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Atleta transexual três-maiense é a 1ª na história do vôlei de praia a jogar com uma medalhista olímpica

24/11/2017 - Por Yara Lampert
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Na semana que passou, entrevistei a transexual três-maiense Carolina Lissarassa. Em passeio por Três de Maio, visitando amigos e familiares, ela deu uma pausa na agenda e numa tarde descontraída, falou de suas conquistas, planos e o futuro como jogadora profissional de vôlei de praia.

Um pouco da história
Aos 18 anos, na época, Carolina saiu de Três de Maio e foi para Florianópolis, viajou pelo Brasil e pelo mundo. Hoje está com 27 anos.

Depoimento
"Eu sabia que era diferente dos meninos da minha idade. Eu sentia isso.  Mesmo assim, fiquei no 'armário'  até os 18 anos quando me assumi como gay, mas, ainda assim, não estava completa e nem feliz. E, aos 24 anos, me assumi como transexual. Aí comecei o processo de regulamentação dos documentos e comecei a tomar hormônios. Vencidos os trâmites legais, e com toda a documentação em ordem, hoje me chamo Carolina Lissarassa." 

O contato com o vôlei
Aos 13 anos de idade (menino), através de uma bolsa de estudo, ela teve seu primeiro contato com o vôlei. Desde então, já se destacava por suas habilidades e destreza no voleibol. Começou então, a treinar com as meninas, pois era neste meio que ela mais se enquadrava. Logo, foi adquirindo experiência e foi se destacando, até que recebeu o convite para participar de circuitos e campeonatos amadores por todo o Brasil.

Sobre Três de Maio
"Adoro a minha cidade natal. Morei aqui até os meus 18 anos e fui muito feliz aqui. Meus pais moram aqui. Tenho muito carinho por esta cidade. Aqui tenho bons amigos."

Preconceito
"Quanto ao preconceito, ele existe sim, em toda a parte. Mas, graças a Deus, também tem muita gente bacana que entende que não é o órgão genital que define a sexualidade de uma pessoa. Também não me deixo abalar pelo preconceito. Atualmente, as atletas trans estão sendo cada vez mais reconhecidas."

Taxa de hormônios
Os hormônios são todos controlados, sempre com orientação médica e orientação psicológica.

Testosterona
"A minha taxa de testosterona é igual à taxa de uma mulher, por isso, estou apta a jogar o vôlei de praia feminino".

O grande desafio
Passado este primeiro contato com o vôlei amador, ela foi convidada para participar do Campeonato Brasileiro de Vôlei de Praia, e logo de início foi treinada por Juliana Silva, medalhista olímpica. O sonho de jogar na elite brasileira sendo transexual é algo possível, segundo Carol. "Até então, isso era sonho e hoje é algo possível. Nas quadras tem transexual, a brasileira Tiffany Abreu, que conseguiu liberação para jogar na Itália e também a Isabeli, do Paraná, a primeira trans a se federar no Brasil. Estamos falando de direitos. Se ele existe, ele também é meu", destaca Carol.
Aos poucos, ela vai se firmando profissionalmente no vôlei de praia, e para isso, ela vai passar a residir e treinar em Fortaleza. 

Futuro 
"Quero me firmar profissionalmente na elite do vôlei de praia brasileiro e internacional.  Ser feliz com meu marido e torcer para que o preconceito vire coisa do passado, e possamos amar as pessoas pelo que elas são como seres humanos."

                                                                                                                                                   FOTO: DIVULGAÇÃO
Juliana e Carol no vôlei de praia, em torneio de exibição, em Porto Alegre (RS) 

FOTO PRINCIPAL: DIONATAN MORAIS



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