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O sonho de fazer carreira nos gramados de duas jogadoras da Escolinha do Botafogo

28/06/2019 - Por Jornal Semanal
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Gabrieli atua na equipe sub-9 do clube; Caroline está na sub-14. Elas são as únicas meninas - em suas respectivas categorias e equipes
Dando sequência à série de reportagens sobre as mulheres no futebol, nesta edição vamos conhecer as histórias de Caroline Carvalho Quaresma, 14 anos e Gabrieli Alves, 10 anos, atletas da escolinha de base do Botafogo Esporte Clube de Três de Maio. 
Mesmo sabendo das dificuldades do esporte - que é praticamente dominado pelos homens e não tem os mesmos investimentos, salários e o reconhecimento quanto o futebol masculino -, o que mais importa para elas é ir em busca do sonho de se tornarem grandes jogadoras profissionais. Com muito talento, habilidade, carisma e persistência, as atletas conquistam seus espaços e jogam de igual para igual dentro de campo, em times masculinos. 
Em Três de Maio e na região, o futebol de campo feminino ainda não tem tanta visibilidade quanto o futsal dentro de quadra. Campeonatos femininos em estádios são muito raros. Já as competições reunindo mulheres no futebol de salão são mais comuns e frequentes. Várias são as escolas de futsal formadas por meninas (nas categorias de base) e mulheres (na categoria livre), que disputam campeonatos e conquistam muitos títulos, a exemplo da Base TM, Anittas e Ágatas, equipes três-maienses de futsal feminino as quais serão abordadas nas próximas edições do jornal.

'Quero chegar à Seleção Brasileira', afirma Caroline, zagueira do Botafogo e atleta do projeto Lobas do Esporte Clube Pelotas
Ao acompanhar o irmão Kauê nos treinos no Botafogo Esporte Clube, Caroline Carvalho Quaresma, ficou encantada pelo esporte, quando tinha 7 anos. Com o tempo, o irmão desistiu da escolinha, no entanto, Carol, passou de espectadora a jogadora. Ao dar os primeiros chutes, dentro de campo, percebeu que a paixão pelo futebol era algo muito maior, que tomava conta do seu coração. Ao fazer parte da equipe, começou a se destacar. Hoje, aos 14 anos (completados no dia 12 de junho), atua como  zagueira e volante da categoria sub-14 do Botafogo. 
Com muita habilidade e passes precisos, o que difere Carol durante os jogos é o fato dela ser a única menina da equipe sub-14 da base do clube três-maiense. 
Caroline passou por todas as categorias do Botafogo. Este ano é o último que vai participar da equipe nas competições. 
Desde o início deste ano, ela participa do projeto Lobas, do departamento de futebol feminino do Esporte Clube Pelotas, time pelo qual ela vai disputar o Gauchão, pela equipe sub-16. "Vou continuar treinando no Botafogo, e continuo com apoio do clube; só que vou jogar pelo Lobas. É muito bom jogar com as gurias, numa equipe feminina, porque estou acostumada a jogar só com os guris". 
Em campo, a adolescente revela que não enfrenta preconceito dos meninos, que segundo ela, são bem respeitosos e bem parceiros. "No Botafogo temos um grupo bem unido. E no Lobas também fui superbem recebida pelas meninas."
Além do campo, Carol tem disputado partidas em times de futsal feminino de Três de Maio: a equipe Base TM e Ágatas. "Tem muita diferença no jogo; tem que ter mais agilidade, pensar mais rápido. No campo tem mais espaço; até a pisada é diferente", compara.
Com o apoio da família, a adolescente sonha em ser como Amandine Chantal Henry, craque da seleção francesa, que atua como volante, no setor de meio-campo. Ela também tem como ídolo o zagueiro Van Dijk, da seleção holandesa.
Gabrieli Alves, 10 anos e Caroline Quaresma, 14

