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População com 60 anos ou mais aumentou quase 53% em uma década e meia

24/11/2017 - Por Jornal Semanal
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Maior elevação proporcional entre os idosos de diferentes faixas etárias é verificada na população com pelo menos 80 anos: número chega a 73,75%

A população de Três de Maio com 60 anos ou mais cresceu consideravelmente nos últimos 15 anos, apontam estimativas populacionais da Fundação de Economia e Estatística Siegfried Emanuel Heuser (FEE), instituição de pesquisa vinculada à Secretaria Estadual de Planejamento, Governança e Gestão.
O Estatuto do Idoso, de 2003, classifica como idosos os cidadãos com 60 anos ou mais. Em suas estimativas, a FEE tem cinco faixas etárias a partir dessa idade: 60 a 64 anos, 65 a 69 anos, 70 a 74, 75 a 79 e 80 anos ou mais.
Nesta semana, o Jornal Semanal dá início a uma série sobre idosos, englobando os diferentes aspectos do processo de envelhecimento por que todo ser humano passa na ordem natural da vida.
A edição desta sexta também traz uma entrevista com a coordenadora do Serviço-Escola de Psicologia da Setrem (Serceps), professora Marta Lorentz.

4.691 pessoas em 2016
Quanto a Três de Maio, em uma década e meia, de 2001 a 2016, a média do aumento verificado nessas cinco diferentes faixas que integram as estimativas da FEE é de 54,81%.
Já em números absolutos, nesse intervalo, a população com 60 anos ou mais passou de 3.069, em 2001, para 4.691 pessoas, em 2016, numa elevação de 52,85% em 15 anos.
Em sua metodologia, as estimativas da FEE utilizam dados de registros de nascimentos, óbitos e matrículas escolares, o que, de acordo com a fundação, possibilita maior precisão e grau de detalhamento.
O levantamento é realizado pelo Núcleo de Demografia e Previdência da FEE e permite conhecer a evolução populacio-nal gaúcha com as estimativas segundo sexo e grupos etários em cada cidade para o período 2001 a 2016.

Os números por faixas
No município de Três de Maio, quanto à população entre 60 e 64 anos, o aumento em uma década e meia foi de 53,59%, passando de 905 pessoas em 2001 (409 homens e 496 mulheres) para 1.390 em 2016 (637 homens e 753 mulheres).
Em relação à população entre 65 e 69 anos, elevação de 47,02%: de 772 em 2001 (356 homens e 416 mulheres), o número passou a ser de 1.135 pessoas em 2016 (521 homens e 614 mulheres).
Quanto aos idosos entre 70 e 74 anos, o aumento em uma década e meia foi de 41,62%, com o número dessa população saindo de 591 pessoas (261 homens e 330 mulheres) para 837 (347 homens e 490 mulheres).
A faixa etária com o segundo maior aumento proporcional em uma década e meia foi aquela entre 75 e 79 anos, que apresentou elevação de 58,10%. Em 2001, era de 401 (146 homens e 255 mulheres), e, no ano passado, era de 634 (245 homens e 389 mulheres).
Distante de todas as outras, a faixa etária dos 80 anos ou mais foi aquela que registrou o maior aumento proporcional de população em 15 anos, com elevação de 73,75%. O número de pessoas dessa população na cidade saiu de 400 (145 homens e 255 mulheres), em 2001, para 695 (233 homens e 462 mulheres), em 2016.

aspecto psicológico
'A forma de lidar com essa situação 
é viver', diz psicóloga sobre aceitação do processo de envelhecimento
                                                                                                           FOTO: PAULO VITOR DANIEL/SETREM/DIVULGAÇÃO

Marta Lorentz, coordenadora do Serviço-Escola de 
Psicologia da Setrem, considera que atualmente os idosos percebem 'a potencialidade de vida que essa fase traz'

A professora do curso de Psicologia da Setrem Marta Lorentz vê existir entre a população idosa, atualmente, um "movimento de se cuidar, se manter ativo". Ela menciona, relacionados a isso, o fato de as pessoas estarem vivendo mais e o avanço da ciência.
Coordenadora do Serviço-Escola de Psicologia da Setrem (Serceps), ela diz, quanto a haver na sociedade um olhar mais atencioso e mais opções para os idosos, que "toda essa mudança leva as pessoas dessa idade a perceberem a potencialidade de vida que essa fase traz".
Em entrevista ao Semanal, a professora também chama atenção para a importância do aspecto emocional presente no processo de envelhecimento. E, sobre a aceitação desse processo, ela sintetiza: "Eu diria que a forma de lidar com essa situação é viver".

