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Férias escolares: tempo para atividades ao ar livre

11/01/2019 - Por Jornal Semanal
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É tempo de apostar e resgatar brincadeiras antigas, atividades artísticas e físicas ao ar livre 
'Apesar das férias escolares serem uma época de descanso, podem ser incluídas no lazer atividades que exercitem a memória, foco e atenção. Assim, quando voltar às aulas, não irá levar tanto tempo para retomar o ritmo', diz orientadora educacional e neuropsicopedagoga, Flaviana Neuhaus

Depois de cumprirem todas as "obrigações", com horário certo para acordar e dormir, estudar e fazer lição de casa, as merecidas férias chegaram para aliviar a cabeça e dar uma pausa naquela rotina que muitas vezes deixa as crianças e adolescentes estressados e cansados.
"Sair da rotina é um importante ponto a ser observado pelos pais, mas valorizar os momentos caseiros podem proporcionar dias gratificantes", avalia a orientadora educacional do Município, neuropsicopedagoga e professora de atendimento Educacional Especializado, Flaviana C. Fellini Neuhaus. 
Apesar do recesso escolar ser uma época de descanso, podem ser incluídas no lazer atividades que exercitem a memória, foco e atenção. Assim, quando voltar às aulas, não irá levar tanto tempo para retomar o ritmo. "O importante é exercitar a memória nas férias. Habilidades como: concentração, raciocínio, memória, criatividade e autoestima melhoram o desempenho na escola e garantem mais qualidade de vida. A melhor estratégia são as diferentes brincadeiras", orienta.


Brincadeira é benéfica para o desenvolvimento da criança
Pular, correr, imaginar, criar e estar em constante movimento, tanto mental quanto corporal, contribui para o desenvolvimento de cada criança. 
"Toda e qualquer brincadeira é benéfica para o desenvolvimento da criança. Por exemplo, pular corda não é responsável somente pelo desenvolvimento motor, já que é uma atividade física. Essa brincadeira também desenvolve as noções de espaço e tempo, afinal, a criança precisa calcular o momento exato de pular. Além disso, também desenvolve a capacidade de respeitar regras, já que se ela tirar os pés do chão fora de hora, vai errar o movimento."
A neuropsicopedagoga explica que o desenvolvimento da criança acontece através do lúdico, ou seja, ela precisa brincar para crescer. "É brincando que ela se satisfaz, realiza seus desejos e explora o mundo à sua volta".
Sendo assim, os pais precisam proporcionar atividades que possam promover e estimular o desenvolvimento de modo geral, levando em conta a linguagem, o afetivo, o social e o motor. "Isso tudo sem deixar de se divertir, é claro! Afinal, essa é a parte mais importante para as crianças. Brincar é fundamental!"

Resgatando brincadeiras antigas
É tempo de apostar e resgatar brincadeiras antigas, atividades artísticas e físicas ao ar livre a fim de explorar o mundo dos sentidos. Pode-se apostar no pular corda, pega-pega, esconde-esconde, pintura, dança da laranja, cabra-cega, corrida do saco, queimada, dança da corda e assim por diante. São brincadeiras cada vez esquecidas que precisam fazer parte do desenvolvimento das crianças e não cabe somente a escola proporcionar tempo e espaço para elas. 
Outra dica, é reuniu a família para um piquenique; ir a praças e quadras de esporte, onde se pode levar brinquedos, bicicletas, patins, entre outros, que irão incentivar o exercício, a prática de esporte e movimento. 
E se as férias forem na casa dos avós? Será que pode tudo? Para a orientadora educacional, a casa dos avós tem aromas e sabores que representam uma das melhores formas para criar memória afetiva.

Orientadora educacional, neuropsicopedagoga e professora de atendimento Educacional Especializado,
 Flaviana C. Fellini Neuhaus.

