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Vetada de atuar no feminino, atleta transexual de Três de Maio joga torneio de vôlei de praia no masculino

02/03/2018 - Por Jornal Semanal
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Atuando no esporte há quatro anos - sempre na categoria feminina -, Carolina Lissarassa, disputou no domingo, etapa de vôlei de praia de Cruz Alta, do Circuito Verão Sesc de Esportes, no masculino. Caso está repercutindo na mídia nacional e internacional

Natural de Três de Maio, a transexual Carolina Lissarassa, 27 anos, é jogadora profissional de vôlei de praia há quatro anos. O esporte é praticado, paralelamente, à profissão de cabeleireira, em Chapecó, Santa Catarina, onde ela reside atualmente.
A aparência feminina e o corpo cheio de curvas não remetem, em nenhum momento, a figura masculina. Carol é um mulherão, mas para ficar assim, passou por tratamentos com hormônios femininos. Terapia hormonal, bloqueadores de testosterona (principal hormônio sexual masculino), injeções de progesterona (hormônio feminino); até que o corpo começou a mudar, dar forma e criar curvas. Por ser atleta, tem um cuidado ainda maior com a aparência e, especialmente, com a alimentação e saúde.
Há cerca de quatro anos, conseguiu o documento com o nome social onde consta a identidade feminina. Na entrevista concedida ao Semanal, na manhã de quarta-feira, ela não quis revelar seu nome de batismo, que conforme ela, ficou para trás, no passado.
No último fim de semana, Carol virou o centro de uma polêmica, que está repercutindo na mídia nacional e ganhando os holofotes até fora do país. Isso porque, ao tentar disputar a etapa de vôlei de praia de Cruz Alta do Circuito Verão Sesc de Esportes, foi vetada na categoria feminina. Porém, a situação constrangedora não a impediu de participar do campeonato. Carol jogou na categoria masculina, ao lado do amigo, Hélio Lucena, de Porto Alegre.

No ano passado, Carol participou do mesmo campeonato, na categoria feminina, sagrando-se vice-campeã
No ano passado, a atleta foi vice-campeã da etapa de Ijuí nessa mesma competição, só que atuando no feminino. Este ano, contudo, se inscreveu para jogar ao lado de Grazielle Gonçalves. Só que teve sua documentação vetada.
Segundo a atleta, a CBV (Confederação Brasileira de Voleibol) declarou que o torneio em questão, não era chancelado pela entidade e, que não foi consultada ou contactada sobre o assunto e que, se fosse, seguiria as diretrizes do COI (Comitê Olímpico Internacional). E que, portanto, Carol Lissarassa, nesse caso, poderia jogar, como Tiffany Abreu (jogadora de vôlei de quadra) atua na Superliga feminina.
Já o Sesc, se pronunciou dizendo que o documento de Carol não foi checado devidamente pela mesa de arbitragem no ano passado e que a atleta teria jogado de forma irregular por erro da organização. A assessoria de imprensa da entidade lamentou a falha e reforçou ainda que prima "pela transparência dos processos e o respeito à diversidade em todas as suas ações". Ainda, segundo o Sesc, no caso da Carol, ela ainda não tem toda a documentação feminina exigida, a qual está em processo de transição.
Porém, Carol destaca que após completar sua transição sexual, está apta e regular dentro das determinações do COI e da CBV. Ou seja, apesar da polêmica que envolve as questões de gênero e o debate sobre o físico e a força de uma atleta trans, ela tem o nível de testosterona monitorado regularmente, que deve ser abaixo de 10 nanomols por litro de sangue. Atualmente, Carol tem 0,7. 

'Discriminação e perseguição', avalia Carol
Carol destaca que toda a sua história dentro do vôlei profissional é na categoria feminina, pois no masculino jogava só no tempo da escola, na adolescência. 
"O documento que apresentei o ano passado, foi o mesmo que apresentei esse ano. E que sempre apresento em todos os campeonatos que participo. Então, a proibição de disputar no feminino não foi apenas uma forma de discriminação, mas sim de perseguição. Porque ano passado, quando não era conhecida, em nível nacional, eu pude jogar. Agora, que muitos conhecem minha história, e tem o caso da Tiffany, a primeira jogadora transgênero a jogar pela Superliga feminina de vôlei, também fui barrada pelo fato de ser trans. Acho que faltou argumentos para essa proibição; faltou entendimento, faltou vontade de esclarecer aos fatos, faltou bom senso", avalia.
Embora a indignação, ela e o amigo foram muito bem no torneio e conquistaram o quarto lugar. "Nossos jogos foram os mais disputados, as pessoas paravam para assistir, até porque, era diferente, uma trans e um homem jogando de igual para igual contra uma dupla masculina. Vale lembrar que a rede de vôlei do masculino é mais alta que o feminino, então eu fui totalmente limitada para jogar. Ainda mais que depois da minha terapia hormonal, não salto, não ataco e minha agilidade não é mais a mesma de antes", informa.


Na próxima edição, conheça um pouco mais da história de Carolina Lissarassa. 
Como ocorreu a sua transição sexual, sua paixão pelo vôlei e os projetos para o futuro.

FOTO: ALINE GEHM




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