Nota-se que o idoso de hoje é diferente do idoso de décadas passadas, principalmente no quesito autoestima, disposição e vitalidade. Em sua opinião, por que isso está ocorrendo?
Em primeiro lugar, porque nossa população está vivendo mais. O avanço da ciência auxilia muito na questão de medicação e tratamentos de ponta, o que mantém as pessoas com mais saúde. Com isso, a população idosa tende a aumentar e hoje existe esse movimento de se cuidar, se manter ativo.
Os grupos de terceira idade estão aí para nos mostrar isso. Eles esbanjam energia. A possibilidade de pertencer a um grupo, ter direito à alegria, a paquerar, tudo isso são fatores que mantêm a energia vital em alta.
Importante que esses movimentos dos idosos marcam as possibilidades. Antigamente, era "aposentou, coloca o pijama e espera a morte"; hoje isso não é mais regra.

A imagem clássica do "velhinho de cabeça branca e bengala" não se aplica mais?
Alguns fatores contribuíram para essa nova forma de encarar a velhice, como os avanços médicos e tecnológicos, a revolução sexual e a própria globalização. Economicamente, esse é um novo segmento de mercado. Existem agências de turismo especializadas em intercâmbio e viagens para essa faixa etária.
Toda essa mudança leva as pessoas dessa idade a perceberem a potencialidade de vida que essa fase traz. Existem muitas opções voltadas para a atividade física. Isso motiva os idosos a se engajarem nessas atividades, que até um tempo atrás eram vistas como coisa de jovem.

Quais as alterações mais visíveis e comuns no comportamento e no desempenho da memória e da inteligência conforme o passar do tempo?
O cérebro humano também sofre os efeitos do envelhecimento, de forma que podemos observar mudanças também no comportamento, na memória e na cognição, como uma maior dificuldade para aprender novos dados e para se lembrar de algumas informações.
Ao mesmo tempo, as atividades rotineiras exigem mais esforço e tempo para serem realizadas. Então, o idoso precisa ser mais exposto a uma nova aprendizagem para que ela ocorra de forma eficiente.
Importante falar também da parte emocional nesse processo de envelhecimento. A nossa cultura valoriza muito o novo e o belo. Sendo assim, automaticamente, o não tão belo e não novo ocupa um lugar menos relevante na nossa sociedade.
Essa desvalorização é muito sentida pelos idosos. Em uma sociedade pautada pelo valor econômico e produtivo, uma pessoa que está afastada desse circuito tem menos valor.
Muitas vezes, é a própria percepção desse novo lugar social que traz importantes alterações no comportamento do idoso e o leva a se tornar menos ativo socialmente, o que, por sua vez, acelera o processo de envelhecimento.

Quais são os recursos que podem ativar mais a memória e o raciocínio dos idosos?
Os jogos, as palavras cruzadas, dançar, entre outros. A alimentação saudável, a atividade física e manter a saúde geral são fatores diretamente ligados às funções cerebrais.
Também, a atividade social é muito importante. Participar de grupos da comunidade, da unidade de saúde, da igreja, o contato com a família, com netos, amigos, tudo isso desenvolve o sentimento de pertencimento e auxilia a manter um sentido na vida diária.

O envelhecimento é um processo natural. Contudo, muitas vezes, não é tão facilmente aceito por quem o vivencia. Como lidar com essa situação e evitar problemas de depressão, ansiedade e estresse nessa fase da vida?
Eu diria que a forma de lidar com essa situação é viver. Sobre problemas de depressão, ansiedade e estresse, precisamos investir na prevenção dessas doenças, trabalhar as questões emocionais, lembrar que por trás de cada pessoa existe um sujeito psíquico.
As pesquisas revelam que as dificuldades não aparecem na velhice: elas apenas ficam mais visíveis, uma vez que o idoso pode passar por momentos de maior fragilidade, quando esses traços vêm à tona.

                                                                     FOTO: GABRIEL LAUTENSCHLEGER/PREFEITURA DE TRÊS DE MAIO/DIVULGAÇÃO

FOTO PRINCIPAL: GABRIEL LAUTENSCHLEGER/PREFEITURA DE TRÊS DE MAIO/DIVULGAÇÃO



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