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PÁSCOA - 'O chocolate pode fazer parte de uma rotina alimentar bem planejada', ressalta nutricionista

23/03/2018 - Por Jornal Semanal
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Thaís Correa observa, no entanto, que é preciso saber como e qual chocolate consumir. 'Quanto mais cacau, não contendo como primeiro ingrediente na sua composição o açúcar, melhor', frisa

Quando se quer presentear na Páscoa e se pensa em um presente tradicional, presentear com chocolate vem logo à mente. Quando o pensamento é sobre qual presente se vai receber, a conclusão é a mesma - ou seja, comercial e tradicionalmente, Páscoa e chocolate são, há tempos, indissociáveis.
Chocolate é um doce, e doce lembra açúcar, e pensar em consumir muito açúcar - embora existam as versões sem o ingrediente - já acende o sinal de alerta na cabeça daqueles que têm ou mentalizam ter uma alimentação mais saudável. Mas, ao contrário do que muitos pensam, o chocolate pode vir a ser muito benéfico à saúde - tudo depende das escolhas de quem vai consumi-lo.
"Ele estimula a produção da feniletilamina no corpo, substância que causa sensação de extremo bem-estar quando ingerida", destaca a nutricionista Thaís Correa, de Três de Maio, pós-graduada em Nutrição Clínica e Esportiva pelo Instituto de Pesquisas, Ensino e Gestão em Saúde (IPGS), de Porto Alegre.
"Por conter cacau, é rico em polifenóis, substâncias consideradas antioxidantes, com potencial de melhora dos sistemas imunológico e cardiovascular e do perfil lipídico", acrescenta, em entrevista ao Semanal, na qual, a seguir, ela cita muitos outros benefícios do alimento.
Thaís reitera, entretanto, que é preciso saber como e qual chocolate consumir. "O chocolate pode fazer parte de uma rotina alimentar bem planejada", ressalta.

'O chocolate é repleto de nutrientes como manganês, cobre, magnésio, ferro, 
fósforo, cálcio, potássio e vitaminas A, D e E, além das do complexo B', explica Thaís
Quais os benefícios que o chocolate pode trazer à saúde?
Nada mais justo do que falar sobre o chocolate em tempos de Páscoa. Ele estimula a produção da feniletilamina no corpo, substância que causa sensação de extremo bem-estar quando ingerida, pois é precursora da serotonina, neurotransmissor conhecido como "a substância química do bem-estar".
Ele é repleto de nutrientes como manganês, cobre, magnésio, ferro, fósforo, cálcio, potássio e vitaminas A, D e E, além das do complexo B. Por conter cacau, é rico em polifenóis, substâncias consideradas antioxidantes, com potencial de melhora dos sistemas imunológico e cardiovascular e do perfil lipídico, ou seja, aumenta o colesterol bom (HDL) e diminui o colesterol ruim (LDL). Mas é preciso saber como e qual chocolate consumir.

A partir de qual momento o que pode ser benéfico passa a ser prejudicial à pessoa?
Como dito anteriormente, é preciso saber como e qual chocolate consumir. Existem diferentes tipos de chocolate, com concentrações de cacau diferentes.
Existe o chocolate amargo, rico em massa de cacau, que varia de 50% a 100%; quanto maior o teor de cacau, menos açúcar ele terá, será mais puro, nutritivo e rico em fitoquímicos.
Já o chocolate ao leite tem menos massa de cacau, mais manteiga e açúcar e é pobre em nutrientes e fitoquímicos, então não proporciona benefícios ao organismo como a versão amarga.
Há também o chocolate branco, que leva na sua composição leite, açúcar e manteiga, mas não tem a massa de cacau. Logo, tem muito mais açúcar e gordura em sua composição e não gera nenhum benefício à saúde.
Existem ainda chocolates com ingredientes que substituem o cacau, como é o caso do chocolate de alfarroba, que é uma leguminosa da família do feijão, tem um sabor muito semelhante ao do cacau, mas não tem estimulantes como a cafeína e a teobromina (interessante para quem tem alguma intolerância a esses compostos do cacau). A alfarroba é rica em fibras, é fonte de vitamina A e não gera desejo de repetição.

Há um "limite médio" tolerável de consumo de chocolate por dia ou isso depende exclusivamente de cada pessoa, do seu corpo e das suas condições de saúde?
Muito mais importante do que a quantidade é a qualidade do chocolate. Quanto mais cacau, não contendo como primeiro ingrediente na sua composição o açúcar, melhor.
As recomendações são individuais e dependem de cada pessoa. Eu uso uns dois quadradinhos por dia, o equivalente a 10g de chocolate amargo (70% a 85% de cacau). Aprenda a ter limite e saber o significado da palavra "suficiente". Como eu sempre digo: "Se não sabe terminar, não comece". Aprenda a comer o "suficiente" e assim saberá "comer de tudo" sem exageros.

Existe um tipo de chocolate específico, com características específicas, que é o mais recomendável para quem deseja consumir chocolate com frequência sem prejudicar a saúde?
Com certeza o chocolate pode fazer parte de uma rotina alimentar bem planejada. Consumir fontes de cacau como o chocolate com teor acima de 70% pode ser usado diariamente, sim, como estratégia de melhora do rendimento durante o treino, por exemplo; para espantar aquela preguiça à tarde que muitas vezes tenta nos tirar do foco; prevenir câncer e doenças cardiovasculares; promover sensação de bem-estar; reduzir a ansiedade, por o chocolate ter efeito antidepressivo e calmante; retardar o envelhecimento precoce. Enfim, um mundo de benefícios.
A estratégia ideal para quem não é acostumado a consumir o mais amargo é ir adaptando o paladar gradativamente com versões de alto teor de cacau e, de preferência, sem açúcar. Se você não está acostumado, comece pelo 50% e vá subindo aos poucos. E, é claro, consuma moderadamente.

A Páscoa é um período em que crescem imensamente as compras de chocolate e, consequentemente, o consumo. Quais recomendações você daria à população quanto ao consumo de chocolate nesta Páscoa?
Todo mundo merece uma Páscoa gostosa e ser presenteado com um chocolate. Então, que tal esse chocolate ser mais saudável, com mais cacau, já que é um grande aliado no processo de emagrecimento? Assim, se diminui a ansiedade, que é uma das grandes responsáveis pela compulsão alimentar.
Na hora de comprar chocolate, escolha as opções com no mínimo 70% de cacau em sua composição e atente-se para que ele esteja antes do açúcar na tabela nutricional, além de sempre evitar os que tenham adoçantes tóxicos como aspartame e sacarina. Esteja sempre de olho nos rótulos!

A nutricionista Thaís Correa

FOTO: STUDIO CRIATIVO



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