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Pais devem usar a criatividade, mantendo a rotina e horários

27/03/2020 - Por Jornal Semanal
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Orientação é da neuropsicopedagoga e Orientadora Educacional Flaviana Neuhaus que afirma: 'os pais não precisam entreter seus filhos o tempo todo, pois as crianças precisam compreender que os pais estão em casa, mas também precisam trabalhar'

"A pandemia mudou a rotina das famílias e impôs um novo desafio à convivência. Nos dias de hoje, nada é mais precioso do que o tempo, resta-nos com sabedoria, decidir o que fazer com ele. Talvez seja o momento de desacelerar e refletir. Mesmo aqueles que estão no trabalho, o movimento diminuiu e, com isso, é possível pensar nas escolhas que fizemos sobre como viver agora", reflete a neuropsicopedagoga e Orientadora Educacional da Rede Municipal de Ensino de Três de Maio, Flaviana Fellini Neuhaus.
Segundo a profissional, com planejamento é possível aproveitar o tempo, uma vez que muitos pais estão trabalhando de casa. Muitas crianças e adolescentes inclusive estão recebendo aulas EAD - a distância. "O importante, na minha opinião, é que as crianças precisam saber que, ainda que seus pais estejam trabalhando fora ou em casa, terão que seguir regras e combinados. É o momento de trabalhar sobre o valor da família". 
Neste sentido, Flaviana destaca que é preciso usar a criatividade. "Mas é preciso não se sentir responsável por entreter a criança o tempo todo. Ofereça recursos para isso e ofereça rotina e horários. Essa previsibilidade dá segurança para a criança e permite que ela compreenda que os pais estão em casa com ela, mas também precisam trabalhar."
Flaviana afirma que todas essas atividades (no box ao lado) são aprendizados e contribuem para organização e proximidade com a família, sem deixar de lado o compromisso profissional dos pais. "Basta saber dosar o tempo e investir na qualidade dos momentos dedicados a quem se ama. Nesse processo, pequenas atitudes fazem uma grande diferença. Ouça, fale, olhe nos olhos, esteja realmente ali. Esse contato é importante para reforçar laços e se conectar, de verdade, com quem está presente." 

Uso das novas tecnologias
Por outro lado, a orientadora educacional também recomenda aos pais a "não entrar na paranoia de evitar o uso das telas". "Não é abusar e deixar a criança o dia inteiro na frente das telas, mas nem ficar em pânico e não a deixar em momento algum usar. Use a seu favor e benefício da criança ou adolescente. Aproveite para conversar com seu filho adolescente sobre as novas tecnologias, sobre o que ele pesquisa, assuntos, gostos e enriqueça sua conversa."
Ela cita orientações da Sociedade de Pediatria em relação a isso. "A regra é encontrar equilíbrio, seja para as famílias que estão em casa tanto quanto para aquelas que estão trabalhando."   

Como abordar sobre a pandemia com as crianças?
"A disseminação do novo coronavírus tomou os canais de notícias e é assunto em todas as conversas, principalmente pelas mortes. Com isso, aumentaram também as fake news e boatos que podem causar pânico tanto em adultos quanto em crianças e adolescentes. Os filhos percebem que seus pais estão preocupados e ao ouvirem os mais velhos falando sobre o assunto, em especial os menores de até seis anos, podem ficar agitados e até mesmo criar fantasias pelo medo. Não é recomendável mentir ou omitir o assunto. O ideal é amenizar a ansiedade com uma conversa franca, dizendo que é um vírus, como quando ele fica gripado, com diarreia ou vômito. Com tantos boatos circulando, pergunte a criança o que ela já sabe sobre a pandemia, faça perguntas abertas e desminta qualquer informação incorreta", aconselha a neuropsicopedagoga.
Conforme Flaviana é importante que os pais tranquilizem seus filhos afirmando que tudo vai ficar bem e, ao mesmo tempo, orientando sobre alguns passos práticos para a criança reduzir os riscos de infecção. "Seja honesto. Utilize um vocabulário adequado. Mostre à criança como proteger ela mesma e seus amigos. Assegure-se de reconhecer os sentimentos deles e lhes garanta que é natural sentir medo dessas coisas, isso reduzirá não somente a possibilidade de contrair o vírus, mas fará com que se sintam capazes de fazer algo, de ter algum controle." 
Por outro lado, ela destaca que os adolescentes tendem a ser mais realistas e céticos do que as crianças menores e não aceitarão tudo o que os pais dizem de imediato. "Por isso é importante criar um ambiente de diálogo, em que todos possam dizer o que sentem e o que pensam. Eles precisam ser ouvidos". 
Para a profissional, "os adultos estão diante de uma grande oportunidade de construir um diálogo construtivo com seus filhos sobre responsabilidade coletiva e humanidade. Diga ao se filho que estamos lidando com uma pandemia que nos fez unir forças em prol do coletivo e de superação. E na dúvida, existem muitos sites educativos, de pediatria e saúde infantil que estão disponibilizando orientações, livros de histórias e desenhos informativos".
Flaviana que é Orientadora Educacional é defensora incondicional de uma educação que privilegie a formação para a vida, de ensinar e aprender a aprender para além dos muros escolares. "Este é um momento mundial. Dependemos uns dos outros. Só com o esforço de todos, poderemos vencer esta batalha. Isso é um grande ensinamento. Além de sermos conectados uns aos outros, todas as dimensões da sociedade estão conectadas de forma sistêmica. A educação afeta a saúde. A saúde afeta a economia. A economia afeta a política. E o ciclo não para. Mais empatia, solidariedade, esperança e fé!", conclui.

Tarefas e responsabilidades
Crianças cheias de energia e sem prazo para voltar às aulas continuam devem continuar com rotina. Flaviana dá algumas dicas:
- Dormir e se alimentar bem, com horários adequados.
- Aproveitar o momento para higienizar seus brinquedos, ajudar a organizar a casa, separar o que não serve mais para doação.
- Aprender a amarrar o cadarço, dobrar uma roupa, arrumar sua cama.
- Tomar sol, realizar atividades ao ar livre (pátio), plantar uma árvore, cultivar o jardim, fazer uma horta em garrafas pet (para não justificar a falta de espaço).
- Colaborar com a limpeza do espaço do seu animal de estimação.
- Atividades na cozinha, como fazer a receita de um bolo, entre outros, com acompanhamento de um adulto.
- Assistir um filme, brincar com o alfabeto móvel e se não tiver, construir um.
- Cantar uma música educativa, ter horário para a leitura, inclusive leitura familiar em voz alta, ouvir histórias dos adultos.
- Ter espaço e tempo para o desenho, para a pintura, o recorte e a colagem com revistas velhas, para construir brinquedos de garrafa pet e, de quebra, estimular consciência e respeito ao meio ambiente.
- Jogar com a família um dominó, um jogo de memória, um quebra-cabeça, um caça-palavras, etc.

Flaviana Neuhaus  é neuropsicopedagoga e Orientadora Educacional da Rede Municipal de Ensino de Três de Maio




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