Momentos para serem compartilhados entre pais e filhos
Considerando a vivência e o aprendizado ao longo dos anos de trabalho com as crianças, Flaviana apresenta algumas dicas para que as férias escolares sejam bem aproveitadas pelas crianças e sem estresse para os pais. São dicas econômicas que podem ser eficazes e ajudar no desenvolvimento emocional, cognitivo, motor e físico das crianças, além de prazerosas para pais e filhos:
- Leitura de livros, gibis e outros: não há nenhum exercício que seja tão eficaz como a leitura, pois há a melhoria das memórias verbal e visual e maior cognetividade cerebral.
- Massinha caseira: além de prender a atenção isso ajudará na parte motora, cognitiva e física da criança e ela saberá desenvolver a habilidade de quantidade e de como misturar ingredientes. 
- Cinema: é bacana, pois irá trabalhar a área emocional e a atenção da criança, além de aproximar pais e filhos, ou demais familiares e amigos.
- Culinária em casa: aprendizado, novas experiências e sabores. As crianças aprendem a trabalhar em equipe, a ter higiene, contato com o alimento e respeito com o preparo. Elas ainda têm noções de medida e de quantidade, que ajudam no raciocínio matemático.
Outra aposta é nos jogos de raciocínio lógico, afinal, eles ajudam a criança a desenvolver o pensamento e influenciam sobre o modo como ela vai lidar com problemas no futuro, então aposte em: 
- Quebra-cabeças: como opção, recomendo modelos com palavras porque aumentam o vocabulário e melhoram tanto a memória semântica, quanto a visual.
- Jogo de xadrez e damas são ótimos para melhorar o raciocínio e a memória.

Não há limites para criar, imaginar e sonhar
"Ainda, reforço que não há limitação para criar, imaginar e sonhar quando somos crianças. Em qualquer atividade que o seu filho estiver envolvido, ele deve poder ter as ferramentas para criar a partir daquela atividade. A função do brincar não está no brinquedo, no material usado, mas sim na atitude subjetiva que a criança demonstra na brincadeira e no tipo de atividade exercida."
Flaviana reforça que sempre aconselha as famílias sobre, "o que vai prejudicar o retorno do seu filho na volta às aulas vai ser a falta de equilíbrio que foi vivenciado não só nas férias, mas no dia a dia de um ano que tem no mínimo 200 dias letivos. A dose é que faz a diferença", resume. 

Cuidado para não sobrecarregar a criança de atividades 
E sobre a televisão e internet, assistir séries, filmes ou desenhos juntos, todos sentados, sem fazer outra atividade não é errado. 
"Divida o tempo que  você tem com os filhos e compartilhe  algo de que eles gostam e faça outras atividades juntos." 
"Porém, deve-se tomar cuidado para não sobrecarregar a criança de atividades nas férias, porque em geral ela já tem uma rotina conturbada no período letivo e muitos têm atividades fora da escola. Ficar um pouco sem horário é fundamental", alerta a profissional.
Flaviana orienta que não é preciso planejar cada minuto do tempo, encaixando atividades para todos os momentos do dia ao longo das férias. 

Momento para cuidar da saúde
Outra dica de ouro, certamente a mais valiosa de todas, é aproveitar estes dias de férias para agendar um check-up com as crianças e adolescentes. "Às vezes nossos filhos sentem muita dor de cabeça, cansaço, indisposição, dores musculares e no corre-corre do dia a dia não paramos para dar a atenção merecida. Agora é hora! Fazer uma avaliação do estado de saúde através de uma consulta médica e a realização de exames básicos faz toda a diferença na prevenção e no diagnóstico precoce de doenças e inclusive contribuem para minimizar ou sanar dificuldades de aprendizagem."
Mudar a rotina nesta época envolve pequenos gestos diferentes no seu dia a dia que ajudam bastante a melhorar o foco e a memória. "Mas costumo advertir que as atitudes devem ser leves e sem muita extravagância, priorizando sempre o diálogo, lanches saudáveis e boas noites de sono".

E quando os pais não estão de férias?
"Mas e quando, ao contrário dos filhos, os pais não têm folga? Nessas situações, as férias podem virar um problema. Por isso os pais e filhos precisam aprender a organizar a vida de forma mais leve."
No contexto escolar, Flaviana diz que conhece bem a preocupação das famílias que não têm com quem deixar seus filhos nas férias. Nesses casos, é preciso apostar em alternativas que compartilham momentos legais entre crianças e adolescentes com a mesma faixa etária e pode-se fazer uma alternância de famílias ou familiares responsáveis pelas atividades do dia, afinal são apenas alguns dias, mas é preciso ter um adulto por perto, uma referência.
Independente daqueles que  que podem organizar uma rotina de férias com seus filhos ou daqueles que não podem tirar férias nesse período, uma dica significativa e que vai fazer toda diferença para o seu filho ou filha, sem comprometer qualquer orçamento familiar é "deixe que seu filho encontre o que fazer em alguns dias das férias."
Ela recomenda que o ócio deveria fazer parte da vida das crianças e adolescentes em momentos como estes, assim como fez na nossa vida quando éramos crianças. "Pare por alguns minutos e pense nas brincadeiras que você inventou junto com seus irmãos e primos durante suas férias escolares. Se um sorriso surgiu na sua face, está aí a prova de que seu filho lembrará para sempre dos momentos divertidos que ele criou, sem que nenhum adulto planejasse o passo a passo de cada dia das suas férias. Em alguns dias, televisão e internet podem fazer parte da diversão. Em outros, sem alarde, derrube a Internet da sua casa e deixe o ambiente off-line o dia todo." 
"Em nome do amor pelos seus filhos e da oportunidade que eles precisam para descobrir o quanto são capazes de ter iniciativa e criatividade, deixe alguns dias das férias sem absolutamente nada para vocês fazerem juntos!" 

