e o orçamento familiar?
Esse é um ponto interessante. Quantas pessoas fazem um orçamento familiar ou na empresa? Por vezes identificamos que os resultados não são satisfatórios, porém não temos nenhuma métrica. Não há uma definição do quanto se quer faturar, quanto podemos gastar, e isso nos remete a uma insatisfação sobre os resultados.
Uma das coisas a que devemos ficar atentos é que os modelos de negócio estão evoluindo. Nosso cliente já não se comporta da mesma maneira. Está buscando muito mais que um produto dentro da empresa, está cada vez mais ligado ao que a empresa pode proporcionar numa experiência de consumo.
Ficar atento às mudanças, procurar e investir em novidades, não parar no tempo, essas podem ser algumas alternativas para estar em constante evolução.

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