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Seria o fim da escola?

25/05/2018 - Por Jornal Semanal
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Nós sempre convivemos com o fantasma do desmonte do ensino público. Por vezes, pareceu-nos algo plenamente palpável, em outras oportunidades, houve um fortalecimento da educação voltada para as classes populares e a valorização do magistério. 
Atualmente, se eu não estiver fazendo uma leitura absolutamente equivocada da realidade, vivemos o desmantelamento da escola pública - prédios sucateados, classes e cadeiras semi-destruídas, professores mal pagos, desmotivados, mal qualificados. Deparei-me, dias atrás, com uma mensagem em que a secretária do curso de pós-graduação em que cursei o doutorado solicitava-nos a divulgação de uma ideia legislativa, que precisa receber 20 mil assinaturas para tornar-se uma sugestão legislativa e, dessa forma, ser debatida pelos senadores com a proposição que não se promova a extinção dos cursos da área de Humanas. Como assim? Pois é, existe outra ideia legislativa propondo o fim dos cursos na área de Ciências Humanas - Letras, História, Sociologia, não seriam mais ofertadas pelas universidades federais, o que significaria a extinção da habilitação de professores para formarem novos alunos.
O grande choque, porém, ainda estava por vir. Na mesma mensagem, chamava-se a atenção para o artigo 62-B da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB 9394/96) que passou a existir desde 2017, com redação dada pela lei 13.478. O parágrafo terceiro do referido artigo é muito claro: no caso de professores em exercício optarem por cursar uma licenciatura, a prioridade será dada para aqueles que se dedicarem aos estudos de matemática, física, química, biologia e, por fim, língua portuguesa. Não existe interesse na formação de professores que ensinem o aluno a refletir - seria isso? Ou eu entendi terrivelmente errado? Considerando que acadêmicos formados em química, física e biologia são facilmente absorvidos por empresas, fiquei pensando quem dará aula para as próximas gerações. Haverá escolas para os filhos dos pobres? 
Eu, como Brás Cubas, "não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria', ainda assim me preocupo com aqueles que nos sucederão, no entanto, vejo pais e avós aplaudirem o recrudescimento político e social em nosso país, aplaudindo um possível candidato que promete armar crianças nas escolas, armar pessoas doentes nos hospitais, armar motoristas nas estradas para enfrentarem a má conservação das rodovias. O que pensam as pessoas que defendem esse ideário? Que futuro estão construindo para os seus filhos e netos? Esperam que eles sejam trabalhadores mal remunerados, explorados pelos detentores do poder/capital? Sempre imaginei que pais e avós quisessem mais para as pessoas que amam.
Professora Elaine dos Santos - Doutora em Letras




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