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Síndrome de Down: tratando as dificuldades, investindo nas potencialidades

01/09/2017 - Por Jornal Semanal
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Alan, exemplo de superação e autonomia

Conheça a história do jovem de 22 anos, portador de síndrome de down, 
que quebra barreiras e luta pela realização dos seus sonhos

Exemplo de amor incondicional: 
a mãe Antoninha Moura Corim, 62 anos, e o filho Alan Corim Bonfanti, 22

Alan Corim Bonfanti tem 22 anos. Concluiu o Ensino Médio e é formado no curso Técnico em Vendas da Setrem, mora sozinho e trabalha na loja Quero Quero, em Três de Maio. 
Muito alegre e comunicativo, conquista amigos por onde passa. Também gosta de esportes, pratica taekwondo três vezes por semana e, como muitos jovens da sua idade, adora música, especialmente, o funk.
Até aí, nada fora do comum. A não ser pelo fato dele 'ter um cromossomo a mais'. Ou seja, Alan é portador da síndrome de down. 
A mãe Antoninha Moura Corim, 62 anos, o classifica como um grande guerreiro. Quando grávida, ela e o esposo, Orlando Luiz Bonfanti (falecido há 12 anos), sabiam que o filho teria um problema cardiovascular, pois a gravidez era de risco. A surpresa foi revelada na hora do nascimento, com o filho portador da síndrome de down.
Alan é filho único de Antoninha, mas por parte de pai, ele tem mais quatro irmãos. Antes de tê-lo, ela perdeu dois bebês, logo no início da gravidez. Para a mãe, o filho especial é uma benção, além de ser seu companheiro e grande amigo. "Eu tinha 39 anos quando ele nasceu. Enfrentamos muitas dificuldades, em todos os sentidos. Mas valeu a pena. Pais com filhos especiais têm que lutar, se dedicar, monitorar, acompanhar, estimular e investir muito", orienta.
Quando se refere em investir, a mãe destaca que trata-se de 'tempo e dinheiro'. "Procurei orientação e acompanhamento de médicos, especialistas, o que me fez sentir mais segura. Sempre fui muito ativa e, coincidentemente, uns meses antes dele nascer, eu tinha ido à uma palestra que falava sobre síndrome de down. Acho que isso foi uma preparação divina. E a partir do nascimento, tive muito apoio da família, amigos, pessoas bem instruídas, da área médica, que me acompanharam. Não esqueço do médico pediatra dele, que disse: 'Antoninha, você é uma pessoa de bem, tão evoluída, teu filho vai ser aquilo que você quiser, por isso, lute por ele'".

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"A mãe tem que estimular seu filho desde o ventre. E depois que nasce, muito mais. E, se é uma criança especial, como é o caso do Alan, tem que se esforçar muito mais e buscar conhecimento, para saber lidar com as dificuldades do dia a dia, entender, agir e respeitar as limitações"

"Às vezes, a exclusão ocorre dentro da própria família e amigos mais próximos; seja por falta de entendimento, por falta de aceitação, por falta de fé e coragem para enfrentar as diferenças de frente. Mas temos que saber lidar com isso".

"Eu luto para que as pessoas tenham respeito pelo meu filho. Um dia, na escola, um guri disse; comparando o Alan com outro menino (que também tem down), e ambos pegavam ônibus juntos. 'Lá vão os dois loucos, o louco do interior e o louco da cidade'. Ah, eu subi no ônibus e sentei do lado do menino. Perguntei pra ele porque ele havia dito aquilo. O guri disse 'tia, eles são meio maluco mesmo'. 
Eu indaguei se um dia, ele queria casar e ter filhos. Ele disse, 'acho que sim; mas não quero um filho assim'. E eu falei: você sabe que não tem escolha, Deus é quem decide? E fomos conversando. Até que o guri me disse que havia crescido sem pai. E eu relatei - aquele menino, do interior -, também não tem pai, já é falecido. Mas ele é especial e tem mãe. E a mãe dele sou eu. O guri 'amarelou' e me pediu desculpas. E emendou, 'ai tia, o que eu faço?'. E eu aconselhei: nada meu filho; só aprenda a respeitar mais o ser humano, que a partir daí, você vai ser alguém melhor".
Antoninha Moura Corim, mãe de Alan Corim Bonfanti

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"As crianças, os jovens e os adultos com síndrome de Down podem ter algumas características semelhantes e estar sujeitos a uma maior incidência de doenças, mas apresentam personalidades e características diferentes e únicas. É importante esclarecer que o comportamento dos pais não causa a síndrome de Down. Não há nada que eles poderiam ter feito de diferente para evitá-la. Não é culpa de ninguém. Além disso, a síndrome de Down não é uma doença, mas uma condição da pessoa associada a algumas questões para as quais os pais devem estar atentos desde o nascimento da criança. As pessoas com síndrome de Down têm muito mais em comum com o resto da população do que diferenças. Se você é pai ou mãe de uma pessoa com síndrome de Down, o mais importante é descobrir que seu filho pode alcançar um bom desenvolvimento de suas capacidades pessoais e avançará com crescentes níveis de realização e autonomia. Ele é capaz de sentir, amar, aprender, se divertir e trabalhar. Poderá ler e escrever, deverá ir à escola como qualquer outra criança e levar uma vida autônoma. Em resumo, ele poderá ocupar um lugar próprio e digno na sociedade".
Organização Movimento Down

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FOTOS: ALINE GEHM


Confira a matéria completa no jornal impresso






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