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UNIDADE REGIONAL DO IMAMA

24/02/2017 - Por Jornal Semanal
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'Sem a parceria com a Prefeitura, não tem como manter a Unidade', afirma voluntária
Fabíola Grando diz que 'todos sairiam perdendo' com um eventual encerramento do trabalho da Unidade, 
a única do interior do RS: 'Não estamos pensando nessa possibilidade'

As voluntárias da Unidade Regional do Imama de Três de Maio aguardam uma definição quanto à continuidade da parceria com o Município para que as atividades possam ser retomadas de forma plena, a exemplo de como os trabalhos se desenvolviam até o final do ano passado.
Há, desde novembro de 2009, quando a Unidade foi fundada, um convênio firmado entre o Imama (o Instituto da Mama do Rio Grande do Sul) e o Município. O acordo, que não estipula uma data de término da parceria, prevê, entre as obrigações da administração municipal, a cedência de um espaço físico e de uma servidora, fundamental à Unidade para a realização dos trabalhos administrativos, que exigem conhecimento das atividades e continuidade.
O Município alega, conforme mostrou reportagem publicada pelo Semanal na sua última edição, que, para o prosseguimento da parceria firmada com o Imama visando ao apoio ao trabalho da Unidade Regional, é necessário estabelecer o acordo respeitando a lei federal nº 13.019, de 2014. A lei consiste no Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (MROSC) e entrou em vigor para os municípios no último dia 1º de janeiro.
Nesta semana, a vice-prefeita Eliane Fischer e a secretária municipal de Políticas da Mulher, Márcia Herbertz, se reuniram, em Porto Alegre, com a direção do Imama. Elas foram recebidas pela 2ª vice-presidente do instituto, Cíntia Graziela Seben.
"Foi uma excelente reunião. Estamos trabalhando no desenvolvimento de uma parceria entre Imama e as secretarias de Políticas da Mulher, Educação e Saúde. O próximo passo é a elaboração do plano de trabalho, que deverá ser assinado em março", comenta Márcia.
Hoje, a Unidade Regional do Imama, a única no interior do Estado, tem em torno de 40 voluntárias. Entre elas, estão as chamadas vitoriosas, que enfrentaram ou enfrentam o câncer. A Unidade realiza um trabalho amplo, voltado especialmente à prevenção do câncer de mama e ao suporte especializado a pacientes e familiares, por meio de profissionais de diferentes áreas. Anualmente, mais de 5 mil pessoas, em diversos municípios, são atingidas pelas ações de conscientização.
A voluntária Fabíola Grando enfatiza, em entrevista ao Semanal, que a continuidade da parceria com o Município é primordial para o prosseguimento das atividades. "Sem a parceria com a Prefeitura, não tem como manter a Unidade. Precisamos de uma sede para acolher as pessoas e o trabalho administrativo precisa ter uma continuidade. Ele não se torna viável e eficiente com o rodízio entre as voluntárias", explica ela.
A primeira reunião entre voluntárias e a nova administração municipal ocorreu no último dia 8, no gabinete do prefeito Altair Copatti. Já no dia 15, foi a vez de as voluntárias se reunirem, oportunidade em que foi estabelecido um horário provisório de atendimento na sede da Unidade, até que haja uma definição quanto a um eventual novo local e à parceria com o Município.
O atendimento, iniciado nesta semana, é nas terças à tarde, das 13h30min às 17h30min, e nas quintas pela manhã, das 7h30min às 11h30min - a sede se localiza em uma sala do Espaço Margarida Alves, e o telefone é (55) 3535-1345. Por outro lado, a servidora municipal que atuava como secretária da Unidade foi reintegrada às suas atividades administrativas pela Prefeitura.


