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Paixão passada de mãe para filhos

18/10/2019 - Por Jornal Semanal
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A força para fazer a diferença e transformar vidas

Apaixonada pela profissão, Claudete Inês Werlang de Almeida, 47 anos, tornou o sonho de infância de ser professora, em realidade

Vinda de origem simples e de uma grande família - com pai e mãe e oito filhos -, do interior de São José do Inhacorá, o sonho de menina sempre foi ser professora. 
Aos 47 anos, Claudete Inês Werlang de Almeida recorda que todas dificuldades as quais enfrentou, fizeram com que a realização de seu sonho de infância tivesse ainda mais importância para a vida dela e da sua família.
Ela e o marido, o empresário Luiz Carlos de Almeida, 56 anos, são pais de Eduardo, 24 anos e Jéssica, 22 anos, e ambos seguem a profissão da mãe. Eduardo é mestrando em História (UFSM, de Santa Maria) e Jéssica cursa Pedagogia, na Setrem. 
Quem vê Claudete sorridente e realizada em sala de aula com as crianças não imagina todo o caminho que ela percorreu para estar ali. Antes de ser professora, ela atuou 22 anos em escolas, mas como faxineira e merendeira. E nunca desistiu do sonho de estar em contato com alunos em sala de aula. Hoje, ela é "profe" na Emei Santa Rita e na Emef Sales Guimarães.

Vestibular, formatura em Pedagogia e aprovação em concurso público
Já casada, Claudete teve o incentivo do marido para terminar o Ensino Fundamental e iniciar o Ensino Médio. Na época, o casal já tinha os dois filhos pequenos.
Cuidando da casa e das crianças, ela pensou em parar de estudar depois que terminou o Ensino Médio. Mas, o marido, sabendo do seu sonho, lhe preparou uma surpresa: fez a inscrição dela no vestibular de Pedagogia da Setrem. 
Com dedicação, esforço e horas de estudo (e conciliando as tarefas do lar), ela conseguiu a aprovação no vestibular. Mas logo veio a preocupação se a família teria condições de pagar pela faculdade. 
Então, economizando um pouco daqui e dali, Claudete conseguiu se formar em Pedagogia. "Fiz a faculdade com todo desejo imaginando como eu seria como professora."
Logo após a formatura, ela se inscreveu no concurso público da prefeitura de Três de Maio e foi aprovada. Já se passaram oito anos em que está atuando em sala de aula. Lecionou para todas as séries da Educação Infantil, do berçário até a pré-escola e, atualmente, além da Educação Infantil, ela trabalha com crianças das Séries Iniciais, do 1º e 2º anos.

Claudete com os filhos Eduardo, 24 anos, mestrando em História pela UFSM e Jéssica, 22, estudante de Pedagogia da Setrem, que atua pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) na rede municipal

Filhos seguem a profissão da mãe
Os filhos de Claudete podem ser considerados uma exceção, pois estão seguindo os passos da mãe. Realidade bem diferente da maioria dos jovens, porque poucos optam pelo magistério.
"Sempre senti interesse pela profissão. Ainda adolescente, ao ver minha mãe feliz e realizada com o que fazia, fiquei mais incentivado a seguir na carreira. Hoje tenho certeza de que estou fazendo o que amo", descreve Eduardo, que quer atuar como professor de História e sonha em passar em concurso público na sua área.
Jéssica revela que "só quem é filho de professor sabe o que é ter que dividir a sua mãe ou pai com outras crianças". Mas justifica: "nós crescemos com uma mãe apaixonada pelo que faz". 
Para ela, a mãe pode ter certeza de que é a responsável por cativar esse amor por ensinar e a felicidade de ver um aluno descobrindo um novo mundo. "Obrigada por ser esse exemplo de professora", diz a filha.
Hoje, a jovem está atuando na Emef Germano Dockhorn pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid).


O convívio diário com os alunos - o amor que dá e recebe - e o fato de ensinar e aprender muito com as crianças, é o que motiva Claudete a seguir na profissão

Para a professora, 'o maior desafio hoje em sala de aula é resgatar os valores que muitas crianças não têm mais 
dentro de casa, na família'
Claudete também fez especializações em Psicopedagogia e Orientação Educacional. E afirma que pretende continuar se atualizando para enriquecer a troca de novas experiências. 
Para ela, o maior desafio hoje em sala de aula é resgatar os valores que muitas crianças não têm  mais dentro de casa, na família. "Muitas famílias perderam o sentido de ser família; falta amor, atenção, carinho e comprometimento dos pais com seus filhos. Isto precisa ser mudado", afirma.
A educadora afirma que as crianças precisam (assim como os adultos), mais atenção e uma dose maior de calma e paciência. "Em sala de aula, quem mais aprende sou eu. Crianças são tão puras que quando se desentendem - assim que passam uns minutos -, logo estão brincando juntas e até dividindo o lanche. Um adulto demora muito tempo para perdoar. As crianças, não, elas têm o coração verdadeiro e muito sábio. E isso me encanta", destaca Claudete. 
Além dos desafios que as crianças vivem no ambiente familiar, a professora lembra do cenário da educação no país, das políticas públicas para o setor e dos governantes que estão no poder. "Existem pessoas que estão no poder público não têm interesse em melhorar a educação e fazer o seu papel de administrar com clareza e coerência", ressalta.
Apesar das dificuldades, Claudete destaca que "os professores ainda têm muito a comemorar, pois podem fazer a diferença na vida dos alunos". "Podemos ajudar a transformar vidas e fazer com que os alunos aprendam e se tornem cidadãos do bem", reflete. 

