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Escola-Fazenda da Setrem: conhecimento prático desde o manejo das lavouras até a gestão da propriedade

04/05/2019 - Por Jornal Semanal
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Espaço foi criado nos anos 1970 para atender os alunos do curso técnico em Agropecuária e, depois, passou a atender também os estudantes do curso de Agronomia, que teve sua primeira turma em 2009. Do total de 160 hectares, 112 são destinados ao cultivo das mais diversas variedades

O comportamento do solo, práticas capazes de impulsionar resultados nas lavouras e o efeito de produtos do mercado sobre os resultados nelas têm sido alguns dos temas de pesquisas realizadas a partir da Escola-Fazenda da Setrem, situada em Independência.
Adubações, rotação de culturas, manejo integrado de pragas, doenças e plantas concorrentes às culturas agrícolas e conservação do solo e da água são alguns dos exemplos de temas explorados na Escola-Fazenda pelos hoje estudantes e que, futuramente, vão acompanhá-los no dia a dia de sua profissão.
Regulagem de pulverizador, de semeadoras e de colheitadeira, ação de semeadura e colheita, avaliação de perdas na colheita (para verificar quais são as regulagens necessárias) e aspectos relacionados à gestão rural também são outros pontos que farão parte do dia a dia dos profissionais e hoje são objeto de estudo dos alunos, com acompanhamento dos professores.
Criada no início da década de 1970, a Escola-Fazenda da Setrem "objetiva gerar contexto para a aplicação de conhecimentos estudados em sala de aula, possibilitando a construção destes conhecimentos", avalia o coordenador do curso superior de Agronomia, o professor Marcos Caraffa, em entrevista ao Semanal.
Ela foi criada para dar suporte às ações didático-pedagógicas do curso técnico em Agropecuária, implementado em 1971. Atualmente, a Escola-Fazenda é local de aulas práticas tanto para o curso técnico em Agropecuária quanto para os acadêmicos do curso de Agronomia, que teve sua primeira turma em 2009.
São, no total, 160 hectares na Escola-Fazenda, dos quais 112 são voltados ao cultivo, com o restante consistindo em áreas de preservação permanente (APPs), reserva legal e reflorestamento. Confira, a seguir, a entrevista com o professor Marcos Caraffa.

Inúmeras são as atividades desenvolvidas pelos acadêmicos na Escola-Fazenda da Setrem, viabilizando a integração entre teoria e prática

Como se dá o envolvimento dos alunos com a Escola-Fazenda?
Os acadêmicos e as acadêmicas do curso de Agronomia efetuam visitas/aulas com professores de áreas específicas do conhecimento e também com grupo de professores visando à avaliação e análise de problemas decorrentes dos sistemas de produção adotados.
Também atuam em práticas de regulagem de pulverizador, semeadoras e colheitadeira, ação de colheita e semeadura, avaliação de perdas na colheita (para indicar regulagens demandadas), coleta de amostras de solo, estimativa de produção das diversas culturas, topografia, georreferenciamento, acompanhamento de experimentos (há momento em que temos mais de mil parcelas experimentais no local) conduzidos em parceria com muitas empresas públicas (Embrapa Trigo, Embrapa Soja, Embrapa Milho e Sorgo, Embrapa Clima Temperado, entre outras) e privadas (empresas produtoras de adubos, máquinas e equipamentos, sementes, etc.), além de alguns acadêmicos/acadêmicas, conforme sua área de interesse, efetuarem instalação e acompanhamento de experimentos, gerando pesquisas constantes nos trabalhos de conclusão de curso.
Mais recentemente, estão praticando gestão rural inventariando maquinário, implementos e benfeitorias, calculando as depreciações, estabelecendo os custos fixos e os custos variáveis das diversas culturas e da Escola-Fazenda como um todo, calculando ponto de equilíbrio, lucratividade, rentabilidade, custo de oportunidade e valor presente líquido, entre outros indicadores econômico-financeiros.
Não está colocada a questão de "limites" aos alunos, apenas a necessidade de sempre estarem acompanhados por professores operando na coordenação das ações lá desenvolvidas, as quais, salienta-se, normalmente não são operacionais, pois não é esse o objetivo que se tem ao formar engenheiros agrônomos e engenheiras agrônomas.
Precisamos atentar para uma formação que permita a construção de conhecimentos táticos e, sobretudo, estratégicos, como bem diz o nosso lema: "Acreditamos em plantar competências para colher qualificação de sistemas produtivos do setor agropecuário".

Que análise o senhor faz dos resultados proporcionados pela Escola-Fazenda?
Muitas têm sido as pesquisas desenvolvidas no local, com diversas parcerias estabelecidas. Essas ações têm gerado informações substanciais sobre, por exemplo, comportamento do solo (sob os aspectos químicos e, sobretudo, físicos e biológicos), ciclagem de nutrientes, estabelecimento de práticas capazes de impulsionar resultados em áreas agrícolas, efeito de produtos disponibilizados no mercado sobre os resultados de lavouras, materiais genéticos mais adaptados para cultivo na região (culturas do trigo, aveia, soja, milho, girassol, canola e linho) e desenvolvimento de cultivares de linho e painço, entre muitos outros resultados.

Na sua opinião, que impactos uma escola-fazenda tem na trajetória de um acadêmico do curso de Agronomia?
A construção do conhecimento não ocorre quando se fazem meras visitas a lavouras, mas, sim, com ações intencionais para a compreensão dos fenômenos do setor agropecuário (de forma sistêmica) e construção de ações capazes de maximizar resultados, tanto minimizando custos como potencializando receitas, num equilíbrio capaz de capitalizar as famílias envolvidas com a produção primária.
Assim, muitas são as atividades desenvolvidas na Escola-Fazenda, seja em termos de adubações, rotação de culturas, manejo integrado de pragas, doenças e plantas concorrentes às culturas agrícolas e conservação do solo e da água, apenas para citar alguns exemplos.

'A construção do conhecimento não ocorre quando se fazem meras visitas a lavouras, mas, sim, com ações intencionais para a compreensão dos fenômenos do setor agropecuário e construção de ações capazes de maximizar resultados' Coordenador do curso de Agronomia da Setrem, professor Marcos Caraffa



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