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Acumuladores: Quando guardar vira uma doença

15/09/2017 - Por Yara Lampert
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'Quem guarda, tem'. O ditado popular não funciona com quem tem dificuldade de fazer algo que é corriqueiro para a maioria das pessoas: se livrar de objetos, roupas, papéis, revistas, jornais, discos, livros e outros pertences, mesmo que eles não tenham utilidade alguma, estejam fora de moda, estragados ou obsoletos. Os chamados acumuladores compulsivos acumulam verdadeiras montanhas de coisas e peças, que ao longo dos anos vão se tornando lixos. Em março de 1947, a polícia de Nova York foi chamada para investigar a descoberta de um cadáver em um edifício de três andares no Harlem. O lugar pertencia a dois irmãos idosos, Langley e Homer Collyer. Montanhas de lixo chegavam até o teto, incluindo 14 pianos, e, um automóvel. A história dos Collyer pode ser exagerada, mas ajuda a entender um problema psíquico que afeta cerca de 4% da população mundial e é caracterizado pela fobia de guardar tudo. A pessoa passa a ficar dependente do que adquire, a tal ponto de não se desfazer de nada.

Síndrome de Diógenes
A ânsia de não descartar nada e ainda guardar coisas que outros não querem mais, não tem nada de engraçado e é uma doença, conhecida como "síndrome de Diógenes".
O distúrbio se caracteriza pelo acúmulo de objetos em grandes proporções e pelo isolamento social. Ao contrário do demente, que zanza pelas ruas sem nenhuma ligação com a realidade, essas pessoas são lúcidas e não têm qualquer alteração fisiológica no cérebro.

Quem sofre mais com a doença?
Apesar da maioria dos casos surgir nos idosos, esta desordem também pode afetar pessoas mais novas, principalmente as pessoas que sofrem de esquizofrenia ou de uma doença obsessiva compulsiva.

O que é a acumulação compulsiva?
Consiste na aquisição ou recolha ilimitada de bens ou objetos que, por vezes, já foram descartados pelos outros. Além disso, são incapazes de usar ou jogar fora os objetos ou bens mesmo quando eles são inúteis, perigosos ou insalubres.
O acumulador compulsivo no seu extremo é por vezes apelidado de "colecionador de lixo", uma vez que reúne determinados artigos que produzem maus cheiros e estes atraem insetos e roedores. Essa pessoa também poderá juntar livros, revistas, ferramentas, recipientes, metais, móveis, eletrodomésticos, entre outros materiais, correspondendo à imagem dos sem-abrigo que juntam todo o tipo de velharias.
Para entender como os acumuladores compulsivos chegam a este ponto, é necessário perceber o funcionamento da desordem mental, tentando compreender que, para as pessoas afetadas, nenhum dos objetos recolhidos é lixo.

Porque as pessoas acumulam compulsivamente?
Trata-se de uma perturbação que é definida por três características principais:
Tal como a maioria dos comportamentos obsessivos, a acumulação compulsiva começa de uma maneira lenta e desenvolve-se de uma forma progressiva. Por exemplo, uma pessoa pode pensar que a informação que surge no jornal de hoje pode ser muito útil num momento posterior e, como tal, vê-se obrigada a guardar o respectivo jornal. Posteriormente, pode considerar que, acidentalmente, colocou algo de valioso no lixo e mantém esse saco de lixo em casa. E a partir daí pode passar a colecionar todos os objetos ou animais que encontra na rua, de modo a atenuar os seus sintomas de ansiedade.
A acumulação compulsiva pode ser um indicador de um enorme sentido de responsabilidade ou medo de errar, pois é uma forma das pessoas se auto pressionarem para fazerem tudo bem feito.

Quais os sinais de acumulação compulsiva?
Uma sala cheia de livros ou de animais de estimação não significa que uma pessoa seja um acumulador compulsivo. A acumulação compulsiva interfere com os passatempos e atividades do dia-a-dia e faz com que os seus pacientes queiram ficar isolados, sem ver outras pessoas. Normalmente, eles vivem em condições anti-higiênicas, são pessoas deprimidas, por vezes, incapazes de cuidar de si próprios, e acabam por ficar muitas vezes doentes.

Quais as causas da acumulação compulsiva?
A acumulação compulsiva é uma perturbação mental que não nasce com a pessoa, mas podem existir traços de personalidade que conduzem ao seu aparecimento. Alguns desses traços revelam-se com a morte de um familiar, dificuldades econômicas, conflitos pessoais ou profissionais ou, no caso dos idosos, por vezes, com o fato de não se saberem ajustar à reforma ou solidão. 

Ajuda especializada
Tenha em atenção que, ao fazer uma limpeza geral à casa de um acumulador compulsivo, ele vai ficar com uma sensação de vazio e perda muito grande, o que vai fazer com que recolha tudo de novo e em maiores quantidades. Para que tal não aconteça, deve procurar ajuda especializada, pois existem formas de ajudar as pessoas a superarem esta compulsão.

Como tratar a acumulação compulsiva?
Para o acumulador compulsivo não existe nenhum erro ou problema com o seu comportamento. No entanto, esse sintoma faz parte da doença. A acumulação compulsiva é um transtorno mental que foi reconhecido recentemente e a pesquisa acerca dos melhores tratamentos está apenas a dar os primeiros passos. No entanto, alguns métodos têm tido um sucesso assinalável, como a terapia cognitivo-comportamental e a medicação adequada.

A terapia cognitivo-comportamental
A terapia cognitivo-comportamental concentra-se em localizar as causas da acumulação compulsiva, nomeadamente as raízes da ansiedade. Ao fazê-lo, é possível mudar aos poucos a mentalidade da pessoa afetada. Esta terapia pode ser muito demorada (meses ou anos) e exige grande dedicação ao processo de recuperação, mas permite que um acumulador compulsivo readquira hábitos de vida normais.

A medicação
A terapia é muitas vezes combinada com a medicação, o que ajuda a maximizar os resultados. Atualmente, os produtos farmacêuticos utilizados no tratamento da acumulação compulsiva são aqueles que são usados para ajudar os pacientes que sofrem de transtornos obsessivos compulsivos, isto é, os inibidores seletivos da recaptação de serotonina e outros antidepressivos.

Problema psíquico afeta cerca de 4% da população mundial 
e é caracterizado pela fobia de guardar tudo. 
A pessoa passa a ficar dependente do que adquire, 
a tal ponto de não de não se desfazer de nada.

 

Fontes: psicoativo.com/dicionariodesindromes.blogspot.com.br


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