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O melhor professor do mundo

05/04/2019 - Por Jornal Semanal
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O tema educação sempre me foi caro, primeiro porque tive bons professores na rede pública - até a década de 1970, hoje, os professores estão desprestigiados. Depois, fui professor universitário, incluindo o Instituto Tecnológico da Aeronáurtica - ITA, também tive experiência em uma escola técnica particular de segundo grau, mas o que eu gosto mesmo de dizer é da minha experiência com a Crisma. Alguns preferem me caracterizar de "catequista", como se isso fosse diminuir-me no debate da educação, como se fosse tema para eminências pardas somente.
O Padre Léo, que foi um grande pensador e comunicador católico - imitado até por um pastor evangélico, dizia que Jesus era brincalhão, bastava ler a Bíblia para perceber. Creio que Deus não interferiu na escolha do melhor professor do mundo, mas inspirou-me há algumas semanas a escrever que ser professor era exercer um sacerdócio e, curiosamente, foi escolhido o professor Peter Tabichi, que é membro da ordem religiosa franciscana. O Global Teacher Prize de 2019 foi concedido pela Fundação Varkey, organização de caridade dedicada à melhoria da educação para crianças carentes.
Não se deve esperar tamanha dedicação dos professores brasileiros, nem vou dar toda a razão ao deputado paulista Daniel José, do Novo, que diz que há muito professor ruim no ensino paulista, incluindo bêbados, mas, certamente, ele está correto em querer fazer um pente fino porque a vítima real é o aluno indefeso, que é mal preparado para a vida.
O professor queniano Peter Tabichi é extraordinário. Ele doa 80% de seu salário para apoiar os estudos dos seus alunos, na Escola Secundária Keriko Mixed Day, no vilarejo de Pwani. As crianças não conseguiriam pagar nem os uniformes, nem o material escolar sem essa ajuda.
Tabichi está determinado a dar aos alunos uma chance de aprender ciência e ampliar seus horizontes. Suas classes deveriam ter 40 alunos, mas ele acaba ensinando classes de até 80 estudantes. E sua escola apresenta-se com instalações precárias, inclusive com a falta de livros e professores. Como a internet é ruim, ele costuma frequentar um café para baixar os materiais necessários para suas aulas de ciências. 
Tabichi disse que parte do desafio tem sido persuadir a comunidade local a reconhecer o valor da educação, o que o leva a visitar famílias cujos filhos correm o risco de abandonar a escola. Ele ainda tenta mudar a mentalidade de pais que querem casar as filhas cedo, para que elas continuem a estudar.
Todo esse esforço já teve recompensa, seus alunos foram bem sucedidos em competições científicas nacionais e internacionais, incluindo um prêmio da Sociedade Real de Química 
do Reino Unido.
O professor também ensina técnicas de cultivo mais resistentes aos moradores dos arredores, já que a fome é uma realidade frequente na região.
Ele venceu entre outros dez mil indicados de 179 países, entre eles a professora Débora Garofalo, já citada em artigo anterior. É preciso tomar esse e outros exemplos para que professores tenham humildade para ver os erros da classe e os deputados e senadores elejam a Educação como prioridade da nação e tomem medidas que melhorem as carreiras e envolvam as famílias.

Mario Eugenio Saturno
Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de 
Pesquisas Espaciais (INPE) 
e congregado mariano




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