Entrevista com a voluntária Fabíola Grando
O prefeito Altair Copatti foi eleito no começo de outubro. As voluntárias da Unidade Regional do Imama o procuraram antes da posse para conversar sobre a manutenção da parceria, com vistas a iniciar o ano com essa questão já, pelo menos, discutida?
A Unidade tentou marcar reunião com o prefeito eleito ou com a equipe de transição. Quem tentou agendar o contato foi a então secretária do Imama. Não obtivemos sucesso em nossas tentativas. A reunião só ocorreu após a posse da nova administração, quando novamente a procuramos, e aí, sim, a reunião foi agendada e ocorreu no dia 8 de fevereiro, no gabinete do prefeito.
As voluntárias veem como prejudicial às atividades da Unidade esse intervalo superior a um mês - desde o começo da nova administração municipal - até que houvesse, pelo menos, um encaminhamento da questão?
O atendimento ao público ficou prejudicado, sim, pois as pessoas procuravam o Imama pelo telefone ou pessoalmente e não tinham retorno.
Isso ocorreu porque, primeiro, não se sabia o novo local da Unidade. Foi deixado bem claro por parte da nova administração que o local que estávamos usando seria destinado a outras atividades, e, segundo, a secretária que tínhamos estava saindo em férias e sendo transferida para outro setor.
Só conseguimos definir a abertura - mesmo que provisória - da Unidade depois da reunião com o prefeito, na qual ele nos autorizou a usar o mesmo espaço até termos a definição de como e onde ficará a Unidade do Imama.
Nós, voluntárias e vitoriosas, continuamos nosso trabalho. Além do atendimento na sede, nas tardes de terça-feira, das 13h30min às 17h30min, e nas manhãs de quinta, das 7h30min às 11h30min, já temos atividades agendadas para 8 de março, dentro da programação do Dia Internacional da Mulher, e para o final de março, com as mães atendidas pela Pastoral da Criança.
A Unidade conta com assessoria jurídica? Se sim, qual é o parecer sobre o Marco Regulatório no que diz respeito à viabilidade da manutenção da parceria com o Município?
A Unidade não conta com assessoria jurídica. Temos, isso sim, advogada voluntária que orienta as pacientes. Quanto à lei 13.019/14, ela, se necessário, será analisada quando das tratativas para a renovação do convênio entre o Imama de Porto Alegre e a administração municipal.
Dentro disso, após a reunião com o Município, após os encontros entre as voluntárias, quais são, hoje, as perspectivas do grupo quanto ao desfecho de toda essa questão? 
Estamos muito otimistas. Uma caminhada de sete anos, com um trabalho tão importante, não pode parar. Cada um está tentando fazer a sua parte: as voluntárias e vitoriosas querendo continuar com o trabalho, e a administração municipal se prontificando a conversar com a direção do Imama para manter a parceria. Esperamos que não ocorra nenhum empecilho.
A continuidade das atividades da Unidade Regional ficaria completamente inviabilizada sem a manutenção da parceria com o Município?
Sem a parceria com a Prefeitura, não tem como manter a Unidade. Precisamos de uma sede para acolher as pessoas e o trabalho administrativo precisa ter uma continuidade. Ele não se torna viável e eficiente com o rodízio entre as voluntárias. Precisa de uma pessoa com domínio de informática, com desenvoltura, que saiba ouvir e orientar, bem como articular o trabalho com as secretarias, principalmente com a de Saúde.
Como as voluntárias veem um eventual fim das atividades da Unidade Regional? E que impacto social esse encerramento traria?
Não estamos pensando nessa possibilidade. Todos sairiam perdendo. A população, por deixar de contar com as campanhas de alerta sobre os cuidados com as mamas. O paciente, por ficar sem o empréstimo de perucas, doação de lenços e de sutiãs, sem o apoio e o testemunho das vitoriosas, sem as orientações fisioterápicas, jurídicas, psicológicas e nutricionais. O Município, por deixar de contar com um trabalho voluntário de alto nível.
Quanto mais precoce é a detecção do câncer de mama, maiores são as chances de cura, e menos traumático, menos mutilador e menos oneroso será o tratamento. Isso é pouco?

FOTO PRINCIPAL: MURIAN CESCA
As voluntárias Elaine Kroth, Rosane Dürks Cassol e Teresinha Zorzo: Unidade retomou atendimento na sede nesta semana, com horários provisórios

FOTO II: EDERSON RAMBO
Fabíola Grando



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