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Fora da zona de conforto: estudante encara a vida em outro país, outra cultura e outro idioma

01/09/2017 - Por Jornal Semanal
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Patrick Müller Depner, 18 anos, participou do intercâmbio do Rotary na cidade de Künzelsau, na Alemanha

Viver em outro país, aprender novos costumes e se comunicar em outro idioma. Para os jovens que se lançam neste desafio, a oportunidade de crescimento pessoal e as novas experiências são mais válidas do que qualquer dificuldade que possa aparecer do outro lado do mundo.
Nesta edição do Semanal, relatamos a experiência de Patrick Müller Depner, 18 anos, que realizou o intercâmbio cultural do Rotary, por um ano, na Alemanha. Filho de Cleiton Depner e Elizângela Müller Depner, o jovem retornou ao Brasil em agosto.
O estudante do terceiro ano do Ensino Médio ficou na cidade de Künzelsau, com cerca de 14 mil habitantes, no estado de Baden-Württenberg, sede da multinacional Würth. Segundo ele, a cidade, assim como todo o país, é muito bem organizada e desenvolvida, independente de ser relativamente pequena.

Oportunidade de participar do intercâmbio do Rotary
Patrick conta que o primeiro contato com o programa de intercâmbio foi quando esteve participando do Interact Clube de Três de Maio. O grupo teve contato com a experiência de   Marcelino Colla Júnior que havia participado do projeto, na França.  "Me encantei pelo projeto, mas, ainda assim, a ideia de viver em outro país por um ano me parecia muito distante. Até que, com a troca de ideias com o irmão de Marcelino - o Matheus - que também havia participado do intercâmbio, decidi (juntamente com minha família) me inscrever em 2015".

Rotina e dificuldades iniciais
A rotina, em dias letivos, se baseava em levantar pelas 6h30 e tomar café da manhã com o irmão e os pais da família que lhe hospedaram. "Saía de bicicleta (fora o inverno) para a escola. Em alguns dias havia aulas à tarde. Voltava para casa ou visitava a minha avó. Poderia ajudar nas refeições, passear com a cachorra da família, jogar algum jogo ou discutir sobre algum tema com a família, escutar músicas ou falar com outros intercambistas. Fora dos dias letivos combinava com meus amigos alguma viagem nas férias ou algum encontro".
Patrick ressalta que, algumas dificuldades iniciais foram o idioma e fazer amizades na escola. "Minha relação com os colegas era boa, mas era difícil compreender suas personalidades e o que eu poderia fazer para me incluir mais nos seus grupos de amigos. Essa diferença de visão das coisas e de personalidades se expande também para todos os convívios", observa. 
Segundo o jovem, além da língua alemã, o conhecimento sobre o mundo em geral 'fora da zona de conforto', o comportamento dentro de outra cultura, a oportunidade de fazer um estágio em uma empresa e a maior identificação com o próprio país, são aspectos importantes que ele traz de aprendizado.

Patrick com a  família hospedeira no Natal de 2016 

Encontro viking em uma cidade vizinha na Alemanha 

Culinária, costumes e tradições locais
Para o paladar de Patrick, a culinária alemã é maravilhosa. Desde pratos regionais como Spätzle ou Maultasche até os inúmeros tipos de pães, linguiças e pratos variados com maçãs, passando pelos conhecidíssimos Schweinshaxe, Sauerkraut, Knödel, Schnitzel ou Bretzel com manteiga. Os biscoitos de natal não ficam atrás das deliciosas tortas ou outros doces como o Berliner e Kaiserschmern. "Como o meu estado era vizinho da Bavária, na época de setembro/outubro, as roupas típicas (e donas do estereótipo que temos da Alemanha) tomam conta das Oktoberfests, na região sul. Alguns outros costumes são os domingos totalmente dedicados ao momento em família, com o comércio fechado e os mercados de Natal que se espalham pela Alemanha, no mês de dezembro. Vivi em um país muito rico culturalmente e esses são apenas alguns costumes que vi por lá", informa.

Valorização da história e acesso à cultura
A organização do sistema da cidade é reflexo do país, englobando todos os aspectos. Desde o cuidado com o meio ambiente até o sistema de ensino, leis e transporte. "A idade limite para beber algumas bebidas alcoólicas e ter carteira de motorista me chamou atenção, assim como a reciclagem e a energia limpa, fora a infraestrutura de estradas e vias férreas. Minha família também tinha o costume de fazer bastante trabalho manual em casa e buscavam alguma atividade em família aos fins de semana. Valorizam bastante sua história e o acesso à cultura, de maneira geral, é destaque".

Sistema de ensino baseado no desempenho do estudante
Conforme Patrick, a partir de certa idade e depois de passar pelo ensino básico, a criança é avaliada por pais e professores, que em conjunto decidem indicar entre os tipos de escola para ela baseando-se no seu desempenho. 
"O tempo de escola é respectivo conforme a habilidade do estudante, que após terminar, possui diversas opções para ingressar no mercado de trabalho (através de cursos técnicos) ou ingressas em uma faculdade (se estiver no 'Gymnasium' ele pode fazer no final do ensino, o 'vestibular'). Eu estava em uma escola do nível Gymnasium, focada na área de esporte e música. Assim, na minha turma, eu tinha mais períodos de esporte na grade curricular".
Por outro lado, o jovem revela que o ensino não era tão aprofundado nos conteúdos como no Brasil. "Era mais leve, porém, exigia mais raciocínio próprio e formação de ideias e opiniões do aluno. A estrutura do colégio público, onde estudei era espetacular. As provas eram sempre descritivas. Havia também matérias como política, religião ou ética (opta-se entre essas) e música. Os professores, com graduação em duas matérias, se dedicavam em tempo integral à escola".

Oportunidade de aprendizado 
"Não existe melhor ou pior quando falamos em países, mas sim, o diferente, e vale trazer um pouco de cada cultura para que possa ajudar a melhorar o nosso cotidiano e o nosso meio", avalia o estudante. 
Para ele, o contato com outras pessoas, de diversas partes do mundo, suas maneiras de viver e suas línguas são experiências que agregaram, e muito, para o crescimento pessoal, amadurecimento, independência e entendimento do seu país e do mundo. "Tudo o que vivi, trouxe um aprendizado, que nunca teria, sem a oportunidade do intercâmbio", alega.

 Festa popular de setembro/outubro em Rosenheim, na Bavária

Além de conhecer várias cidades da Alemanha, Patrick teve a oportunidade de visitar a Áustria, Basileia, na Suíça, Praga na República Tcheca, Holanda e França. "Aproveitando que minha família do Brasil foi me visitar, viajamos também à Espanha, Bélgica e Inglaterra", destaca. No registro, Patrick em Londres

FOTOS ARQUIVO PESSOAL




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