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Consumo e geração de empregos têm sido afetados pelo forte endividamento, avalia economista

21/07/2017 - Por Jornal Semanal
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Argemiro Brum analisa que economia regional dá sinais de uma recuperação 
lenta, e que poucos setores têm evolução acima do quadro geral

A safra de verão cheia trouxe um ânimo à economia da região Noroeste. Mas isso não provoca grandes mudanças num cenário econômico geral em que o endividamento da população ainda é alto - e também há o fato de que, em função das cotações dos grãos, consideradas pelos produtores as não mais adequadas para a venda, grande parte da produção não foi comercializada, o que significa menos dinheiro circulando.
Na visão do economista Argemiro Luis Brum, a economia regional dá sinais de recuperação - mas de uma recuperação bastante lenta. Ele reitera que progressos acima da média geral têm sido verificados apenas em uns poucos setores.
"A economia da região vive um pouco o cenário que tem sido visto no País. Parece indicar uma recuperação em alguns setores, e essa recuperação tem gerado alguns empregos. Mas essa recuperação não é nada expressiva, ainda não é geral, não é consistente", diz Argemiro ao Semanal.
"Não são todos os setores que estão empregando mais do que demitindo. O setor de máquinas e implementos agrícolas, por exemplo, nos últimos tempos, empregou mais, mas isso naqueles municípios que têm alguma indústria, alguma montadora. Comércio e serviços, por exemplo, são setores que ainda não reagiram o suficiente", acrescenta ele, que é professor do curso de Ciências Econômicas da Unijuí.
Como esses são setores que dependem muito da demanda do consumidor, isso ocorre, explica Argemiro, "porque ainda há fortes endividamento e inadimplência na população, e, com isso, os empregos não reagem muito. Diante do endividamento, a população não consome. Sem consumo, a economia não gira, e aí não há geração de empregos".
O setor agropecuário teve geração de empregos, "mas porque a demanda foi maior, devido a uma safra mais cheia no verão", avalia Argemiro.
"E isso se restringe ao primeiro semestre, ou seja, acaba sendo temporário. No segundo semestre, tirando a produção leiteira, que emprega porque é uma atividade diária, e parte da suinocultura, poucas atividades do setor primário empregam. Pode ser que haja um crescimento em empregos mais para o final do ano, quando novamente chegar o período de plantio das safras de verão."

Crise mais profunda do que se pensava
Argemiro diz que, tanto na região quanto no País, incluindo aí o governo federal, se esperava no começo do ano que a situação econômica fosse melhorar mais rapidamente, ao longo de 2017, do que está sendo.
"Mas com o passar dos meses, e à medida que os diferentes escândalos foram estourando, foi se percebendo que a retomada não vai ser tão simples assim, que vai ser longe do que se esperava. A sociedade regional, e também o Brasil inteiro, caiu na real de que a crise brasileira é muito mais profunda do que muitos imaginavam", afirma o economista.
"Os acontecimentos do primeiro semestre enfraqueceram politicamente o governo e, por consequência, influenciaram na retomada da economia. O crescimento vai ser pífio, e o País vai ficar mais patinando do que decolando."
No entanto, apesar do cenário nada animador para o restante do ano em termos de grandes progressos, e da crise política e da instabilidade do governo Temer, destacadas por Argemiro, o economista considera difícil que a situação venha a retroceder.
A previsão de crescimento no PIB em 2017 é de 0,5% - nada perto de compensar ou mesmo amenizar o acumulado negativo de 7,4% registrado nos últimos dois anos. "A equipe econômica é considerada adequada para o momento, e, em condições normais, com ela se mantendo, dando continuidade à linha que adotou, de correção de rumo, me parece difícil a situação ficar pior do que está", conclui.

FOTO: UNIJUÍ/DIVULGAÇÃO


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