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SUCESSÃO RURAL - Tudo em família

28/07/2017 - Por Jornal Semanal
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Fábio Dalla Vechia começou ajudando os pais na propriedade da família, foi trabalhar fora,  estudou, concluiu uma graduação, e é novamente na propriedade que ele trabalha e aplica o conhecimento adquirido

A trajetória profissional de Fábio Luís Dalla Vechia sempre esteve, de alguma forma, ligada ao agronegócio. Mas, em meio a atividades desenvolvidas em outros locais durante todo esse tempo - e em meio ao conhecimento adquirido em anos de estudo -, a última mudança, que já tem alguns anos, tendo sido realizada em 2011, colocou Fábio no mesmo lugar em que essa caminhada começou: a propriedade da família, no Km 13, interior de Três de Maio.
"Minha convivência com meus pais (Atilio e Beatriz) sempre foi muito boa, mas o que foi primordial para minha volta à propriedade para trabalharmos juntos foi o fato de eles estarem sempre me incentivando, independentemente de onde eu estivesse trabalhando, e de sempre deixarem a propriedade e a casa de portas abertas para eu voltar quando quisesse", conta ele.
Embora trabalhe na propriedade rural da família, Fábio, 29 anos, reside no Bairro Glória, com a esposa, Ana Paula Cecatto, 33, doutora em Agronomia e professora e coordenadora do curso de Tecnologia em Laticínios da Setrem, e o filhinho do casal, Antônio Cecatto Dalla Vechia, 1 ano e 2 meses.
Na propriedade, a família produz soja, milho, trigo e canola, estes para comercialização, e gado, aves, hortaliças e frutas, para consumo próprio. O irmão de Fábio, Valério, 37 anos, também trabalha no local - auxilia no planejamento e gestão da propriedade e nos períodos de maior demanda de mão de obra, como no plantio e colheita.

Ligação com o agronegócio também nos estudos
O estudo de Fábio durante seu período escolar também foi ligado à área em que ele sempre se enxergou trabalhando. Concomitantemente ao ensino médio, cursou Técnico em Agropecuária, no qual veio a se formar, e, no primeiro semestre de 2006, ingressou no curso de Engenharia de Produção da Setrem, se formando no segundo semestre de 2010.
"Iniciei cedo minha trajetória profissional, ajudando meus pais nas atividades do dia a dia da propriedade rural, mas nós sempre demos prioridade aos meus estudos", relata ele. "Meus objetivos eram continuar me aperfeiçoando pessoal e profissionalmente, com o intuito de utilizar esse aperfeiçoamento no meu trabalho, que até então sempre havia sido voltado ao agronegócio."
Fábio - que também cursou algumas cadeiras de Agronomia - teve o primeiro trabalho fora da propriedade rural da família em um tambo de leite, quando, com o ensino médio já concluído, estava por fazer o estágio do Técnico em Agropecuária. Ele foi convidado a realizar o estágio no tambo, no primeiro semestre de 2005, e, depois do estágio, foi contratado, ainda naquele primeiro semestre, para continuar trabalhando no local.
Foi durante essa passagem de sua vida profissional que o produtor rural cursou a maior parte de sua graduação em Engenharia de Produção. Isso ocorreu até o 8º semestre do curso, quando, então, Fábio se afastou do trabalho no tambo para se dedicar, no primeiro semestre de 2010, ao estágio prático da graduação, feito em uma indústria de laticínios.
A experiência na indústria também rendeu uma oportunidade de emprego: concluída a graduação, Fábio foi convidado a continuar na empresa - depois de formado, foi contratado como gerente de produção. Ficou na função por aproximadamente seis meses, até pedir afastamento para voltar a trabalhar na propriedade da família, no primeiro semestre de 2011.
Ele atua exclusivamente na propriedade desde o começo de 2017, uma vez que, antes, desempenhou atividades concomitantes: em 2012 e 2013, como técnico em agropecuária, prestou também assistência técnica para produtores de leite, e,  em 2015 e 2016, atuou na coordenação de técnicos em um projeto, que era a sequência do projeto anterior.

