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Dia Mundial do Câncer propõe desmistificar marcas negativas associadas à doença, como emoções tristes e até mesmo a morte

02/02/2018 - Por Jornal Semanal
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'A principal arma para a cura do câncer é o diagnóstico precoce, independente do órgão inicial acometido', alerta médico oncologista clínico, Pedro Lourega 

Mais de 14 milhões de pessoas desenvolvem câncer todos os anos, e esse número deve subir para mais de 21 milhões de pessoas em 2030, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).
O câncer é a segunda causa de morte no mundo. Estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontou a ocorrência de cerca de 600 mil casos novos de câncer no Brasil em 2016 e 2017. Destes, cerca de 180 mil foram de pele, 61 mil de próstata e 58 mil de mama, considerados os mais frequentes.
Na região Noroeste do Rio Grande do Sul, o tratamento dos pacientes com câncer pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é realizado pelo serviço do Centro de Alta Complexidade em Oncologia do Hospital Vida & Saúde, em Santa Rosa. 
Em 2017, no setor de Quimioterapia do hospital, a média foi de 800 pacientes atendidos por mês. Destes, 60% mulheres e 40% homens. No ano passado, foram realizadas 16.276 sessões neste setor que atende pacientes dos 22 municípios da região. 
Dos pacientes atendidos, 55% são de outras cidades e 45% de Santa Rosa. O número de pacientes de Santa Rosa aumentou em relação a 2016, quando 35% eram do município. Já no setor de Radioterapia, a média é de 70 pacientes por mês, número 55% maior que no ano anterior. Destes 55% homens e 45% mulheres. 

Um dos profissionais do setor de Oncologia do Hospital Vida & Saúde é o médico Pedro Lourega, oncologista clínico do Centro de Tratamento do Aparelho Digestivo (Citradi), membro titular do Grupo Brasileiro de Tumores Gastrointestinais (GTG), da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e da American Society of Clinical Oncology (ASCO). 
Conforme o oncologista, embora o número cada vez maior de pacientes com câncer, na região, no setor de Quimioterapia, no que compete aos pacientes sob sua responsabilidade que chegam até a Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon), com o devido encaminhamento, nenhum destes aguarda em fila para iniciar tratamento se já possui os exames necessários e diagnóstico confirmados.
Contudo, segundo o dr. Pedro, não é possível estimar o número atual de pacientes com câncer na região, ou especificamente na cidade de Três de Maio. Isso porque, mesmo sendo referência para mais de 20 municípios, o Hospital Vida & Saúde não é o único serviço que atende a estes pacientes, pois algumas especialidades são tratadas fora do domicílio e também existem pacientes privados, que podem buscar outras cidades.

Em nível de pacientes que são atendidos pelo setor de Oncologia do Hospital Vida & Saúde, quais os tipos de câncer com maior incidência?
Mama, próstata, pulmão, intestino e melanoma (câncer de pele).

Existe um motivo ou um fator predominante para que haja mais casos desses tipos de câncer em nossa região?
De acordo com as estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) e respeitando a ampla região que atendemos, a distribuição etária e fatores de risco dos tumores levam a esta distribuição dos casos.

Atualmente, qual o tipo de câncer mais preocupante, no sentido de se alastrar mais rápido e no aumento do número de casos?
Em termos de agressividade, os tumores de pulmão ainda são os que mais levam a morte dos pacientes. Tanto pela dificuldade de se obter a biópsia e começar o tratamento, tanto pela própria fragilidade dos pacientes.

A cada ano, em aproximadamente quantos por cento aumentam o número de novos casos de câncer em nossa região?
O aumento do tratamento referenciado ao hospital tem estado em torno de 5% ao ano.

Hoje em dia, pode-se dizer que não existe mais uma idade ou um perfil para os novos casos de câncer? Toda e qualquer pessoa pode ser diagnosticada com a doença? 
O câncer é uma doença absolutamente plural. Os principais fatores evitáveis (tabagismo, alcoolismo, sedentarismo e obesidade) estão atingindo as mais variadas faixas etárias e são determinantes para o surgimento de diversos tumores. 

Mas existem fatores que levam a um maior risco para a doença? Quais são eles?
Os principais fatores são o tabagismo e a obesidade. O consumo de álcool e o sedentarismo também contribuem de maneira significativa.