Uso exagerado da internet pode trazer problemas
A neuropsicopedagoga alerta que existe uma grande preocupação em relação a crianças e adolescentes que passam cada vez mais tempo conectados. Segundo estudos do Comitê Gestor da Internet no Brasil, por exemplo, 80% da população do país entre 9 e 17 anos utilizam a rede, sendo que 66% deles navegam por ela diariamente. "O uso exagerado das mídias nesta fase do desenvolvimento, pode trazer uma série de problemas para o desenvolvimento, como obesidade, insônia, dificuldades de socialização, hiperatividade, comportamento agressivo, antissocial e, inclusive, depressão - em maior número, entre meninas".
Já outros profissionais defendem que, a não ser uma hora antes de dormir, há poucas evidências de que tempo de tela são prejudiciais. Na avaliação de Flaviana, telefones, computadores e tablets são uma ótima maneira para explorar o mundo e a proibição do uso das mídias não é o melhor caminho - depois dos 2 anos de idade (crianças dessa idade não aprendem muito a partir de programas e aplicativos porque não têm a capacidade de transferir as informações que veem na tela para o mundo real), mas deve haver limites, atenção a quantidade de tempo que é despendido em seu uso. Mais do que apenas limites, os pais devem entender os programas usados pelos seus filhos. É preciso gastar tempo com eles, mas de forma a realmente participar do universo infantil e lembrar que, crianças aprendem e desenvolvem mais o cérebro brincando - é o que a experiência tem nos mostrado."
Os pais precisam pensar sobre o que é útil e bom para seus filhos. "Além disso, pais devem considerar seu próprio uso de tela, se tempo de tela é controlado em sua família, e se o uso em excesso está afetando o desenvolvimento de seus filhos e de seu dia a dia. Receita simples para que a tecnologia possa ser aproveitada em todo o potencial que tem para tornar as férias divertidas e cheias de memórias que ajudarão para um novo ano letivo, repleto de bons resultados", conclui a orientadora educacional.

Novas tecnologias fazem disparar o número de pessoas com miopia
Os brasileiros passam, em média, quatro horas por dia com os olhos fixos em 
aparelhos eletrônicos. Hoje, de cada dez casos diagnosticados de miopia, 
apenas um é passado de pai para filho

Cerca de 20% das crianças brasileiras em idade escolar, de acordo com o levantamento do Conselho 
Brasileiro de Oftalmologia, apresentam problemas de visão

O uso excessivo de eletrônicos, como celular e computador, fez disparar o número de pessoas com miopia em todo o planeta.
A miopia é um erro refrativo do globo ocular. Quem desenvolve essa doença, tem dificuldade para ver o que está longe. Isso acontece porque a imagem dos objetos é focada incorretamente, ou seja, os objetos são focados à frente da retina, fazendo com que a visão do que está longe pareça turva.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, até 2050 metade da população do planeta vai sofrer dessa doença por causa do uso excessivo de aparelhos eletrônicos. Esse crescimento no número de míopes já vem sendo observado na Ásia, onde a tecnologia está um passo à frente. Na Coreia do Sul, Japão, China e Singapura, a incidência de jovens adultos com miopia chega a 90%.
Os brasileiros passam, em média, quatro horas por dia com os olhos fixos em aparelhos eletrônicos. E as consequências desse excesso já são observadas em clínicas de todo o país. Tanto é que, segundo a Sociedade Brasileira de Oftalmologia, pela primeira vez o comportamento está se sobrepondo a genética. De cada dez casos diagnosticados de miopia, apenas um é passado de pai para filho. Os outros nove são provocados pelos hábitos do dia a dia.
"De modo geral, todos os oftalmologistas têm percebido que está cada vez maior o número de míopes e também o aumento das miopias degenerativas, e miopias acima de 6 e 8 graus. Essas miopias podem levar a um descolamento de retina e perda de visão", afirma a oftalmologista Thaissa Faloppa Duarte.
Cerca de 20% das crianças em idade escolar, de acordo com o levantamento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, apresentam problemas de vista. Os tratamentos vão desde o uso de óculos à cirurgia, dependendo da gravidade.



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