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Mãe e filho se formam juntos em Odontologia

16/03/2018 - Por Jornal Semanal
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Ao confessar que seu desejo era cursar Odontologia, e não Engenharia Mecânica, Roberto Grenzel Filho, 24 anos, despertou o sonho de menina da mãe, Rosane, 45 anos, e ambos decidiram cursar, juntos, a graduação 

Casada, mãe de três filhos, Rosane Antônia Recktenvald Grenzel, 45 anos, de Boa Vista do Buricá, passou a maior parte da vida cuidando da casa e dos filhos.
Quando casou, em 1990, ela e o marido, Roberto Grenzel, 56 anos, abriram uma pequena fábrica de móveis e em seguida, uma empresa de representações do setor moveleiro. Tiveram os três filhos, Bárbara, 26, Roberto Filho, 24, e Laura, 17, e em meio a este período, Rosane cursou alguns anos de Psicologia, mas não concluiu a graduação. 
Até que no ano de 2013, o destino reservou uma surpresa para ela e toda a família. "Numa tarde, acompanhei meu filho Roberto para fazer a matrícula dele no curso de Engenharia Mecânica, em Horizontina. Durante o caminho, ele me disse que, embora tínhamos planejado, o desejo dele era outro. Paramos o carro e conversamos. Nesta conversa, ele falou do desejo de cursar Odontologia. Meu coração disparou e não contive as lágrimas! Era meu sonho de menina e ver este ser também o sonho do meu filho, foi uma surpresa", recorda. 
Ao retornarem para casa, sem ter realizado a matrícula, mãe e filho conversaram com o pai. "Meu marido decidiu que era o momento de cursarmos juntos, e então, fez as inscrições para o vestibular na Fasurgs (Faculdade Especializada na Área de Saúde do Rio Grande do Sul), de Passo Fundo. Em um sábado de manhã, saímos cedinho de Boa Vista do Buricá rumo à Passo Fundo prestar o vestibular", conta, dizendo que a família conhecia a Fasurgs por meio de um grande amigo que estava frequentando a instituição. 

'Aprendi a deixar de ser mãe para ser colega. Aprendemos juntos, crescemos juntos e vencemos juntos'
Rosane declara que foi muito engraçado enquanto caminhava, com o filho, pelos corredores até a sala onde fariam as provas do vestibular, e os candidatos perguntavam se ela era a professora. "Respondia que não, era candidata juntamente com meu filho...olhares de surpresa não faltaram! Após as provas, retornamos para nossa cidade. No domingo, meu marido chegou com os resultados: ambos aprovados. Em uma semana estávamos matriculados e morando em Passo Fundo".
Mãe e filho contam que passaram pelo trote e a festa dos "bixos", a recepção da faculdade e os primeiros "hilariantes" dias de aula. "Espanto de alguns professores, preocupação de outros quanto à maneira de tratar mãe e filho em uma mesma turma...foi tudo muito bom!", afirma.
Tanto para Rosane quanto para Roberto, o período foi marcado por um "processo de autoconhecimento, aprendizagem, transformação, razão e sensibilidade aflorando a cada instante". 
Ela confessa que aprendeu a deixar de ser mãe para ser colega. "Meu filho aprendeu a não se importar com alguns olhares de colegas insatisfeitos com tal situação. Aprendemos juntos, crescemos juntos e vencemos juntos. Não foi fácil...todo caminho foi árduo", avalia. 