Seguindo os passos de Andressinha
Carol diz que acompanha a carreira da jogadora da Seleção Brasileira Andressinha e que tem uma história parecida com a dela. "Andressinha começou aos 13 anos nas Lobas. E a partir daí ela chegou na Seleção Brasileira. Sonho em me tornar uma grande jogadora como ela; tudo depende como eu for meu desempenho em Pelotas. Podem aparecer oportunidades, porque o Lobas tem contato com grandes clubes do Brasil e até do exterior, como dos Estados Unidos, que são referência em futebol feminino". 
O futebol é o grande sonho e a maior paixão da garota, que realiza treinamentos diários. "Só descanso no domingo. Faço academia, treino no campo, jogo futsal, é bem corrido. O futebol me ensina muito, cria amizades; o respeito dentro de campo ou de quadra; aprendo a  ganhar e a perder; são ensinamentos que levo na minha vida", afirma.
Contudo, ela lamenta a falta de oportunidades, de incentivos e investimentos para as meninas no esporte. "O futebol feminino não tem muita visibilidade. E tem muitas gurias que praticam e tem muito talento, mas falta incentivo, um projeto, alguém que dê essa chance para mostrar o talento dentro de campo ou de uma quadra. Meu conselho para quem está neste esporte é nunca desistir. Enfrentamos inúmeras dificuldades, mas a recompensa vem depois para quem luta", diz, a jovem, que agradece aos pais João Fernando e Mara e aos treinadores Carlão e Nena, do Botafogo, que acreditam no seu talento e são os grandes incentivadores para ela não desistir.

'Em vez de boneca, eu escolhi a bola', diz Gabrieli Alves, atleta sub-9 do Botafogo
"Quando eu vi a Marta jogando, fiquei encantada. Sonho em ser jogadora desde os oito anos", conta Gabrieli Alves. Embora tenha apenas 10 anos, ela está convicta do que quer para o futuro. 
Gabi é atleta da categoria sub-9 do Botafogo e está no clube há pouco mais de um ano, e desde então, sua dedicação e esforço se destacam dentro de campo.
O sonho de ser uma grande jogadora levou a menina a procurar a escolinha do clube por conta própria. "Queria muito jogar futebol de campo. Como não tem time de futebol para meninas aqui, procurei a Escolinha do Botafogo, mesmo sabendo que iria jogar somente com meninos. Fui muito bem recebida pelo professor Carlão e demais professores. Nunca joguei bola numa equipe de meninas", conta a garota. 
Antes, ela só jogava na quadra da escola. Agora, está inserida no time junto com os meninos no Botafogo. "Em vez de boneca, eu escolhi a bola", afirma, ressaltando que tem o apoio de toda a família; dos pais Eliane e Maikel, e da irmã Ana Heloísa. 
Embora o entusiasmo com o esporte, ela sabe o desafio que tem pela frente, principalmente pela falta de oportunidade. Para ela, o futebol é um jogo de estratégia, esforço e foco. "É difícil, mas ao mesmo tempo é muito bom", declara, lembrando que seus maiores ídolos, além de Marta, são Cristiane (artilheira da Seleção Brasileira) e, no futebol masculino, Pelé, Éverton e Luan.

'O futebol feminino depende de vocês para sobreviver', desabafa a capitã Marta, após a eliminação da equipe na Copa do Mundo
Depois de empatar em 1 a 1 no tempo normal, a Seleção Feminina foi superada pelas donas da casa na prorrogação e se despediu da Copa do Mundo FIFA 2019, no último domingo, 23. As jogadoras brasileiras lutaram até o fim, mas perderam para a França pelo placar de 2 a 1, em duelo válido pelas oitavas de final. 
Mas o que ficou marcado, além da garra das jogadoras brasileiras, foi o discurso emocionado de Marta - a "Rainha", eleita seis vezes a melhor jogadora do mundo -, logo após a eliminação: "Não conseguimos a vitória. A equipe delas foi melhor na definição. Agora é seguir em frente. Cabeça erguida. Muito orgulho dessa equipe", afirmou, pedindo mais valorização para o futebol feminino. "É um momento especial e a gente tem que aproveitar. Digo isso no sentido de valorizar mais. Valorize! A gente pede tanto, pede apoio, mas a gente também precisa valorizar... estar pronta para jogar 90 e mais 30 minutos e mais quantos minutos forem necessários. É isso que peço para as meninas. Não vai ter uma Formiga para sempre, uma Marta, uma Cristiane. O futebol feminino depende de vocês para sobreviver. Pensem nisso, valorizem mais. Chorem no começo para sorrir no fim", declarou - olhando para a câmera de uma emissora de televisão -, com lágrimas nos olhos.
Ao deixar o campo após a eliminação do Brasil na Copa do Mundo feminina, Marta fez um desabafo emocionante




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