Na atualidade, com os tratamentos e medicamentos, em quais situações existe maior chance de cura de um paciente com câncer? 
A principal arma para a cura do câncer é o diagnóstico precoce, independente do órgão inicial acometido. Por exemplo, tumores de mama pequenos levam a chance de cura a mais de 90% dos casos. Esta é a grande vantagem de se fazer diagnóstico precoce e os exames preventivos.

O câncer tem a 'fama' de doença traiçoeira, pois muitas vezes, um paciente considerado curado, pode voltar a desenvolver a doença e de uma forma mais agressiva. Há uma explicação para isso? 
Como é uma doença multifatorial, não existe explicação única. Cuidados gerais de saúde (a prática de exercício físico regular e alimentação adequadas, por exemplo) são companheiras eternas de um paciente que busca a cura do câncer. Para se dar esta taxativa definição, deve-se avaliar cada caso, sem generalizações.

Os médicos têm de informar a real situação para o próprio paciente, mesmo em caso de câncer avançado? E se esse paciente optar por não fazer o tratamento? Qual deve ser a conduta do profissional nesse caso? 
O diagnóstico de câncer precisa ser informado ao paciente, para seu consentimento em realizar o tratamento. Muitas vezes, o grande tabu é o medo que envolve a quimioterapia, que se bem explicada leva a maior adesão. Poucas vezes os pacientes se recusam a fazer o tratamento de maneira taxativa, e quando assim decidem, respeito a opção e deixo o paciente e seus familiares cientes desta escolha e riscos. Uma relação médico-paciente franca é fundamental para isso.

Como o paciente pode manter a autoestima, a motivação (para não desanimar e desistir de lutar) e o bem-estar durante um tratamento de câncer? Como deve ser o apoio da família e amigos neste momento?
Uma importante ferramenta que impacta em resultado inclusive de tratamento oncológico é a postura do paciente frente à doença. Pacientes que entendem e agem positivamente diante do tratamento têm melhores resultados e passam pela quimioterapia com maior qualidade de vida. O apoio multiprofissional, com a psicologia, por exemplo, é outra dica importante também nesta fase. O suporte de amigos e familiares contribuindo com conversas positivas, postura pró-ativa e sem desconstruir a importância do tratamento, beneficia e muito, os pacientes.

Hospital Vida & Saúde, de Santa Rosa, é referência no atendimento pelo SUS, 
nos setores de quimioterapia e radioterapia para pacientes com câncer de 22 cidades da região
(FOTO: HOSPITAL VIDA & SAÚDE/DIVULGAÇÃO)

Inca divulga estimativa, nesta sexta, sobre a incidência de câncer no Brasil para 2018/2019
Criado em 2005 pela União Internacional para o Controle do Câncer (UICC), o Dia Mundial do Câncer é celebrado em 4 de fevereiro e tem como objetivo aumentar a conscientização sobre a doença, que mata 8,3 milhões de pessoas por ano no mundo.
A campanha segue o conceito "Nós podemos. Eu posso", escolhido pela UICC para o período de 2016-2018, que pretende mostrar como todos - em grupo ou individualmente - podem fazer a sua parte para reduzir o impacto do câncer no mundo.
Aproveitando a data, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) lança hoje, dia 2, a publicação Estimativa 2018/2019: Incidência de Câncer no Brasil. O livro traz as estimativas de novos casos de 19 tipos de câncer mais incidentes na população brasileira e ajuda gestores da saúde a elaborar políticas públicas de prevenção, detecção precoce e tratamento da doença.
O Instituto também dará continuidade à campanha sobre o estigma social do câncer, na qual tem o objetivo de desmistificar marcas negativas associadas à doença, como emoções tristes e até mesmo a morte. A ideia é acolher e mostrar afeto aos que estão tendo que lutar contra a doença, através do compartilhamento de experiências de pessoas que já tiveram câncer. Outra ação do Instituto é alertar sobre as notícias falsas sobre o câncer, que podem prejudicar o tratamento da doença.

Dicas importantes do Inca para prevenir o câncer: 
- Não fume; tenha uma alimentação saudável; pratique atividades físicas como parte da rotina diária; controle seu peso; evite ingestão de bebidas alcoólicas; evite exposição prolongada ao sol; use preservativos; e, fique alerta a qualquer lesão na boca que não cicatrize por mais de 15 dias.

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'Principais fatores de risco para a doença são o tabagismo 
e a obesidade. O consumo de álcool e o sedentarismo 
também contribuem de maneira significativa', 
diz o oncologista Pedro Lourega
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No registro principal: Médico Pedro Lourega, oncologista clínico
FOTO: DIVULGAÇÃO



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