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Conjunto Sul a Norte: carreira interrompida por trágico acidente

29/09/2017 - Por Jornal Semanal
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Hoje, 29 de setembro, faz 43 anos de uma das maiores tragédias de Três de Maio. Quatro jovens músicos e o motorista do Maverick, morreram em acidente de trânsito no retorno de uma reunião dançante em Horizontina 

A cada ano que passa, a data de 29 de setembro traz uma série de lembranças para a aposentada Líbera Sabino da Silva, 78 anos, de Três de Maio. Há 43 anos, a data do seu aniversário de 35 anos ficou marcada para sempre na memória, não pela comemoração, mas por uma grande tragédia que ocorreu na época.
Era 29 de setembro de 1974 e o Conjunto Musical Sul a Norte, de Três de Maio, formado por quatro jovens de 30 e poucos anos, estava no auge do sucesso, animando bailes e festas em Três de Maio e arredores. O conjunto tocava músicas gauchescas, de baile, mais populares e tinha, inclusive, músicas gravadas em fitas cassetes e muitos trabalhos autorais, de composição própria. 
Nessa data, no retorno para casa, após animar um evento em Horizontina, nas proximidades da comunidade de Manchinha, o Maverick conduzido pelo motorista da banda, possivelmente, perdeu o controle da direção e colidiu de frente com um ônibus que vinha em sentido contrário. O acidente pôs fim a uma carreira promissora, aos sonhos e ao futuro dos jovens músicos. Morreram no local os integrantes da banda, Nazareno, Melinho, Adãozinho e Risadinha (Sabino) e o motorista Mauri Holwes. Havia ainda dois ocupantes no veículo, que sobreviveram.
Dona Líbera recorda do fato como se fosse hoje. Na época, o esposo Adão Sabino da Silva (já falecido), era para ter ido junto com a banda para Horizontina. Acabou não indo porque estava ajudando a organizar a festa de aniversário dela. "Ele ficou porque tínhamos que carnear um porco e fazer umas cucas para a festa. Antes de irem tocar o baile, vieram me dar parabéns e um quadro de presente. Infelizmente, aconteceu essa tragédia". 
O jantar em comemoração do aniversário dela acabou saindo, com os demais convidados. A festa terminou por volta das 23 horas e os músicos estavam demorando para chegar. Jamais imaginavam a triste notícia que iriam receber.

Velório coletivo e muita comoção
Conforme dona Líbera, o acidente deve ter ocorrido por volta das 20 ou 21 horas, mas a família só ficou sabendo de madrugada, por volta das 3 horas. Como na época era mais difícil a comunicação por telefone, a demora no resgate das vítimas pode ter impedido que mais vidas fossem salvas, pois dos sete ocupantes do veículo, apenas dois sobreviveram. Além disso, ela opina que o fato da estrada ser de chão batido, com pedras soltas, pode ter contribuído para  o acidente. 
A aposentada relembra que as cucas e demais pratos elaborados para a sua festa acabaram sendo servidos para as pessoas que vieram no velório. "Foi muito triste. O velório coletivo ocorreu no salão paroquial católico, que estava sendo construído. Tinha muita gente que veio se despedir deles. No cemitério, todos foram enterrados numa carreira só"
Dona Líbera perdeu o cunhado no acidente, Arlindo Sabino (Risadinha). "Penso até hoje, se o Adão tivesse junto com eles, poderia ter morrido. Todos os músicos eram casados, tinham filhos e família", diz emocionada.
A aposentada que completou nesta semana, 78 anos de idade, viúva há 25 anos do radialista e músico Adão Sabino da Silva, fala da fé e da superação que as famílias das vítimas do acidente tiveram que ter, para levar a vida adiante. "Eu lembro disso cada vez que faço aniversário. É um filme que passa na minha cabeça. Uma história tão bonita, que acabou de repente, de forma tão triste", finaliza.

Músico Nego Peca e dona Líbera Sabino da Silva

Nego Peca gravou música em homenagem ao Sul a Norte
Com letra do amigo Paulo Alberto Silva (Paulinho Silva, já falecido), o músico Nego Peca gravou, em seu quarto CD, há nove anos, a música "Homenagem ao Sul a Norte", um tributo ao conjunto musical, vitimado pelo fatídico acidente.
Nego Peca, 22 anos de carreira, natural de São Miguel das Missões, tem em seu repertório músicas missioneiras, de raiz, e gauchescas, ao som da gaita botoneira. 
Há 35 anos residindo em Três de Maio, o músico tem quatro CDs gravados, em carreira solo, e dois em parceria com outros músicos. Tem ainda, um DVD carreira solo, e outros dois em parceria. 
A história da música
Cerca de dois a três anos antes de falecer, Paulinho Silva procurou Nego Peca para lhe entregar uma música que havia feito em homenagem ao conjunto. "Eu estava em estúdio para gravar meu quarto CD, quando Silva me procurou. Considerei importante gravá-la porque se tratava de um conjunto de artistas que eu costumava ouvir, quando criança, num programa da rádio Colonial, que tinha como apresentador Adão Sabino da Silva. Fiquei entristecido, e ao mesmo tempo, lisonjeado, por ser escolhido como a voz deste triste fim.  Junto com meu amigo Silva, deixei meu legado, através dessa música", destaca.  
Nego Peca recorda que o amigo Paulo Silva também teve a vida ceifada em um acidente de trânsito, no feriado de 7 de setembro, no ano de 2007. Triste coincidência, a saveiro conduzida por Paulinho (na época com 48 anos) colidiu de frente com um ônibus, na RS 342, na entrada da cidade de Três de Maio. 

MÚSICA 
Homenagem  ao Sul Anorte

Vinte nove de setembro
Cruel dia sem sorte
Morreu na maior desgraça 
Os nossos amigos fortes
Eram quatro componentes 
Do conjunto Sul Anorte

Era o amigo Melinho
Nazareno e Adãozinho
Todos mortos no automóvel 
Também o Arlindo Sabino
E o motorista Mauri Holwes

Como é triste eu recordar
Todos mortos bem juntinho
Isso foi uma tragédia 
Que cruzou nossos caminhos
Ao lado estava chorando 
Suas esposas e seus filhinhos 

Eu peço perdão pra Deus
Se o que eu faço está errado
Mas quero que o povo saiba 
Ficou bem assinalado
Vinte e nove de setembro
De sangue ficou manchado 

Para o povo três-maiense
Eu canto de peito aberto
Mas quero que me perdoem
Se o que eu disse não tá certo
Do dia triste
Meu peito ficou deserto

Letra: Paulo Silva
Música: Nego Peca

Na foto principal:Em pé, músicos que foram vitimados no acidente, no dia 29 de setembro de 1974

FOTOS: ARQUIVO PESSOAL




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