'Acredito que professor nunca será substituído. Ele é o mediador da aprendizagem, elemento chave para o processo de ensino', diz educadora Tatiana Robe Weber
A paixão pela área de educação sempre esteve presente na vida de Tatiana Carla Robe Weber. Ainda jovem, optou pelo curso do Magistério. Em 2000, já atuava na Educação Infantil, quando na época morava em Santiago. Depois, fez graduação em Direito e pós-graduação em Direito da Empresa e do Consumidor e por um tempo atuou no ramo empresarial. Porém, o que realmente a deixava realizada era a sala de aula. Hoje, aos 42 anos, ela tem certeza de que fez a escolha certa, ao buscar a formação em Pedagogia e especializações em Neuroaprendizagem e Supervisão e Orientação escolar. 
Há poucos anos, ela voltou à sala de aula, atuando na Educação 
Infantil e Séries Iniciais. Atualmente, trabalha em duas escolas: Escola Municipal de Ensino Fundamental Francisco Sales Guimarães, onde atua como professora do 1º ano; e também na Cooperdomhermeto (Colégio Dom Hermeto), onde é presidente da Cooperativa.

A paixão pela arte de ensinar sempre esteve presente na vida da educadora Tatiana Weber

'As crianças, em especial, possuem algo que despertam uma motivação sem igual na minha vida'
Desde de criança, Tatiana conta que brincava de ser professora e sempre se identificou com a área. "O que realmente me realiza é a escola, esse ambiente dinânico, encantador, cheio de desafios e calor humano. As crianças, em especial, possuem algo que despertam uma motivação sem igual na minha vida, e por mais que às vezes os desafios são grandes e muito difíceis no mundo de hoje, é lá o lugar que me encontro. Levo para minha vida profissional o que aprendi em 1997, no curso de Magistério: 'Educar é um ato de amor'", afirma, citando a frase de Teresa Verzeri. 
Para a educadora, o amor é fundamental na profissão de educador, especialmente nos dias atuais, pois para ser professor, antes de tudo, precisa amar, ter empatia com o aluno, perceber suas necessidades e apostar nas suas conquistas.

Realização com o crescimento do aluno
Como atua há alguns anos com alfabetização, a educadora afirma que fica realizada quando percebe o crescimento do aluno, a superação de desafios. "Aprender a ler e escrever é muito complexo para uma criança de 6 ou 7 anos. Precisa de várias conexões cerebrais, estímulo, apoio emocional... quando eles começam a ler, me emociono (literalmente) e vejo que valeu a pena o investimento! Acredito que para qualquer educador, esteja ele exercendo o nível que for do ensino, o fato do aluno mostrar o quanto cresceu e se desenvolveu - seja em conhecimento, valores ou emocionalmente - já podemos comemorar, pois nosso trabalho está dando frutos", destaca.
Maior desafio é a desvalorização da profissão
Tatiana avalia que, atualmente, vivemos em uma sociedade em que se inverteram um pouco os valores. "O respeito e a valorização pela profissão do professor está muito à margem do que se espera. E não falo aqui apenas a questão financeira, mas também como a população vê esse profissional que muitas vezes faz o papel que é da família, e ainda é criticado. Acredito que esses são alguns dos maiores desafios da nossa profissão."

Avanço da tecnologia na educação
A educadora frisa que hoje se vivem dias de intensa revolução tecnológica e inovações tna área de educação. Por isso, é preciso se adaptar à essa mudança que os alunos trazem para o ambiente escolar. "A tecnologia pode e deve ser agregada ao nosso planejamento, pois só tem a contribuir para as melhorias dos processos de ensino-aprendizagem. Precisamos compreendê-las, incorporá-las e socializar essas experiências, pois todos temos a ganhar", observa. 
Profissão desafiadora
"Ser professor é uma profissão desafiadora, onde cada dia surgem novidades, e situações novas. Não existe rotina em uma sala de aula, seja ela presencial ou à distância. Somos nós que mediamos o conhecimento necessário para formar as mais diversas profissões. Por isso, acredito que professor nunca será substituído, ele é o mediador da aprendizagem, elemento chave para o processo de ensino", completa a educadora, que dá um conselho para quem quer seguir nessa profissão: "estude, invista na carreira, mas não basta gostar de crianças ou adolescentes, é preciso se apaixonar e vestir o espírito da educação".

Os números
- No Brasil, o número de professores é superior a 2,5 milhões, segundo censos educacionais do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) referentes a 2017. 
- A maior parte - 2,192 milhões - é da educação básica, enquanto 349 mil são do ensino superior. 
- Do total de professores, 345,6 mil estão na zona rural.
- A maioria dos professores tem entre 30 e 39 anos. Mulheres representam quase 70% do corpo docente no país.
- No Rio Grande do Sul, somadas todas as redes (federal, estadual, municipal e privada), são mais de 117 mil docentes, em atividade, conforme Censo Escolar da Educação Básica 2018. 
- Chama atenção do quadro da rede estadual tem 63 mil professores em atividade e 97 mil professores aposentados. 
- Em Três de Maio, a rede estadual conta com 172 professores em atividade, sendo 141 efetivos e 31 temporários.
- Na rede municipal, são 96 educadores no Ensino Fundamental e 79 na Educação Infantil em sala de aula. Inativos somam 167 professores.
- Na rede particular, representada pelos Colégio Dom Hermeto e Sociedade Educacional Três de Maio (Setrem) são mais de 250 professores nas duas instituições de ensino.
- No total, somando as redes municipal, estadual e particular, o município conta com cerca de 600 professores em sala de aula.
Fonte: MEC, Secretaria da Educação do RS, 17ª CRE, Secretaria de Educação de Três de Maio e secretarias de escolas particulares



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