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Minha Primeira Multa de Trânsito

21/07/2017 - Por Jornal Semanal
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Gustavo Griebler*

Completei dez anos da minha habilitação em 2016. E com este aniversário, veio a primeira multa de trânsito. Não a tomei em Três de Maio nem em Uruguaiana. Fui a tomar em Santa Maria, quase meia-noite, de um sábado para um domingo, por ter deixado o carro corretamente estacionado junto ao meio-fio de uma rua com mão única. O que não vi - e mais uma dezena de outros motoristas não viram - é que não poderíamos ter deixado os veículos estacionados entre 23h e 5h naquele local. Isso dizia numa placa de área azul com um E garrafal lá no início da rua, mas em letras minúsculas. Argumentamos com o fiscal de trânsito que éramos de fora e estávamos em uma festa de formatura, mas não teve jeito. Ainda tive de fazer o teste do etilômetro (que apontou zero) para poder sair dirigindo dali, pois senão seria guinchado.
Algumas vezes desgraça não vem sozinha. Dois meses depois, na mesma rua, na mesma cidade, mas de dia, já vacinado que não poderíamos deixar o carro estacionado, mas à noite, parei, Aline ficou dentro com a perna imobilizada, atravessei a rua para fazer alguma coisa e quando voltei (10 minutos depois) Aline me relatou que havíamos sido multados. Falei que não eram 23h ainda, mas ela disse que tínhamos parado em um local de carga e descarga. Outra placa que não vi. Pior foi que ela levou a multa (estando imobilizada), pois o fiscal de trânsito disse que seríamos guinchados se não tirássemos o carro dali, no que ela apresentou sua habilitação e disse que o motorista já vinha (eu), já que obviamente ela não poderia dirigir.
Por que escrevo só agora? Porque exerci meu direito de defesa, apresentando razões, que simplesmente foram ignoradas, dizendo que os autos de infração estavam corretos. Está bem. Pagarei as multas. 
Para fechar, em março deste ano, 11 anos de carteira, mais uma multa. Que zica, diria o outro. Pois é. Saí de Três de Maio em direção a Santa Rosa. 100km/h o máximo para veículos leves agora. Bacana. Mas em uma rodovia tão cheia de curvas não consigo totalmente chegar a esta velocidade para andar em segurança. Tudo bem. Chegando em Santa Rosa, pego a rodovia que vai a Santo Ângelo. Eis que após um trevo e após a ultrapassagem de um veículo mais lento, estavam policiais com um daqueles radares móveis, atrás de umas árvores no acostamento da rodovia. Fizeram sinal para eu parar, no que parei e disseram que me multariam pois eu passei a 104km/h onde deveria estar no máximo a 80km/h. Estrada boa esta ali. Retas boas. Convidativas para a cavalaria de qualquer carro.
Agora naquele trecho não passo mais de 80km/h. Nem um km a mais. Talvez a menos. Perco a conta de quantos veículos passam por mim em velocidades as mais variadas. Alguns crescem no retrovisor e logo se somem à minha frente. Outros permanecem um tempo atrás e quando há uma brecha passam. E se somem no horizonte. Você vê de tudo: camionetas voando baixo. Ultrapassagens em faixa contínua, em cima de pontes, em curvas, enfim. Mas me mantenho dentro das leis de trânsito. Que mudam a cada pouco. Acendo os faróis, o cinto coloco e sobriamente e serenamente dirijo a no máximo 80km/h após ter descansado bem na noite anterior. Com receio, entretanto, de ser "juntado" por um veículo 2.0 que vem rasgando o asfalto atrás de mim. Mas sigo meu caminho. Devagar e sempre, mas sabendo que algumas rodovias oferecem perfeita segurança a 110km/h. Passo pelos policiais escondidos atrás de árvores com seus radares móveis aferidos pelo Inmetro a não mais que 80km/h. Olho para eles e eles para mim. Penso que deveriam postar-se em curvas, em pontes, em faixas contínuas e não em retas. Multariam muito mais, penso eu.
Quanto à multa por excesso de velocidade, possivelmente em breve virá para pagar, já que mais um recurso será negado. Concordo com o trabalho dos policiais em multar, em fazer o certo. Mas eu acho que algumas vezes educar o cidadão vale muito mais do que mexer no seu bolso. Alguns gritarão que os policiais e os fiscais de trânsito estão certos em multar, mexendo no bolso do cidadão é que as coisas realmente fazem sentido, mas eu tenho a dizer que acredito na educação. Ela move montanhas, ela torna as pessoas melhores, ela sensibiliza a muitos e dá oportunidade a todos que dela se valem. Criar revolta nas pessoas por meio de multas não vejo ser o melhor caminho. Mexer no bolso das pessoas não é a melhor forma. Educar sim. Não passarei necessidade pagando estas multas, mas virei um cara indignado e um tanto revoltado com as situações. Não sou criminoso. Não fiz mal a ninguém. Pagarei multas, mas espero que o dinheiro se reverta para a tapada de buracos que se multiplicam nos asfaltos afora, fazendo com que dia após dia se gaste dinheiro com borracheiros e troca de suspensões, pneus, rodas, etc etc e etc.

* Mestre em Educação nas Ciências (UNIJUÍ). Licenciando em Formação de Professores para a Educação Profissional (UFSM). 
Professor EBTT do Instituto Federal Farroupilha - Campus Avançado Uruguaiana



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