'Deixar tudo e enfrentar o novo, se arriscar; passar noites a fio em claro, estudando'
Rosane relata que foram quatro anos e meio conciliando os estudos em Passo Fundo e as vindas para casa, em Boa Vista do Buricá. "Foi muito corrido e cansativo", confessa.
Em casa, ficavam o marido e as duas filhas, a empresa, os demais familiares e amigos. À família, ela faz um agradecimento especial. "Meu marido Roberto, indiscutivelmente, foi nosso maior amparo e proteção nestes anos todos. Também agradeço ao meu filho, Betinho. Nós aprendemos a ser colegas e não mãe e filho. Ainda, muito obrigado à minha filha Bárbara, que foi a primeira a me incentivar, apoiar, e que, em todos os momentos de extremo cansaço e dúvidas, não permitiu que eu desistisse. E, muito obrigado à minha filha Laura, que se mostrou a pessoa mais forte da família. Foi, com certeza, minha mais difícil decisão: deixar de estar ao lado dela no momento mais importante da vida, dos 13 aos 17 anos. Amo muito vocês", emociona-se.
Mas, ao final de tudo, veio a recompensa. "Deixar tudo e enfrentar o novo, se arriscar; passar noites a fio em claro, estudando, e finais de semana na estrada, sem descanso... foram momentos difíceis. Mas, olhando para frente, uma luz carregada de esperança nos guiava: 'tudo vai acabar... força, coragem, mais um pouco, vamos lá!", comemora, com a conclusão do curso no final de 2017.

'Conseguimos: somos cirurgiões dentistas'
Rosane e o filho Roberto colaram grau, juntos, em Odontologia em 9 de fevereiro de 2018, pela Fasurgs, fazendo parte da 9ª turma. Mais de 60 formandos receberam o título de cirurgião-dentista, e, entre eles, mãe e filho, que juntos realizaram o grande sonho. "E então, conseguimos: cirurgiões dentistas!", celebra.
Para ela, o período de convivência com pessoas, na sua maioria, mais jovens, foi maravilhoso. "As pessoas costumam dizer que os ensinamentos e experiências são transmitidos pelos mais velhos. Eu aprendi que o contrário também acontece, e é fantástico! Não existem palavras que possam descrever o quão engrandecedora foi a minha vivência com este mundo jovem e acadêmico. Meus colegas se tornaram filhos, amigos, irmãos... faria tudo de novo, sem nenhuma sombra de dúvidas". 
Rosane aconselha aos que querem seguir seu exemplo. "Nenhum sonho é impossível de ser realizado, basta querer de verdade! Nosso destino está em nossas mãos e nada cai do céu. O futuro à Deus pertence, mas o presente é todo nosso...saibamos cuidar deste presente. Nunca é tarde, para nada, enquanto tivermos vida pulsando dentro de nós!"

Próximo passo é abrir clínica em Boa Vista do Buricá
A meta agora é abrir, juntos, uma clínica na cidade de Boa Vista do Buricá. Rosane iniciará especialização em Dentística no próximo mês de abril e o filho já iniciou a especialização em Endodontia no ano passado.

'No início só pensava que eu não teria aquela vida de acadêmico como os outros colegas. Mas com o tempo, tudo foi se ajeitando', diz Roberto
Roberto Filho avalia a experiência e declara que o começo foi muito "estranho". "Confesso que não fui muito a favor da escolha da minha mãe: eu na faculdade e ela minha colega de aula. Só pensava que eu não teria aquela vida de acadêmico como os outros colegas. Mas com o tempo, tudo foi se ajeitando. As brigas ocorriam, assim, como acontecem em todas as famílias. Porém, fomos aprendendo um com o outro, amadurecendo, crescendo". 
Aos poucos, o filho acabou percebendo que era um sonho da mãe também. "Era uma oportunidade única e que no fim, teríamos uma bela história para contar e uma nova etapa em nossas vidas a se iniciar. Duvido que eu estaria mais feliz do que estou hoje, se ela não tivesse se formado comigo. Com toda certeza do mundo, tudo o que passamos fortaleceu ainda mais a nossa relação", afirma. 
Agora, a meta é atuar juntos, no consultório. "Não há porque nos separar. Ela atuará na área dela e eu na minha; trabalhando à quatro mãos, sempre que possível. Até inaugurarmos nosso consultório, estarei atendendo em algumas clínicas da região, como clínico geral e endodontista, especialização que escolhi pela afinidade e realização pessoal, a qual mais me faz feliz", resume o filho.

Registro em família: filha Laura, pai Roberto, mãe Rosane, filho Roberto e filha Bárbara

Roberto Grenzel Filho e a mãe Rosane Antônia Recktenvald Grenzel 
colaram grau no dia 9 de fevereiro, em Passo Fundo

FOTOS: ARQUIVO PESSOAL




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