Fábio com a esposa, Ana Paula, e com o filhinho do casal, Antônio: o produtor, que trabalha ao lado dos pais, está, junto com seu irmão Valério, ajudando a dar continuidade às atividades dos senhores Atilio e Beatriz. Mas qual é a 'torcida' dele quanto às futuras escolhas profissionais do filho? 'Com certeza eu gostaria que ele desse continuidade ao trabalho da família. Mas essa escolha caberá ao Antônio, e, independentemente de qual profissão ele vier a escolher, terá todo o meu apoio', declara o produtor rural

Estudo aliado à prática diária
Na visão do produtor, o pensamento de quando prestou o vestibular, de buscar o aprimoramento, continua. "Entendo que devo estar constantemente me aperfeiçoando, para me manter atualizado e acompanhar as mudanças, que ocorrem muito rapidamente nos dias de hoje", diz. "Não me vejo trabalhando em outra área que não seja voltada ao agronegócio", acrescenta.
Fábio conta utilizar o conhecimento adquirido na graduação em diferentes situações do dia a dia, mas destaca, principalmente, a aplicação dele no planejamento e gestão da propriedade. "A agricultura é um negócio, assim como uma empresa, mas com um agravante, o clima, o que torna a empresa mais incontrolável de se trabalhar. Atualmente, vive-se um período da agricultura no qual são os detalhes que fazem toda a diferença", analisa.
O produtor, técnico e engenheiro lembra a importância do estudo, mas observa que "a vivência prática do dia a dia do interior tem a mesma importância, pois a vida é uma escola e ela tem muito a nos ensinar. No meu entendimento, o conhecimento só é atingido quando se possui a teoria e a prática juntas".
E, num cenário atual em que muitos jovens decidem migrar do trabalho no campo para o trabalho na cidade, Fábio é taxativo quanto ao principal motivo que o faz permanecer: "Faço o que eu gosto e gosto do que faço".
Ele diz acreditar que, "para trabalhar na agricultura, a pessoa precisa ter uma espécie de dom, aliado à fé, pois os resultados não são imediatos e muitas vezes demoram bastante para começar a aparecer, sem falar que todo agricultor é um empreendedor e empreende em algo no qual não existe um risco calculável, em função dos diversos fatores que podem afetar".

'Tive abertura para colocar ideias em prática'
Além do aspecto de que gosta do que faz, Fábio afirma que "outro motivo que sempre me deixou motivado a trabalhar na agricultura foi o fato de meus pais nunca passarem uma impressão negativa do trabalho deles. Após estudar e voltar com ideias diferentes para a propriedade, tive abertura para colocar essas ideias em prática, após muita conversa e troca de opiniões e experiências".
"Sempre trabalhamos juntos em busca de nossos objetivos", ressalta. "Considero que os resultados estão sendo positivos e satisfatórios, apesar de acreditar também que existe espaço para melhorarem. Com certeza, no trabalho com meus pais, existe uma grande troca de conhecimentos e de experiências e uma busca constante pelo aprendizado, pois vivemos em um mundo on-line, no qual constantemente precisamos estar dispostos a nos atualizarmos", complementa.
"E, quanto a progressos pessoais, posso dizer que estão alinhados com a rotina do dia a dia de um agricultor. Estou colhendo agora os resultados que plantei no passado, por isso continuo plantando e dedicando o que há de melhor em mim para que as colheitas futuras sejam cada vez melhores", finaliza.

NA FOTO PRINCIPAL: Fábio, na propriedade da família, no Km 13, com os pais, Beatriz e Atilio, e com o filhinho, Antônio, de 1 ano e 2 meses
FOTO: ANA PAULA CECATTO/ARQUIVO PESSOAL

FOTO 2:BEATRIZ BANDEIRA DALLA VECHIA/ARQUIVO PESSOAL



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