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Depressão e bipolaridade - Parte 3

28/07/2017 - Por Yara Lampert
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Mais amor, mais compreensão, mais respeito ao próximo. Precisamos aprender a cultivar estes sentimentos. Para alguns, estes sentimentos andam um pouco esquecidos. Cuidado, alguns telhados podem ser de vidro. 

Abaixo, dois depoimentos de leitores que, sofrem com esta doença. Leia e reflita:

"Um dia de cada vez. Sou uma caixinha de surpresas. É tudo muito intenso: a alegria é intensa, o riso é intenso, o choro é intenso, o sofrer é por completo, o amor é por completo. Não existe meio termo, é 8 ou 80. E creiam, dói muito mais do que alegra. O humor varia várias vezes durante um mesmo dia, pode ocorrer de um minuto para o outro. A impulsividade me deixa à margem de tudo. Num rompante de raiva posso dizer tudo o que penso e mais o que imagino para uma pessoa. Assim que desabafei já vem o remorso, e o choro e o arrependimento. O interessante é que isso não acontece com estranhos e sim, com os que mais amo, mais próximos a mim.
No início foi difícil aceitar o diagnóstico e saber que teria que conviver com ele. O medo da família e da sociedade te considerarem louca por começares uma saga entre psiquiatra, neurologista, psicoterapeuta. A dificuldade é ouvir não e saber dizer não e este, é um dos primeiros pontos que o psicoterapeuta trabalha.
A sensação é de que à qualquer momento você pode explodir, de raiva ou de alegria. Sempre os extremos.
Amo minha família, amo meu trabalho, tenho muita fé em Deus e um médico maravilhoso, que cuida muito bem da medicação (sim, por que não é um medicamento isolado mas sim, uma associação deles e que às vezes demora para conseguir o ajuste ideal para o teu organismo), além de conversar muito comigo, saber das minhas angústias e dos meus anseios. Sofro de insônia, que está sendo tratada. Desenvolvi uma doença incurável e irreversível chamada fibromialgia e, aí junto, veio à depressão. Tristeza, apatia, introspecção, vontade de me isolar. Mas não pode. 
Passei muito tempo julgando que o mundo me devia, que as pessoas me deviam. E foi através da psicoterapia que tomei consciência de que o problema que tanto vejo nos outros está em mim e que ninguém tem culpa do que eu vivo. Antes eu caminhava entre eles e me peguntava se todos gostavam de mim, hoje eu olho em volta e me pergunto se eu gosto deles. Não posso me isolar e nem, tampouco, ignorar a condição que vivo. Devo ser uma pessoa sociável, aceitar os limites dos outros e respeitar os meus.
Sofro por que perdi o respeito das pessoas que mais amo, que mais tentaram me ajudar e eu não me ajudei. Sei que preciso reagir segundo após segundo para que me torne alguém melhor e reconquistar os que amo.
Não deixo aqui só um desabafo mas sim, creio que seja minha tarefa dar uma mensagem para as pessoas não se "encostarem" numa doença, não simplesmente aceitarem um diagnóstico.
Para que não aceitem que a bipolaridade tire suas felicidades. A bipolaridade é uma doença mas as pessoas que nos cercam não precisam ficar doentes também. Todos podem ter uma qualidade de vida mesmo com limitações. O passo principal é assumir que existe um problema e que as outras pessoas não têm culpa desse problema. É preciso buscar tratamento para que possa minimizar a mudança de humor. Compartilhar experiências, angústias, anseios, medos, alegrias com pessoas que sofrem do mesmo que você, é um processo de auto-ajuda muito valioso.
É preciso ter fé e esperança de que dias melhores virão, é preciso acreditar  que o choro pode durar uma noite, mas que a alegria vem pela manhã e, principalmente, ter coragem para não aceitar o turbilhão interno que se vive. Viver com um pouco menos de emoção e tentar identificar o que te deixa mal para não repetir os mesmos erros."

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"Fui diagnosticada com bipolaridade há mais de dez anos. Na época ,não existiam exames específicos pra isso, se tornando uma doença  de difícil compreensão. No decorrer da vivência com a bipolaridade escutei inúmeras vezes piadas, gracinhas referentes a isso, palavras que me magoavam muito, como se isso tivesse sido  algo que  escolhi pra mim, que decidi ter. 
Sempre conversava com Deus e pedia á ele o porque  de não ter  me mandado  um câncer , sei, sei que  isso é algo horrível, mas é algo que eu sabia que apesar de ser  sofrido,  teria um tratamento e após ele a cura e então tudo ficaria bem.  Mas não essa maldita doença, a bipolaridade , a qual não existe nenhum tipo de cura , e a única solução é aprender a conviver com ela, pois  você ira conviver com isso para o resto da vida, vivendo com ela  como se todo dia  fosse  o último dia da sua vida. Você  vive em função da doença , tentando arrumar uma solução e parece que nunca encontra . Muitas vezes passa pela cabeça desistir de tudo e pensa que a única coisa que resta é morrer, não para acabar com a vida, mas pra acabar com tanta dor, aquela que só um bipolar entende. 
Cada vez que você tem uma crise é uma dor tão profunda, uma solidão tão grande que só pode se igualar a morte, você pode conviver com alguém que tenha a doença e pode não saber que a pessoa tem. Por isso, fique atento aos sinais, nem toda felicidade é verdadeira e nem todo silêncio é timidez, e o mais importante de tudo, não julgue as pessoas, você pode estar bem próximo á alguém, ou ter alguém ao seu lado, ou mesmo na família sem saber que ela tenha a doença. É uma doença terrível, cruel, silenciosa que vai te correndo e te levando os poucos, ao ponto de que o que você tem na vida que o que  você tem aqui não seja o suficiente  para querer continuar aqui, são dias muito difíceis .
Hoje tomo remédio,  posso dizer que estou estabilizada, curada? Até agora dizem que não existe a cura.
Mais uma coisa importante: pra você que brincou ou faz piada com isso, pense que cada morte que acontece você colaborou para que essa difícil decisão fosse tomada. Você ajudou colocando um pedacinho de remédio na boca, a ponta da faca no pulso, a corda no pescoço, o revólver na boca; por isso pense muito bem antes de julgar ou fazer qualquer tipo de comentário, pois ela pode estar ao seu lado, sem você saber.
Existe uma pessoa em Três de Maio que nos ajuda muito a conviver com a doença, nos medicando e auxiliando para sermos uma pessoa melhor  e para que aprendemos a conviver coma doença. Pra mim, ele é um anjo sem asas que está sempre disposto a atender e escutar o meu chamado, o Dr. Valdemar Borges Neto."



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